Núcleo da Canada do Inferno-Parque Arqueológico do Vale do Côa (Património Mundial da Humanidade) (Vila Nova de Foz Côa) (**)
Janeiro 16, 2010 por Castela
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Neste núcleo saímos da sede do Parque Arqueológico do Vale do Côa, em Vila Nova de Foz Côa. A paisagem até ao local está longe da beleza dos núcleos da Ribeira dos Piscos (****) ou da Penascosa (****), apesar de, por vezes, visionarmos o grandioso Douro, a nossa direita, um ou outro pombal, por vezes algumas amendoeiras, mas a sensação que fica, é a da aridez e monotonia desta paisagem xistenta, boleada e retentora de calor. Xisto, este, e desculpai-me o tom geológico, que foi formado em mares profundos, de escassa actividade orgânica, algures entre o período Câmbrico e a Era Pré-câmbrica. Aqui o vale é muito encaixado com temperaturas extremas, uma verdadeira “Canada do Inferno”. No pino do Verão chega-se aqui por vezes aos 47 graus.
Descemos então, por jipe conduzido por um guia experiente, que alia os seus conhecimentos da arte rupestre a uma condução em condições difíceis em pisos agrestes e muito declivosos.
O que se vê é monumental, mas a paisagem maravilhosa foi brutalmente agredida. Estamos na zona do estaleiro abandonado da barragem. Nesta paisagem lunar de escombros de pedra, podemos imaginar o vaivém incessante de camiões, o ruído ensurdecedor. De quando em quando, uma sirene visava o rebentamento de mais uma carga de gilamonite, que ia esventrando a fogo ambas as margens.
No Núcleo da Canada do Inferno, está o primeiro painel a ser descoberto no Parque Arqueológico do Vale do Côa
A rocha 1 é especialmente importante porque foi a primeira a ser descoberta, por Nelson Rebanda, em 1993; mostra no topo um painel com sobreposição de gravuras de muita qualidade, deixando imenso espaço vago no restante painel; Custa-nos, de facto, a perceber a mentalidade do Homem Paleolítico. Outra curiosidade é um cavalo representado com duas cabeças, dando a sensação de movimento descendente.
Na rocha 3, entre os vários animais representados, aparece à esquerda um raro quadrúpede, que poderá ser um felino.
Em várias rochas encontramos gravuras modernas (um peixe, corações, cruzeiros, calvários e até o Castelo de Guimarães, com Dom Afonso Henriques a combater um mouro!).
Noutra rocha uma curiosa manada de auroques caminha em fila indiana na direcção do rio.
E em outro painel está um óptimo cavalo picotado e uma pequena cabra com 10cm gravada com incisão filiforme e que pela sua qualidade foi escolhida como símbolo do parque.
Todos estes painéis se encontram pouco acima do nível do rio Côa, e tendo em conta, que aqui este se encontra muito acima do seu nível original, devido ao efeito da barragem do Pocinho, é de crer que os painéis submersos contenham um tesouro inexcedível de gravuras rupestres ainda por desvendar.


