Thursday, February 9, 2012

Núcleo de gravuras rupestres da Ribeira de Piscos-Parque Arqueológico do Vale do Côa (Património Mundial da Humanidade) (Vila Nova de Foz Côa) (****)

“Núcleo

Depois do primeiro artigo sobra o Núcleo da Canada do Inferno (**), segue-se o extraordinário núcleo da Ribeira dos Piscos (****), não apenas pelo valor arqueológico, mas também pela paisagem excepcional, principalmente na épocas das “amendoeiras em flor” ou na Primavera.
Primeiro viajamos em “todo o terreno”, e depois a pé, por entre uma paisagem de sonho; o núcleo da Ribeira dos Piscos é em si uma experiência inolvidável a aurora da humanidade.
A primeira vez que visitamos o núcleo foi em companhia de estudantes de arqueologia da nossa cidade de Coimbra, em que nós seriamos cicerones para a geologia da região e com a nossa guia do Parque Arqueológico do Vale do Côa (*****), experimentada e loquaz, douta em plantas locais, estabeleceu-se um diálogo profícuo. Se as dúvidas, ao “Como” e “Quando”, estão mais ou menos respondidas, os “Porquês” ficam ao sabor da ciência especulativa e do sonho.

ribeira dos piscos 1 300x199 Núcleo de gravuras rupestres da Ribeira de Piscos Parque Arqueológico do Vale do Côa (Património Mundial da Humanidade) (Vila Nova de Foz Côa) (****)

Ribeira dos Piscos

Os núcleos encontram-se na da foz da ribeira dos Piscos, na margem esquerda (linha de água tectónica associada a montante a mega fractura da Vilariça). A caminhada é primorosa, rodeados que estamos, por um caleidoscópio colorido de flores silvestres de aromas francos e subtis.
Numa das rochas é possível descortinar os mais bem desenhados animais de todo o complexo: uns cavalos executados em filiforme com grande pormenor (notam-se os olhos, a crina, os cascos) e uma maravilhosa noção de perspectiva, mostrando muito bem posicionadas e proporcionadas todas as patas.
O Homem de Piscos e seu gigante falo
Noutro painel observamos, uma raríssima representação paleolítica de uma figura antropomórfica, a do “Homem de Piscos” (no mundo inteiro deve haver no máximo uma dezena). Gravado e revestido pela técnica filiforme, com 63 cm de altura e 22 cm de largura, com cerca de 10000 a.C.,  com crânio de nuca saliente, boca aberta extasiada e um sexo desmesurado em ejaculação. A relembrar aos vindouros que a sexualidade é uma necessidade vital prazenteiro, um acto transcendental, sendo em algumas sociedades também um acto religioso. O que desejaria o nosso coevo artista comunicar?
O “Homem de Piscos” sobrepõe-se a várias figuras (cavalo e auroques).

Nucleo da Ribeira dos Piscos 156x300 Núcleo de gravuras rupestres da Ribeira de Piscos Parque Arqueológico do Vale do Côa (Património Mundial da Humanidade) (Vila Nova de Foz Côa) (****)
A “sensualidade” paleolítica prossegue com a observação em outro painel de uma das mais belas e conhecidas representações até agora encontradas: são dois equídeos a namorarem, acariciando-se com os focinhos, figuras que aproveitam uma zona mais bojuda da rocha para darem uma sensação de volume.


Já no extenso lençol de água calmo do rio Côa, a 6Km da sua foz, e depois de passarmos por um moinho parcialmente submerso e arruinado, encontramos três grandes auroques com dois metros. A sua gravação exigiu a construção de andaimes, e a sua grande dimensão sugere que foram feitos para serem vistos de longe, reforçando a teoria dos painéis como sinalizadores de fronteiras ou marcadores territoriais.  
A conversa continuo interessante, o que é de todo lógico, com a cicerone, de nome Helena Garrido; habituado como estávamos a olhar para as rochas, descortinei uma pequena figura pintada a ocre; tratava-se de um orante Neolítico. Segundo a Helena esta figura já está catalogada e muitas mais existem distribuídas neste sector. A história deste vale não terminou no Paleolítico…

Ribeira dos Piscos 300x199 Núcleo de gravuras rupestres da Ribeira de Piscos Parque Arqueológico do Vale do Côa (Património Mundial da Humanidade) (Vila Nova de Foz Côa) (****)
Á volta, paramos na ruinosa Quinta das Olgas, mas ainda com boa cantaria. Peço para parar a viatura para colher uma fotografia. É mais um momento que guardo na memória porque a vida tem momentos muito belos.

Créditos fotográficos: As fotografias são do ótpimo blog de fotografia arqueológica do Ricardo Soares.

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