Aldeia histórica de Linhares da Beira (Celorico da Beira) (***)
Junho 13, 2010 por Castela
Categorias: Celorico da Beira e Fornos de Algodres, Concelhos, Distrito-Guarda, Fortalezas e Castelos, Mais, Miradouros, Todos os artigos, Vilas e aldeias notáveis
Sabia que…situada na face Noroeste do Parque Natural da Serra da Estrela (****), a aldeia histórica de Linhares da Beira é uma das localidades mais belas de Portugal?
Aqui estiveram romanos que deixaram alguns vestígios, sendo exemplo a estrada romana ainda visível- que ligava Emerita Augusta (actual Mérida (*****), Espanha) a Braccara Augusta (actual Braga (***)). Até meados do século XX a estrada ainda era percorrida por almocreves.
Não existem registos históricos que indiquem quando e quem fundou Linhares da Beira, cujo nome primitivo terá sido Lenio ou Leniobriga. O próprio sufixo briga indica-nos a existência de uma povoação fortificada no alto do monte.
Invadida por visigodos e muçulmanos Linhares da Beira passou a ser definitivamente portuguesa com a conquista de Dom Afonso Henriques. O primeiro rei de Portugal concedeu-lhe foral em 1169, o qual foi renovado por Dom Manuel em 1510.
A razão de ser do brasão de Linhares da Beira
No entanto, a paz não durou muito tempo e o período de instabilidade prosseguiu no reinado de Dom Sancho II. As tropas de Leão e Castela cercaram a região para se apoderarem do Castelo de Celorico da Beira (*). O povo de Linhares foi em auxílio de Celorico e, juntas, derrubaram o inimigo evocando o auxílio de Nossa Senhora dos Açores. Conta a tradição que este combate terá sido travado ainda de noite e ter-se-á dado na Lua Nova, mas a luz daquele astro subitamente recrudesceu de luminosidade sendo um poderoso aliado dos defensores do Castelo de Celorico da Beira (*). Por esta razão, as bandeiras de Linhares e Celorico da Beira exibem um crescente e cinco estrelas. De aí ficou a tradicional romaria popular, a 3 de Maio, à capela da Senhora dos Açores, levantada no local da vitória.
Mais tarde o alcaide de Linhares da Beira junta-se ao alcaide de Trancoso, que com as suas gentes ganharam a importante Batalha de São Marcos em Trancoso (*), a segunda mais importante da Crise de 1383-1385, depois da de Aljubarrota (*).
Linhares da Beira é uma das mais belas aldeias de Portugal
Ao vaguear pela povoação, de ruas labirínticas com o granito a dominar todas as construções, irá deparar-se com uma aldeia em que impera uma nobreza rústica de raro encanto. As habitações possuem características que rapidamente nos chamam a atenção: fachadas de granito, lápides com as datas referentes à sua construção, brasões e muitas janelas manuelinas.
A estrutura da ocupação da antiga vila de Linhares da Beira conjuga o tipo de característica medieval (século XIII-XIV) com desenvolvimento significativo no século XVI. Neste século a vila terá atingido uma configuração próxima da actual.
Judeus em Linhares da Beira
Terá existido em Linhares, uma judiaria, tendo em conta os nomes que constam dos processos da Inquisição. Dadas as características prováveis das habitações que serviam para comércio e residência, a judiaria situar-se-ia próxima da casa do passadiço. As habitações têm sinais característicos: cruzes apostas nos ombrais das portas, datas com referências à construção das casas, símbolos e outras inscrições.

A Casa do Judeu (do passadiço)
Por debaixo de um arco encontra-se a Casa do Judeu de estilo manuelino. Aqui poderá ter existido a sinagoga, que comunicava antigamente com as casas anexas, das quais permanecem agora apenas portas tapadas. Nesta habitação é ainda possível observar um dos mais belos exemplos de janelas de estilo manuelino da povoação.
O Castelo de Linhares da Beira (*)
O conjunto da aldeia é “coroado” pelo castelo que se situa a 800 metros de altitude, reconstruído no século XIII por Dom Dinis. Baluarte de defesa na época da reconquista e das guerras com Castela, o castelo ostenta duas fortes torres ameadas, a de menagem com balcões com matacães, abertos no último piso, de onde partem muralhas que formam um rectângulo, onde se supõe ter funcionado a primeira povoação. O acesso faz-se por três portas, uma delas exígua, e por isso designada como porta da traição. No terreiro restos de cisterna.
O panorama das muralhas do castelo é notável, aberto para o vale do Mondego, e o planalto de Fornos de Algodres, onde se divisam a bonita aldeia de Algodres (*), o castro de Santiago (*) e o Castro da Fraga da Pena (*).
Tábuas de pintura de Grão Vasco (*) em Linhares da Beira?
A Igreja Matriz, reconstruída no século XVII, mas de origem românica, guarda no seu interior três valiosas tábuas que muitos autores atribuem a Grão Vasco, que poderão ser de um políptico perdido e que representam: A Adoração dos Magos, Descimento da Cruz e Anunciação.
Numa praça de Linhares da beira, ergue-se outra preciosidade histórica, considerada exemplar único, falamos de uma rústica tribuna, ruína de um forum medieval com as armas da vila, com um banco em redor, onde eram tomadas decisões comunitárias e se realizavam os julgamentos: Mesmo ao lado defronte da antiga Casa da Câmara está o elegante pelourinho com esfera armilar de estilo manuelino.

A Igreja da Misericórdia, a albergaria e a lenda da Dama Pé de Cabra
Existiam duas paróquias na aldeia, a de Nossa Senhora da Assunção (anteriormente de Santa Maria) e a de Santa Isidoro, que também sofreu transformações e onde em 1576, foi instituída a Misericórdia, que teve ao lado o seu hospital na Albergaria.
Este templo conhece profundas obras de remodelação em 1622, conforme data epigrafada no portal. No alçado lateral pode observar-se um vestígio da construção primitiva: a porta em arco quebrado, com as impostas salientes e o tímpano decorado com motivos geométricos. No interior deste monumento poderão ser apreciadas duas obras de pintores da Escola Grão Vasco, representando a Fuga do Egipto e Adoração).
Em frente a albergaria, de origem românica funcionou como Hospital da Misericórdia, cujas gárgulas apresentam figuras zoomórficas que os habitantes ligam à lenda da Dama Pé de Cabra. Era nesse edifício, na janela baixa, junto à porta que funcionava a Roda. Mas a história deste monumento é anterior porque Linhares vai ter desde 1211 uma albergaria referida no testamento de Dom Sancho I, que ficou conhecida como albergaria do Mondego, que tinha como função socorrer os pobres e dar guarida aos peregrinos e viajantes que por aqui passavam. A velha albergaria a partir de 1576 passa a ficar sobre a administração da Misericórdia de Linhares da Beira. Na fachada podem observar-se um nicho com a imagem de S.to António e duas gárgulas relacionadas com a lenda da “Dama de pé de cabra”, uma representando o diabo e outra a cabra.
Para além do interesse histórico e estético, Linhares da Beira é a par da Serra de Alvaiázere (*), um dos melhores locais para a prática do parapente no nosso país.
Linhares da Beira é uma das mais belas de todo o país e merece todo o nosso carinho e destaque.





Caro Castela:
Muitos parabéns por este belo artigo sobre uma das minha aldeias preferidas!
Um abraço,
Olá Carlos:
Os meus parabéns por mais este artigo fabuloso, apesar de conhecer esta maravilhosa aldeia, não conhecia a sua história, fiquei muito contente.
Votos de uma boa continuação.
Um beijinho
Para Isabel Forte: Obrigado amiga pelas tuas palavras tudo de melhor para ti e para a tua princesa.
Para o António Cunha: Obrigado pelas amáveis palavras.
MUITO LEGAL, MESMO !!
ROGERIO SILVA DE OLIVEIRA
LINHARES/ES
Bela cidade, lindas historias….tenho curiosidade, até para entendera relação com meu nome de familia.Obrigada