Wednesday, May 23, 2012

Conjunto patrimonial e termas de Longroiva (Mêda) (*)-Águas milagrosas em território templário

“Conjunto

Na minha última visita a Longroiva, no concelho da Mêda, tive como cicerone o idoso Pároco Amante, de muito saber e paciência para tão interrogador visitante. O padre António faleceria dois anos depois. Para ele desde já desejo um benfazejo descanso.
As notáveis termas de Longroiva, Fonte Santa (Almeida) (*) e do Cró (Sabugal) (*) estão a ser recuperadas para dinamizarem o turismo na Beira Interior. Para saber mais sobre as termas de Longroiva ler aqui.
A povoação teve ocupação remota, como indicia a descoberta, a alguns quilómetros da localidade, de uma Estátua-Menir, onde está representada uma inscultura de um guerreiro da idade do Bronze. Por todo o aro de Longroiva abundam artefactos cerâmicos e vestígios de fundição de ferro e estanho. Do período romano também foram encontrados diversos objectos.
Longroiva Romana
O nosso guia levou-me à capela de origem templária da Senhora do Torrão para mirar o seu altarque tem uma ara romana que narra o seguinte. “Quinto Júlio Montagno Gémina Félix, cumpriu de boa vontade o seu voto a Bande Longróbico”. Quinto Júlio, segundo o cura, tornou-se cidadão romano após ter cumprido serviço militar em Lion e agradecia a uma divindade indígena. O leitor prevenido facilmente percebe a origem ao topónimo da localidade. Seria Longróbico um parente de Bormanico (deus indígena das fontes termais)?

Os banhos sempre estiveram ligados ao culto da senhora do Torrão, padroeira da freguesia e, nesse sentido, o povo diz que cada banho tomado no dia 8 de Setembro, dia dedicado à Santa, equivale a 8.       
Longroiva seria provavelmente um castellum romano, aproveitando um antigo castro pré-romano. Poderia esta fortificação defender os filões de sulfuretos existentes ou mesmo as notáveis nascentes minero-medicinais do local?
Longroiva Templária
Longroiva foi também pertença da Ordem dos Templários. Na fachada poente da torre de menagem encontra-se também uma inscrição que diz: “Na era de César de 1214 (ou seja no ano de 1176 da era de Cristo) Gualdim, chefe dos cavaleiros portugueses do templo, edificou esta torre com os seus soldados, reinando Afonso, rei de Portugal”. Ao visionar o pequeno castelo, com a torre de Menagem, evoco estes cavaleiros, de forte acervo esotérico, e vem-me  à memória a atroz sexta-feira 13 de Outubro de 1307 dinamizada pelo Rei de França, Filipe IV o Belo e pelo Papa Clemente V; o símbolo de Baphomet; o pentáculo- como símbolo de espiritualidade humana; as maldições concretizadas do Grão-mestre Jacques Molay; a demanda do Santo Graal; a origem da maçonaria; os descobrimentos Portugueses; a majestosa Charola no Convento de Cristo (*****) em Tomar…

longroiva termas castelo 300x170 Conjunto patrimonial e termas de Longroiva (Mêda) (*) Águas milagrosas em território templárioLongroiva tem também o mais antigo hurdício de Portugal, precisamente na torre de menagem. Tenho de confessar que quando observo um signo ou local relacionado com os cavaleiros do Templo, sinto que estou no limiar invisível de uma indecifrável transcendência.
Longroiva está ainda pessoalmente associado às minhas primeiras campanhas de campo em trabalho de geologia. As termas estão requalificadas, são já bem conhecidas, e é com algum orgulho que vi levantar o novo balneário.
As Termas de Longroiva o novo balneário e indicações terapêuticas
O furo de água mineral que datava de 1975, com 20 metros de profundidade não estava nas melhores condições, por isso foi feito um novo furo de 215 metros de profundidade perfeitamente galvanizado e betonado.
Em virtude deste furo existe hoje um caudal abundante (6,4 l/s ou seja 23040 l/h), de água sulfúrea e fluoretada que brota a 46 graus e são especialmente notáveis, pelo seu equilibrado quimismo e pela riqueza em flúor; sendo recomendadas para tratamentos do foro respiratório, dermatoses, musculo-esquléticos e degenerativas: entre as diversas maleitas que podem ser tratadas destacam-se a rino-sinusute, a psoríase, lombalgias, artites reumatóides e osteoartrose. No futuro, com as novas instalações, o número de aquistas poderá ser de 200-300 pessoas. A construção do balneário termal de Longroiva integrou-se harmoniosa na zona envolvente.

termas longroiva 300x225 Conjunto patrimonial e termas de Longroiva (Mêda) (*) Águas milagrosas em território templário
Conta-se também que a Rainha Santa Isabel se terá banhado nas águas sulfurosas de Longroiva, aquando da sua vinda de Aragão para casar, em Trancoso (***), com D. Dinis. Mas isto é apenas uma lenda.
Continuando a falar de águas nobres, visiono do outeiro uma brecha geológica que aloja uma das águas mais interessantes que até agora conheci. É uma autêntica liga metálica “líquida”, atentando aos seus teores elevadíssimos em chumbo, magnésio, ferro, molibdénio…; obviamente que a água mineraliza ao atravessar filões de sulfuretos. As águas são as mais ácidas de Portugal, perfeitamente intragáveis e perigosas para as incautas bestas. O povo chama esta curiosidade científica “as aguas purgativas”. Na idade média eram diluídas umas gotinhas num jarro de água para cura das enfermidades estomacais e anemias!? Depois de alguns desarranjos as águas foram seladas.
Também visionamos o Vale da Veiga, que não é mais do que a Falha da Vilariça, aqui também instalada, o didáctico grabben possibilitou a existência de uma várzea de grande fertilidade. Esta megafracura estabelece o contacto entre a Meseta Ibérica e as Montanhas Ocidentais Portuguesas. Quase todas as segundas feiras, ás 8h30 da manhã a “cumprimentei” no ano de 2005, na Ribeira de Massueime em Avelãs de Ambom (Guarda). O leitor também deve conhecer o vale do Zêzere do U na Serra da Estrela (***) em Manteigas, e que foi candidato a uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal, pois informo-o desde já que é aquela fractura.
No cabeço contíguo ao castelo, a alguma distância, vejo a silhueta da forca, suficientemente afastada para não infeccionar a povoação, mas visível a todos os olhares para  servir de aviso aos potenciais prevaricadores. Eu que sou um viajante quase banal questiono-me no número de desgraçados que ali pereceram e até os crimes que cometeram!
Longroiva possui ainda outro património edificado interessante: a Igreja Matriz (com a sua preciosa salva de cobre de Nuremberga doada pelo rei Dom Manuel I), a capela da Senhora do Torrão, as sepulturas antropomórficas, o solar dos Marqueses de Roriz, a fonte manuelina da Concelha ou a estrada romana vinda de Marialva (civitas Aravum) para Calábria e Astroga.
À primeira vista, Longroiva pouco revela, mas um olhar arguto e desenvolto entende que todo aquele conjunto é muito estimável. E agora o moderno balneário da aldeia termal de Longroiva, que para além da área destinada a tratamentos também dispõe de uma piscina termal e ginásios, merece todo o nosso carinho, pois poderá ser um projecto âncora para o concelho da Meda, no sentido da sua divulgação e promoção.

Artigos relacionados:

Comentários

2Comentários na “Conjunto patrimonial e termas de Longroiva (Mêda) (*)-Águas milagrosas em território templário”
  1. J.M.S.M diz:

    Amigo Ruben ainda bem que a pessoas como tu que reparam no nosso património, fico contente por te ver por estas bandas, mas sabes mais vale acordarmos tarde do que nunca. J.M.S.M

  2. Regis Motta diz:

    Desejo de longa data, fui conhecer Longroiva, onde nasceu meu querido avô há mais de 100 anos. Que aldeia encantadora! Adorei também Castelo Rodrigo, será preciso voltar a Portugal e conhecer mais de suas aldeias históricas! Saudações do Brasil!

Comentários

Queremos que a leitura dos nossos artigos seja um bom motivo para conhecer os Locais Notáveis de Portugal. As suas opiniões e sugestões são importantes!
Pode comentar com uma imagem à sua escolha- o gravatar!

Content Protected Using Blog Protector By: PcDrome.