Arribas de Santo André (*) (Parque Natural do Douro Internacional) (Figueira de Castelo Rodrigo)-Abutres e Berrões em terras inóspitas
Janeiro 13, 2011 por Castela
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A poucos quilómetros de Almofala existe a pequena capela de Santo André das Arribas construída em 1909 e que se situa a pouca distância das ruínas da ermida manuelina. Os dois templos assentam sobre um povoado proto-histórico romanizado.
Somos logo recebidos por dois berrões (Verracos), altaneiros, que limitam a porta da entrada do átrio da capela recente; depois de bem observar as suas intimidades cheguei à conclusão que são um casal simpático, mas não namoram porque não têm focinho. São duas esculturas em granito, que eram usualmente colocadas nos limites das povoações e erigidas como manifestação de culto aos animais. Estes totens distribuem-se por Trás-os-Montes e a sul do Douro apenas os encontramos aqui e na Aldeia Histórica de Castelo Mendo.
A porta está trancada, mas este moço viajante salta o muro desdenhoso (atenção não posso mostrar este post à mãezinha, porque saltei a cerca com dois metros).
O átrio e a capela são banais mas aprazíveis. Abro novo portão, caminho entre muros escalavrados, de socalcos uns, vestígios de construções castrejas, outros, e dirigi-mo (ainda sem o saber), para um penedo ergonómico, que é óptimo miradouro para garganta granítica selvática do rio Águeda, a lembrar o seu gémeo encaixado, o rio Côa em Cidadelhe (***). Na margem direita temos o território dos nossos amigos castelhanos.
O viajante gosta de se empinar nestes barrocos, mas aqui sente-se intimidado, pois uma sua queda serviria para bom repasto aos grifos. Único é o som das asas destes animais a voarem, por vezes abaixo de mim.
A quantidade de abutres avistada é impressionante, alguns deles quase que lhes toco e inquieto-me ao observar aquelas abantesmas, aquieto-me porque apenas comem carne putrefacta, o que por enquanto, não é o meu caso; questiono-me como é que existe tanta comida para tantos animalejos tão graúdos!
Painel informativo do esforçado Parque Natural do Douro Internacional sobre as Arribas de Santo André
“Em plenas arribas do rio Águeda, num local mítico onde se observam os vestígios pré-históricos da ocupação humana, contempla-se uma paisagem escarpada e selvagem, um enclave natural que alberga uma importante comunidade de aves rípicolas.
Destacam-se os abutres, localmente denominados por abutardos, com dezenas de casais distribuídos pelos afloramentos rochosos. Estas aves encontram-se protegidas por lei estando proibida a perturbação e a aproximação dos ninhos.
Outras espécies características deste vale são o Abutre do Egipto localmente conhecido por Britango, a Águia-real, e a Cegonha preta. Pode observar-se ocasionalmente o Abutre-negro.
As duas capelas são rodeadas de olivais são alvo de uma importante festividade, o Santo André das Arribas no mês de Agosto”.
Concluo com um elogio. Existe um encantador percurso pedestre de pequena rota certificado, com grande beleza paisagística; parte das margens da Albufeira de Santa Maria de Aguiar (*), passa na Torre de Almofala (*), por Santo André das Arribas (*) e pelo belo cruzeiro do Roquilho (que se situa na rota de Santiago de Compostela).
Nota minha: Do castro nada sei, haverá por ai uma alma caridosa que possa completar estas parcas informações?




