Wednesday, May 23, 2012

Centro Histórico da Guarda (**)

“Centro

“E é Penalva inteira, ó cidade escura, negra de Inverno e velhice”.
Estrela Polar de Vergílio Ferreira
Ao longo do tempo a cidade da Guarda tem sido menosprezada na sua beleza: não quero aqui escalpelizar com rigor a razão do erro, mas à desdita vou tentar convencer-vos do contrário; é o F de feia que deve ser substituído por F de formosa.
Sabemos que é cidade de uma beleza muito peculiar, porque para além da evidência da Sé da Guarda (**), esconde apontamentos de vária ordem que deleita quem gosta de arte e de história, mas que escapa aos olhares desatentos.
Um pouco de história da Cidade da Guarda
Da fundação da cidade sabe-se muito pouco. Certo é que a área do bairro de Castelos Velhos terá sido ocupada na Idade do Ferro, na época romana e no período visigótico. Os Castelos Velhos parecem articular-se com os importantes vestígios romanos da Póvoa do Mileu (*).
Na zona do centro histórico, anterior ao foral atribuído por D. Sancho I à Guarda, já deveria existir um povoado. A localidade poderá ter sido fundada por um Dominus Milelmius, pai de um D. Estêvão que, em 1181, dotou a igreja do mosteiro de Caridad, perto de Ciudad Rodrigo.
É a partir do foral atribuído em 1199 que a Guarda passa a ser povoação de alguma importância, sendo pólo importante de toda a região. Deve esse privilégio real a Dom Sancho I (como lhe assenta bem o cognome de Povoador) que para aí transfere a diocese egitanense (que corresponde à actual aldeia histórica de Idanha à Velha (**).
Datam do século XIII o início da construção da cerca defensiva e do castelo da Guarda. O desenho da muralha, irregular, com planta oblonga, conformou-se a topografia acidentada, funcionando até ao século XIX como limite norte, oeste e, parcialmente, sul da cidade. Os eixos medievais, à maneira de cardus e decumanos de geomância romana (embora não tenha sido encontrado até à data qualquer vestígio romano no centro histórico), eram estruturantes e foram constituídos pela Rua Direita (actuais ruas Francisco de Passos e Rua Dom Miguel de Aragão), ligando as portas extremas, Porta Covilhã ou Porta Nova à Porta dos Curros (hoje inexistentes), e pela sua perpendicular, unindo à Porta d`El Rei, à Porta de São Vicente.

guarda 300x195 Centro Histórico da Guarda (**)A grande centralidade da cidade medieval situava-se em redor da Sé Catedral (**) (começada na última década do século XIV e finda quase dois séculos depois) com a magnífica Praça Velha ou Praça de Camões (*); de São Vicente (incluindo a judiaria a mais bem preservada de Portugal- apesar da sua ruína evidente, concentrada na rua do Amparo; e Santa Maria da Vitória-igreja hoje desaparecida. Estes três núcleos tinham cada um o seu respectivo templo. Durante o século XIX (por razões várias que não vale a pena agora dissecar) foram demolidas as duas portas, parte do castelo e cerca de 40% da cerca medieval.
7 motivos para gostar do Centro Histórico da Guarda:
Tem um dos melhores e mais bem preservados centros medievais portugueses, parcialmente muralhado, com três entradas preservadas (com destaque para a Torre e tripla porta dos Ferreiros). Tem ainda um rol de edifícios civis com apontamentos renascentistas e maneiristas com destaque para a janela manuelina-renascentista, na Rua Francisco Passos.
Detêm uma magnífica Judiaria velha; ao todo são 89 os imóveis com marcas mágico religiosas nos umbrais das vetustas habitações dos séculos XIV, XV, XVI e XVII.

Tem uma grandiosa catedral (**) que incorpora elementos góticos, manuelinos, renascentistas e maneiristas.
A sobriedade do granito interligou-se bem com a parcimónia castrante do Concílio de Trento, tendo como exemplo máximo o antigo paço episcopal e seminário (hoje Museu Regional da Guarda) ou ainda o belo Paço dos Alarcões.
Tem alguns edifícios barrocos com qualidade, com destaque para a Igreja da Misericórdia, a Igreja de São Vicente e para o espectacular chafariz de Santo André (*).
Associa o seu nome ao extraordinário homem que foi o Dr. Sousa Martins, que incentivou a construção do sanatório e o seu parque frondoso que tem o seu nome.
E ainda recentemente, em 2005, viu inaugurar o excelente Teatro Municipal da Guarda pelo arquitecto egitanense Carlos Veloso.
A Guarda é urbe de singular beleza, com uma miríade de pormenores estéticos, talhados em duro granito pardo, que ensombram o mistério das suas ruelas – sombra e humidade; e com as suas vistas desafogadas por se situar em esporão terminal da Serra da Estrela – claridade e sol. Regeneremos a Guarda nos nossos corações- passeemos.

Artigos relacionados:

Comentários

Queremos que a leitura dos nossos artigos seja um bom motivo para conhecer os Locais Notáveis de Portugal. As suas opiniões e sugestões são importantes!
Pode comentar com uma imagem à sua escolha- o gravatar!

Content Protected Using Blog Protector By: PcDrome.