Estação Arqueológica da Póvoa do Mileu (Guarda) (*)-um enigma na cidade da Guarda
Janeiro 20, 2011 por Castela
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Muitos egitanenses, que passam apressados, não reparam, e provavelmente alguns nunca visitaram a Estação Arqueológica da Póvoa do Mileu constituído por um espaço romano e por uma singela igreja românica. Do primeiro não se sabe concretamente a sua funcionalidade e a segunda, apesar de pequena e de não ter a majestade de outros monumentos deste estilo no nosso País, sobretudo se pensarmos nas formas que encontramos a Norte do rio Douro, não deixa de ser o melhor exemplar de toda a Beira Interior a par da Igreja de Santiago de Belmonte (**).
A Estação Arqueológica da Póvoa do Mileu
A estação arqueológica foi descoberta em 1951, na sequência da abertura da estrada que segue para a Guarda Gare, tendo então sido identificado o que parecia ser uma villa romana com um conjunto termal. O início da ocupação permanece incógnito, tendo-se no entanto encontrado uma bracelete- uma viria em bronze (da Idade do Bronze ou do Ferro), e que inesperadamente servia de argola na porta.
A Estação Arqueológica da Póvoa do Mileu e o Bairro dos Castelos Velhos
O morro adjacente tem a toponímia de Castelos Velhos e terá sido ocupado na Idade do Ferro e na época romana. De que modo é que a estação arqueológica do Mileu, poderá estar relacionada com a colina adjacente?
Recentemente foi descoberta nos Castelos velhos uma moeda visigótica de Égica (Rei dos Visigodos no século VII), o que poderá supor uma continuada ocupação pelo menos até finais do século VIII. O espaço tem sido ocupado por um complexo habitacional que poderá fazer desaparecer alguns vestígios arqueológicos. O grande achado no bairro dos Castelos Velhos foi divulgado neste ano de 2009.
Altar Votivo dedicado ao Deus Banda Brialeacus na Estação Arqueológica da Póvoa do Mileu
Foi descoberto um Altar Votivo, do I d.C., dedicado aos Deuses Banda Brialeacus. Apenas existe um outro local dedicado a este Deus. Fica no Castro de Orjais (na capela da Nossa Senhora da Cabeça) (*) no concelho da Covilhã. A descoberta desta peça na Guarda ganha ainda mais relevância tendo em conta que ainda não se conhece, a nível internacional, outra descoberta com a especificidade Brialeacus. Nos Castelos Velhos existiu assim uma população indígena romanizada. A peça epigrafada encontra-se no Museu Municipal da Guarda.
A estação arqueológica, que continua ainda a ser alvo de prospecção, é constituída por objectos e restos de edifícios romanos.
Da área escavada a Sul da capela destaca-se: um salão tripartido com abside voltada a Norte, comunicando com várias estruturas, a existência de um hipocausto e restos de salas, pátios, corredores. Entre o espólio resgatado, contam-se restos de colunas e de silhares aparelhados, moedas do século II a IV, uma inscrição de dedicada aos deuses manes e séries cerâmicas de sigillata e comuns, lucernas e frisos em mármore. Sob a capela, encontraram-se dois fragmentos de estátuas em mármore, entre elas um torso imperial. Parte do material encontra-se depositado no Museu Municipal da Guarda. O que seria tudo isto? Uma simples villa, um pequeno povoamento, um espaço religioso ou tudo isto espaçado no tempo?
As termas, segundo Jorge Alarcão, poderão ser públicas, e não privadas, como se pode observar pela espessura dos muors e pela estátua loricata aí achada e atribuível à época de Trajano.
A Capela Românica de Nossa Senhora da Póvoa do Mileu
O templo românico foi construído na Baixa Idade Média, provavelmente após a transferência da cabeça diocesana da Egitânia (actual Idanha-a-Velha) (**), para a Guarda, por mando de D. Sancho I.
É uma obra singela de arquitectura românica típica, atarracada e densa na sua massa inercial, de pequenas proporções e características arcaizantes. Compõe-se de dois corpos justapostos: nave reduzida e capela-mor quadrangular, mais baixa e estreita. A fachada principal é muito simples, sem qualquer imaginária, no entanto a rosácea embeleza-a, com feição ligeiramente mudéjar. As faces laterais são também rudimentares.
Mas o que mais fascina é o conjunto iconográfico dos modilhões nas fachadas laterais: com figuração geométrica (meias esferas, Cruz de Santo André, cartelas, pirâmides, palmetas, rosetas…), vegetalista e zoomórfica (pássaros, cabeça de lobos? e estranhas cabeças humanas). No interior os capitéis do arco triunfal são decorados: o do lado Norte com uma cabeça humana feminina, da qual se aproxima um animal feroz e, diversos elementos vegetalistas; o do lado Sul, com duas aves afrontadas, em torno de uma estilizada Árvore da Vida e outras tantas pequenas cabeças demoníacas nos ângulos. Daqui se conclui que o programa escultórico revela interesse, que devia ser melhor divulgado. Apesar do templo ser do estilo românico, tem ainda componentes que atestam a sua transição para o gótico, tais como o arco triunfal da capela-mor.
A plasticidade arcaica esculpida no granito desta e doutras igrejas românicas, principalmente, quando a imperfeição e a dúvida persistem, são tónicos dirigidos à nossa imaginação, mas também ao intelecto e à generalidade dos sentidos; por isso gostamos tanto deste estilo!
A devoção e romaria à nossa Senhora do Mileu, provavelmente já existiria nos fins do século XIII e é, por enquanto impossível, dizer qual a origem da actual capela e da invocação da referida Senhora; a capelinha poderá ter sido ermida de passagem (para Santiago de Compostela). Aqui está um link para uma das lendas da capela.
O conjunto inclui ainda o amplo terreiro, (que deve segredos nos reservará o seu subsolo?) e uma vernácula habitação. Peço aos egitanenses que descubram e valorizem este espaço. Recomendo a continuação do seu estudo, a retirada urgente das execráveis bombas de gasolina, a construção de um pequeno jardim, com evocação de todo este conjunto notável e ignorado, se possível ligando-o à urbanização do morro do Castelo Velho.





Acho que esta capela antes era mais bonita se tivesse construída porque é um grande desperdício a capela estar ali sem ser utilizada mas por mim podiam a reconstruir outra vez a capela.
Acho que a capela é linda mas devia ser reconstruída e começar a ser um cemitério
E um conjunto que também só conheço de passagem, mas espero apreciar com mais vagar brevemente!
Bem-haja pela apresentação.
um abraço dalgodrense.