Wednesday, May 23, 2012

Casa de Sub-Ripas/Paço de Sub-Ripas/Paço de Sobre-Ribas (Coimbra) (*)-O mais belo monumento manuelino civil desta cidade

“Casa

O Paço de Sobre Ripas em Coimbra é um dos mais notáveis edifícios civis do século XVI em Portugal. Já são poucas as moradas manuelinas que se mantêm em Coimbra, mas esta é deveras notável. O Paço Sub-Ripas foi construído sobre o adarve da muralha e englobou uma das torres. Está próximo da Torre do Anto e do Colégio de Santo Agostinho, que tem um magnífico claustro maneirista (*). 
É constituído por dois corpos distintos: a Casa de Cima, ou a Casa do Arco para nascente da rua e a casa de Baixo ou casa da Torre.
A casa de baixo é mais antiga e no estilo manuelino, e foi edificada em 1514 por João Vaz e só estendida ao lado oposto, com ligação por arco passadiço em 1542-47, em estilo renascentista.
A fachada principal da casa de baixo é embelezada por um portal de pequenas dimensões mas envolvido por grande e elegante decoração naturalista traçada com verdadeira originalidade (torcidos, calabre com grossos nós, corrente com anéis decrescentes). Esteticamente integra-se no manuelino naturalista de Marcos Pires, cujo expoente máximo é o portal manuelino (*) da Capela de São Miguel (***) da Universidade de Coimbra.

paço sub ripas 199x300 Casa de Sub Ripas/Paço de Sub Ripas/Paço de Sobre Ribas (Coimbra) (*) O mais belo monumento manuelino civil desta cidadePara além da bela porta manuelina ou outras janelas da mesma tipologia; espalham-se pelas paredes dos edifícios várias dezenas de baixos-relevos renascentistas com bustos de guerreiros, fidalgos, damas, figuras míticas e bíblicas, procedentes da oficina do escultor João de Ruão que ficava na rua do Colégio Novo, também nesta casa destaco o pátio à italiana.
A casa de baixo pertence hoje ao Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e a Casa de cima é propriedade privada.
“A construção deste palácio, se por um lado lhe dá, pela sua solidez e rudeza, um aspecto quase guerreiro, como dependência da muralha e torre a que aderiu, por outro lado assume as graças e ornatos duma residência da Renascença. A sua porta manuelina, tão rica e original de motivos coroados por graciosa moldura dentro da qual sobressai uma cruz corroída de troncos, algumas das suas rendadas janelas, o tom lentamente escurecido dos muros, o efeito cénico do arco, até a estreiteza da rua e a meia-luz que a banha, dão a esse lugar um cunho próprio onde se enquadra ainda com harmonia, a Torre do Anto e o antigo edifício do Colégio Novo. O conjunto desta edificações, independente das épocas de que datam, o velho arco que dá passagem  a raros transeuntes, a claridade atenuada dos dias e a obscuridade e solidão das noites, tudo ali é arcaico, como que sem idade, dir-se-ia até medieval, porque tal palavra é que melhor se ajusta ao quadro, a que por outra banda oferecem deleitosa e lírica moldura os panoramas que deste alto se abrem sobre o Mondego, Santa Clara, o Choupal, os campos ribeirinhos de longa extensão e incansável beleza, especialmente quando, os pontes multicolores ou os luares de madrepérola os iluminam”.1
Algum leitor mais sabedor saberá dizer-me porque se chama o Paço ub-Ripas ou Sobre-Ripas?
1-Alberto Oliveira- Guia de Portugal Beira I-Beira Litoral-Fundação Calouste Gulbenkian; 1940.

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