Ruínas Romanas da Bobadela (**) (Oliveira do Hospital)- A obscuridade da esplêndida cidade romana
Fevereiro 4, 2011 por Castela
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Para além de Conimbriga (***), o distrito de Coimbra tem mais duas relíquias romanas: a villa Romana do Rabaçal (*) no cocelho de Penela e esta “Splendissimae Civitati” que se localiza na actual aldeia da Bobadela nas cercanias de Oliveira do Hospital.
A fundação da Civitas da Bobadela, remonta provavelmente ao período de César Augusto, mas as dúvidas ainda são mais que certezas. O nome desta tão importante cidade romana da Bobabela é desconhecido pela simples razão de não ter sido descoberta qualquer lápide que esclareça tal dúvida.
Na igreja matriz da Bobadela, encontra-se uma lápide na qual se lê Nepunale, testemunho epigráfico do culto de Neptuno, que pertenceu a um templo edificado, ao Deus do mar.
Requalificação recente tem feito a importante cidade romana renascer das cinzas, com a renovação do Fórum e do anfiteatro. Por toda a aldeia se encontra espólio romano variado, como bases de colunas. Foi ainda descoberta uma cabeça monumental em mármore, talvez vindo da região de Estremoz, de um Imperador.
Fórum das Ruínas Romanas da Bobadela
O Fórum era uma grande praça rodeada de pórticos e edifícios que frequentemente se encontrava próxima do lugar de confluência das duas vias principais de uma civitas romana, designada de cardus e decumanus.
O fórum da Bobadela, sendo um fórum da época imperial, é todo um grande complexo monumental, isolado por um muro do resto da cidade; é um fórum-bloco.
O arco romano da Bobadela é a parte mais conservada do muro do fórum e é espectacular, com os seus blocos graníticos de silhares almofadados, no interior e no exterior, assentes sem argamassa e rematado nos seus cerca de 4 metros por uma cimalha magnificamente aparelhada. As pedras ostentam marcas de fórfex.
No fórum, mesmo em frente a igreja paroquial encontra-se ainda caixas murarias, colunas, troços de calçada e este elegante pelourinho, não romano, mas manuelino espiralado. Todas estas colunas erguidas ao alto têm uma cenografia quase religiosa. Mas é o arco monumental que atrai logo o nosso olhar.
Mas a Bobadela não é só vestígios romanos, vale a pena vagabundear na povoação para ver isso e reparar também nas moradias de prestígio do chamado centro histórico, como esse solar do Largo da Matriz.
Anfiteatro romano da Bobadela
Durante quase dois mil anos, o anfiteatro romano da Bobadela esteve soterrado. Apenas em 1980 foi descoberto e recentemente remodelado de forma alguma controversa (nós pelo menos gostamos).
Todo o conjunto deve ter sido construído no último quartel do século I d.C., terá sido destruído por um incêndio no século IV, tendo em conta as cinzas descobertas no solo da arena.
A arena elíptica de 40X50m, delimitada por um muro de 3 metros de altura. As bancadas deveriam ser em madeira.
O Anfiteatro da Bobadela, não foi palco de lutas de feras, porque não dispunha de galerias subterrâneas para alojamento de animais; talvez nele se realizassem lutas de gladiadores. Dou por nós a pensar em como seria interessante colocar um bom rol de selvagens de colarinho branco que quase arruinaram este país na cena da arena vestidos como o Maximus em múltipla digladiação! Como talvez isto seja muito feroz, seria talvez melhor colocar os Tiriricas dos políticos de Portugal a fazerem truanices para agrado popular. Sim, porque este conjunto único em Portugal provavelmente apenas serviu para jogos diversos, canto, danças, recitais, e, possivelmente, concertos com os instrumentos musicais da época (a flauta seria tocada por Sócrates, a cítara seria para o Passos e a lira para o esquivo Cavaco) e cerimónias de natureza religiosa consagrada aos imperadores.
As ruínas romanas da Bobadela, são uma importante preciosidade romana única no país – e é inquestionavelmente um dos principais trunfos turísticos de Oliveira do Hospital. Espera-se a abertura para breve do Centro de Interpretação das ruínas da antiga cidade romana da Bobadela para mostrar os achados desta imponente cidade, como por exemplo um vaso litúrgico visigótico que comprova a continuidade da urbe na Alta Idade Média. Boa viagem!





Sou apaixonada pela História Romana, tanto que digo às vezes que sinto que certamente numa outra “encarnação” devia ter sido uma “matrona romana”…
Quando vivi em Roma sentia-me mais em “casa” do que em Lisboa de onde sou natural…
Terá sido por isso que o meu marido é romano- abbruzzeze? ( Mas não mafioso!)
A presença romana em Portugal,devia ser preservada e ao recuperá-le devia ter-se em conta a realidade que se deixa antever. Procurar sempre o modo de não alterar a história que as pedras nos contam…