Claustro do Mosteiro de Celas (Coimbra) (**) (2ªparte)
Setembro 7, 2011 por Castela
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Claustro do Mosteiro de Celas (Coimbra)
A fachada do Mosteiro de Celas é trespassada por um portal nobre quinhentista. No lado direito abre-se um portal manuelino. O piso superior é marcado por galeria seiscentista coberta e rasgada por nove vãos gradeados.
No pátio à direita ficava a casa da abadessa (hoje é uma antiga escola primária), a cozinha e o refeitório; à esquerda, podemos ver as ruínas das antigas hospedarias, do cartório conventual do século XVII e, ao fundo, uma porta, todo este conjunto do lado esquerdo foi alvo recentemente da construção de um edifício privado o que gerou muita controvérsia, com a destruição inclusive de um portal. Pode ver aqui a reportagem na SIC.
Antecedida por um pequeno átrio, a igreja de planta circular, foi acabada em 1529. Aliás todo o mosteiro foi alvo de profundas remodelações no século XVI e XVII, com destaque para o abadessado de D. Leonor de Vasconcelos.
A capela-mor fica à direita da entrada, em linha oposta ao coro. Cobre a igreja uma bela abóbada manuelina estrelada, com nervuras calcárias ornamentadas por chaves de florões, ostentado a do fecho o escudo português segurado por duas águias. É de salientar o lambrim de azulejos, da segunda metade do século XVIII e de fabrico coimbrão, versando cenas da Anunciação e da Visitação. Ladeiam o arco cruzeiro dois altares, o da Piedade e o de Cristo e ainda na sacristia encontra-se um retábulo em pedra, com baixo-relevo de S. Martinho e com o martírio de São João Baptista, provavelmente da autoria de João de Ruão.
O arco do coro, setecentista, apresenta uma pequena abóbada manuelina com as armas dos Vasconcelos. Preenche o arco um interessante gradeamento em ferro forjado, saído da oficina de Coimbra do século XVIII. O coro, simples e espaçoso, ostenta um cadeiral sem ornamentação, de duas filas com alto espaldar, obra de finais do século XVI.
No coro encontramos uma pequena e belíssima pintura quinhentista da Anunciação.
A porta do coro para a antecâmara da sala do cabido (inicialmente foi feito para ser um arco tumular para a abadessa D. Leonor de Vasconcelos, responsável pela remodelação quinhentista do Mosteiro de Celas) deve-se a Nicolau Chanterene e ostenta a data de 1526, mostrando as armas da abadessa D. Leonor de Vasconcelos e da Infanta Dona Sancha.
A sala do capítulo apresenta cobertura de pedra em abóbada de caixotões, revestindo as paredes azulejos seiscentistas sobre os pétreos bancos corridos. No arco do topo assenta em mísula a escultura de Cristo Ressuscitado, abrindo-se dos lados nichos albergando S. Bento e S. Bernardo.
O notável claustro do Mosteiro de Celas (**)
Sem dúvida que o maior motivo de interesse artístico deste mosteiro reside no claustro do Mosteiro de Celas.
A galeria norte e nascente, do século XVI do claustro do Mosteiro de Celas desenvolve-se em três grupos de dois arcos, apoiados em colunas dóricas. As alas sul e poente pertencem ao século XII ou XIV e são formadas por 12 arcos plenos, assentes em esbeltas colunas geminadas, com extraordinários capitéis historiados
Os capitéis do claustro do Mosteiro de Celas dividem-se em 4 grupos, quanto a iconografia. O primeiro é alusivo a temas cistológicos (Anunciação e Visitação; Flagelação e Crucificação; Aparição a Madalena e Cristo no Limbo; Cristo a Caminho do Calvário. Descimento da Cruz; o segundo a temas hagiográficos (ex. a degolação de São João Baptista); outro com outros motivos (Santiago a Cavalo combatendo um mouro, dragões, figuras humanas); e um outro tema ainda com decoração vegetalista.
Não se conhece a origem dos capitéis românico-góticos, nem sequer se eles foram inicialmente construídos para aqui se para outro local na cidade Coimbra. Apenas sabemos que estes ou o conjunto de coluna dórica foram aqui colocados em 1533.
O magnífico claustro do Mosteiro de Celas, era bem mais pequeno e que foi alvo de profundo arranjo no século XVI, aumentando em muito a sua dimensão.
Depois de vermos este excelente sítio, pode dar-nos a fome e como em quase todos os conventos femininos, também este teve a sua doçaria, neste caso muito originais: o manjar branco (ler aqui) ou talvez também não seja incorrecto chamar-lhe de maminha de freira? Infelizmente não encontramos tão doce manjar nem no convento nem nas suas cercanias…enfim, fiquemo-nos por um café com um desacertado pires com amendoins.




