Sacristia da Igreja de Santo António dos Olivais (Coimbra) (*) – (2ªparte)
Setembro 5, 2011 por Castela
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Sacristia da Igreja de Santo António dos Olivais (Coimbra)
Quem visita a igreja de Santo António dos Olivais, normalmente fica um pouco decepcionado porque esperaria ver mais beleza, mas esta nem sempre se exibe e é necessário procura-la, mas como estamos aqui para o ajudar -amigo visitante, pedimos-lhes que não parta já e tente visitar a notável sacristia da igreja de Santo António dos Olivais, porque é uma verdadeira jóia arquitectónica, pela sua estrutura e sobretudo pela sua decoração.
A sacristia faz lembrar uma pequena igreja com capela-mor. Foi construída na primeira metade do século XVIII e decorada na segunda metade do mesmo século. O corpo da sacristia é rectangular abobadado com capela-mor.
O arco triunfal da sacristia tem belas ombreiras com tratamento barroco fino que culminam num frontão triangular simples; sobre o arco da sacristia podemos ver ainda um retrato de santo António a óleo, cujo autor desconhecido diz ser o verdadeiro retrato do canonizado. Realidade ou imaginação pedante? Não sabemos, porque presunção e água benta, cada qual toma a que quer.
Ao fundo da sacristia, sobre o altar, um quadro a óleo de Pascoale Parente, pintado em 1796, representando Santo António a abdicar dos monges crúzios e a tomar hábito franciscano.
Obra de arte relevante não é o alijar de azulejos barrocos, azuis cobalto, fabricados pelo mesmo artista que fez os das paredes da igreja. São espampanantes, barrocos, mas de pouco nível, com uma execução pobre e com o nosso santo igual as restante figuras e todos de olhar vesgo; para honra e salvação do artista, diremos que não faríamos melhor, bem mas nós até para desenhar uma recta é o cabo dos trabalhos.
O teto abobadado possui uma bela composição pictórica, a fresco, com enrolamentos de acantos, tendo ao meio um brasão de um bispo. Grandes janelas bem posicionadas na sacristia fornecem abundante luz (eis aqui um ponto em que me concentro sempre que chego a um templo e a conselho o incauto turista a fazer o mesmo).
No lado esquerdo da sacristia foi construído longo da parede um magnífico móvel do século XVIII, em madeira brasileira com embutidos de marfim no tampo.
Sobre o arcaz há uma série de telas com temas alusivos à vida de Santo António, obra de um pintor razoável, com as pinturas envoltas com uma bela moldura de talha dourada barroca. Do lado direito temos: o episódio da tentativa de envenenamento; São Francisco autorizando Santo António a ensinar teologia aos frades e santo António na sua primeira pregação em Forli. Do lado esquerdo as molduras representam: o milagre da bilocação; o milagre do pé cortado e a morte de Santo António.
Antes de deixar aconselho-o ainda a visitar o presépio, um pouquinho a moda de Machado de Castro e os vestígios da cripta.
Pronto, partamos então deitando ainda uma vista de olhos para o cemitério, onde estão amigos defuntos.
Ao descer o escadório vamos pensando que a morte está muitas das vezes associada as obras de arte e provavelmente é um assunto tão importante que um pedaço daquilo que construímos assenta neste abismo do “Nada”, mas fujamos ao assunto porque o que pretendemos é folgar.
Mas a morte não nos larga e está sempre a nossa frente. É o caso deste belo Cruzeiro dos Olivais, situado no adro ao fundo do escadório. Aqui a figura de Cristo é serena e realista e pregado na cruz espera a morte. A imagem é de anatomia tão perfeita que um amigo que me acompanha diz que talvez seja demasiado irrepreensível, não sei, venha aqui o viajante e decida por si.
Esta belíssima representação de Cristo foi construída em 1536 pelo escultor normando João de Ruão. Porém, o estatuário não se ficou apenas pela imagem, mas executou igualmente um templete que albergava o grupo escultórico. Reparai nos pilares que estão lavrados com elementos decorativos da renascença.
No século XVIII o templete foi fechado e as paredes interiores foram revestidas com azulejos figurativos azuis e brancos com cenas da Paixão. Representam a Prisão e o Caminho para o Monte Calvário, a Oração de Cristo no Horto e a Flagelação. Na parede fundeira por trás da Cruz foi colocado um sol irradiante. Como os azulejos historiados são da mesma época que os da nave da igreja, devem pertencer ao mesmo artista banal; pobre homem que já enterrado não mereceria aparecer assim na internet tão mal tratado!
Partamos então, agora e desçamos a rua de Bernardo de Albuquerque até ao Mosteiro de Celas que tem um claustro com capitéis historiados de muito boa qualidade (**). Paremos ainda na antiga Junta de Freguesia dos Olivais, para ver o Centro de Estudos de Santo António com uma boa parte do espólio a ser cedido pelo senhor Alfredo Bastos, que também forneceria o seu acervo para o recordatório da Rainha Santa Isabel (ler aqui).
Outras Informações:
Classificação: A igreja de Santo António dos Olivais está classificada como Imóvel de Interesse Público
Entrada gratuita
Telefone: 239 711 992 / 239 713 938
E-mail: santoantonioolivais@gmail.com
Endereço: Largo Padre Estrela Ferraz – 3000-083 Coimbra
Notas: http://santoantonio.com.sapo.pt
Informação GPS
Latitude: 40.21797
Longitude: -8.40434





