Café de Santa Cruz (Coimbra) (*)-É o mais belo café de Portugal?
Fevereiro 6, 2012 por Castela
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Café de Santa Cruz
O Café de Santa Cruz que corresponde à antiga igreja paroquial de Santa Cruz, conhecida como igreja de São João das Donas ou como igreja de São João de Santa Cruz, foi desafectado ao culto anos e foi transformado num espaço cosmopolita e singular.
A igreja de São João das Donas foi de fundação quase contemporânea ao mosteiro dos crúzios, como recolhimento de monjas de São João das Donas reclusas de Santa Cruz. Depois da sua extinção, no seu espaço foi erigida a Igreja em 1530 por Diogo Castilho, pela necessidade de descongestionar o culto na Igreja do Mosteiro de Santa Cruz e não perturbar o silêncio dos monges e que a utilizaram para seu uso exclusivo.
Com a extinção das ordens religiosas em 1834, a igreja do velho mosteiro assume de novo a função de igreja paroquial. A igreja de S. João Baptista de Santa Cruz ficará ao cuidado do Estado.
Após a sua dessacralização foi servindo outras funções: armazém de ferragens, esquadra de polícia, armazém de canalizações, casa funerária, estação de bombeiros…
Após muita e demorada controvérsia acerca da instalação de um café restaurante em “estilo manuelino, a igreja foi adaptada para o café de Santa Cruz. A inauguração do luxuoso Café-Restaurante de Santa Cruz ocorre a 8 de Maio de 1923. Esta data foi escolhida porque o Café se localiza na Praça 8 de Maio (denominado Largo de Sansão até ao ano de 1874) que pretende homenagear a entrada do exército liberal na cidade, comandado pelo Duque da Terceira, no ano de 1834.
O pavimento do Café de Santa Cruz está hoje muito alteado; o inicial situava-se ao mesmo nível da igreja vizinha.
A construção é magnificamente abobadada dividida agora em três tramos (enquanto igreja apenas dois). O arco cruzeiro marca a divisória para aquilo que teria sido outrora a capela-mor, também ela abobadada em forma estrelada. A iconografia utilizada, e ainda hoje visível, é variada, flor de lótus, o cordeiro, o sol, a lua, folhas de acanto, entre outras tipicamente cristãs.
A fachada primitiva seria muito singela apenas com um portal com três pequenas aberturas na parte superior. Aquando da referida reforma de 1923, esta é bastante alterada e após acesa polémica fica com o aspecto actual adoptando um tom revivalista renascença, abrilhantado por um conjunto de vitrais de muito bom gosto. O interior agora revestido por espaldares de madeira, é também dos inícios do século XX.
É visível ainda uma porta com arco ornamentado que dava ligação à “Capela dos Mártires” já situada na igreja do Mosteiro de Santa Cruz.
A frontaria é do início do século 20, ecléctica e revivalista, com um toque de Arte Nova.
O extraordinário Cristo Negro (***) do século XIII, que se encontra no Museu Machado de Castro (***) e que em breve abrirá ao público, é proveniente deste espaço.
A luz filtrada por vitrais colocados à entrada, e a ornamentação sóbria e nobre, conferem um ambiente propício à meditação e descompressão urbana.
O Café de Santa Cruz é utilizado em tertúlias e em muitas outras iniciativas culturais: lançamento de livros, espectáculos variados – passagem de modelos, concertos musicais, ballet, teatro etc.
O Café de Santa Cruz é um dos locais de paragem preferidos pelos turistas depois das suas deambulações pela histórica Lusa Atenas e sentem em toda a sua essência o provérbio “quem não viu Coimbra, não viu coisa linda”; mas não apenas aqueles pois são muitos os conimbricenses, entre os quais eu me incluo que aqui vêm sentir-se bem.




