Anta capela de Pavia ou Capela de São Dinis (Mora) (*)

Anta capela de Pavia ou Capela de São Dinis (Mora) (*)

Anta de Pavia

A Anta de Pavia situada no largo central da vila foi transformada em Capela de São Dinis e situa-se no concelho de Mora. É uma das 4 antas capelas notáveis de Portugal.
Aconselho-o a ler sobre as restantes antas capela notáveis já publicadas no Portugal Notável:
Anta Capela do Senhor do Monte (Penedono) (**)
Anta capela das Alcobertas (Rio Maior) (**)
Anta-capela de São Brissos ou da Senhora do Livramento (Montemor-o-Novo) (*)

Não sei de onde surgiu a expressão popular “Roma e Pavia não se fizeram num dia” e é usada para justificar algo que tem feito com serenidade, constância e tempo, para que seja o melhor possível. Roma sabemos todos onde fica, Pavia, não sei se é a esta localidade a que se refere o ditado, e se é, qual a relação entre uma das cidades mais famosas do mundo e uma pequena vila esconsa, mas simpática no concelho de Mora?

Seja como for esta Anta de Pavia não se fez num dia e é invulgar sendo também por isso classificada como Monumento Nacional em 1910.

A anta de Pavia terá sido erguida nos séculos IV/III antes de Cristo em sítio da planície alentejana enquadrada no “megalitismo eborense”.
A anta é constituída apenas por uma Câmara com grandes dimensões (3 m de diâmetro, 3,3 m de altura), constituída por sete esteios, com laje de cobertura, servindo de pequena capela. Antecede a entrada da capela uma escadaria de três degraus, flanqueada por dois esteios do corredor. Uma cruz eleva-se sobre um frontão ladeado a norte por um pequeno campanário. A Anta de Pavia é um monumento funerário neolítico em granito. Os intervalos entre os esteios bem como parte da cobertura foram preenchidos por alvenaria e argamassa mais recentemente. Virgílio Correia encontrou no segundo quartel do século XX em escavações efetuadas na Anta de Pavia fragmentos de cerâmica, placas de xisto (duas das quais inteiras), e objetos de pedra polida e que a anta estava dividida em vários compartimentos funerários.
Não se sabe ao certo quando foi transformado em capela, sabendo-se apenas que terá sido antes de 1625, data em que já aparece referida com a designação.

Anta de Pavia

No interior tem um curioso altar com um frontal revestido de azulejos barrocos de cores azul e branco de boa qualidade com a representação de dois querubins que ladeiam uma cartela com três ovelhas doentes e um ancião, o que nos pode remeter para São Malaquias, datado de 1730 apesar da capela  ser popularmente conhecida como de são Dionísio ou São Dinis.

Então a capela será dedicada a Malaquias ou a Dinis, e neste caso a qual deles?

Fazendo uma aparte, refiro que São Malaquias tem uma famosa profecia, segundo a qual o Papa Francisco seria o penúltimo papa (ver aqui). O texto da profecia aparece pela primeira vez em 1595 num volume publicado pelo beneditino veneziano Arnold de Wyon, onde são recolhidas 111 divisas em latim, correspondentes a cada um dos papas desde Celestino II (1143-1144), e que, segundo Wyon, seriam obra de São Malaquias, do século XII. No documento, cuja autenticidade e paternidade são postas em causa pelos especialistas, ao actual papa é consagrada a 111.ª divisa: “a glória da oliveira”. Depois, segundo a última divisa, vem a perseguição da Igreja e “passadas as tribulações, a cidade das sete colinas será destruída e o Juiz terrível julgará o seu povo” (1).

O louvor a São Dinis pode ser um louvor ao rei Lavrador por ter sido o rei que passou foral aos pavienses em 1287.

Já coincidentemente em relação ao monumento megalítico carregado dos seus pergaminhos pré-históricos, eventualmente com conotações com cultos e rituais de fertilidade associa-se  São Dionísio ou Dinis como a cristianização de Dionysios ou seja Baco.

Anta_de são DinisDe santos e santas dionísios está o céu pejado, pois contam-se 22 santos (ou veneráveis, beatificados) com o nome de Dionísio e três santas mártires (Dionísia).

O Santo Dinis  mais famoso é o são Dênis de Paris e  foi, durante muito tempo, venerado como único padroeiro de França, até surgir santa Joana d’Arc para dividir com ele a grande devoção cristã do povo daquele país.

De origem italiana, ele era um jovem missionário enviado pelo papa Fabiano para evangelizar a antiga Gália do norte no ano 250, portanto no século III.

 É o padroeiro de Paris, porque foi o seu primeiro bispo e formou, então, a primeira comunidade católica em Lutécia, atual Paris, morreu decapitado no local hoje conhecido como Montmartre, isto é, ‘Colina do Mártir’, e mesmo sem cabeça, teve a lucidez de pegar nela e caminhar todo lampeiro até a sua igreja para ser enterrado na Abadia de Saint-Denis, local onde, tradicionalmente, todos os reis da França deveriam ser enterrados

O patriarca Dionísio no seu modo de vida não parece relacionar-se com Baco e estarmos aqui apenas perante um feliz coincidência. Alguns  outros santos conhecidos com este nome foram pagãos convertido (tal como a anta era pagã e foi cristianizada).

Nota particular: Tivemos muita sorte e tive um bom almoço e barato com a fressuras e vísceras de borrego; ainda aqui vejo a conta 10 euros, o manjar principal mais dois pratos da melhor sopa alentejana. Procure pela Isabel em Pavia.
 Referências adicionais: Pode aqui ler um ótimo artigo sobre as Antas de Mora por Leonor Rocha


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