Anta da Arcainha (Casa da Moura ou Dólmen do Seixo da Beira-Oliveira do Hospital) (*)

Das cinco antas do concelho de Oliveira do Hospital esta é a que se encontra melhor conservada. Foi recentemente restaurada e é um monumento megalítico muito completo. Aproveito ainda este artigo para explicar o que são “antas” e relaciona-las com o culto dos mortos e a esperança de vida no além.
Quem viajar de automóvel na estrada entre as Caldas da Felgueira (*) e a bonita aldeia do Ervedal da Beira, pode encontrar facilmente, a partir do Seixo da Beira, este representativo mausoléu pré-histórico num local conhecido como Laje de Linhares, topónimo provavelmente sugerido pela laje de cobertura.
O que é o megalitismo?
O megalitismo (do grego mega=grande e lithos=pedra) é o conjunto de manifestações humanas utilitárias, artísticas, simbólicas e religiosas que ocorreram no território português entre os 4500 a.C. (Período Neolítico) até a reutilização, quase, final na Idade do Bronze (1800/700 a.C.) e existindo em toda a Europa Ocidental e Central.
As manifestações megalíticas mais conhecidas são as antas e os menires, mas muitas existem como as mamoas sem corpos líticos, os tholoi, os hipogeus, ou o enterramento em grutas.
O que são antas/dólmenes?
Os dólmenes, as mais antigas formas de arquitectura no nosso território, eram túmulos comunitários. Nas câmaras podem encontrar-se dezenas de enterramentos, feitos ao longo de centenas de anos; os indivíduos poderiam pertencer apenas a membros significativos da comunidade. Também podem ser conhecidos em Portugal como orcas, arcas, arquinhas, palas ou antelas. O nosso País é um dos países com o maior número de antas existentes, talvez devidas as extensas manchas de rochas plutónicas mais resistentes à meterorização (granitos).
São constituídas por grandes pedras elevadas – os esteios, que estruturam dois espaços distintos: uma câmara e corredor. A câmara está coberta por uma pedra maior a “tampa”, “chapéu” ou “mesa”. O corredor é mais baixo que a câmara e serve-lhe de acesso.
A estrutura pétrea encontrava-se encerrados dentro de montículos artificiais de terra (tumulus) e pedras (cairns) e são conhecidos por mamoas, mamoelas ou mamoinhas (tendo a sugestiva forma de um seio destacado na paisagem). Constituíam uma espécie de uma caverna artificial onde se sepultavam os defuntos, praticando-se deposições sucessivas acompanhadas do respectivo mobiliário votivo. Quem vinha do exterior, penetrava na obscuridade da mamoa através de um corredor baixo, para chegar à câmara funerária. Esta sensação única ainda pode ser efectuada em algumas antas portuguesas por exemplo na Arquinha da Moura (Lageosa do Dão) (***). O respectivo espólio indica-nos que os povos tinham uma economia dominante agro-pastoril.  
Estrutura e Idade da Anta do Seixo da Beira
A câmara apresenta uma planta poligonal de noves esteios, com a altura entre três a quatro metros, que suportam um belo chapéu, quase horizontal, com as dimensões 0.3m x 3.5m x 4m. Tem ainda a mamoa envolvente e corredor extenso com esteios parcialmente partidos e que foram restaurados. Como quase todas as antas abre-se a Nascente, de onde se avista a Cordilheira Central de Portugal- principalmente a granítica Serra da Estrela.

A anta está datada do final do período Neolítico, e na intervenção pela arqueohoje em 2007 foram encontrados cerâmicas e vasos com forma própria e decoração típica do final do período da Idade do Cobre, início da Idade do Bronze.
No Concelho de Oliveira do Hospital existem mais quatro antas conhecidas:
Dólmen da Sobreda , a Anta da Cavada nos Fiais da Beira, a Anta do Pinheiro dos Abraços na Bobadela (perto das ruínas romanas da Bobadela (**) e a anta do Vale Cerejo no Ervedal da Beira.
A zona de maior concentração dolménica em Portugal- e de toda a Europa- é o alto Alentejo, logo de seguida pela região centro granítico, em redor do aro de Viseu.
Outras antas ou complexos de antas notáveis que existem nesta região, e cito apenas algumas, são a de Antelas (Oliveira de Frades) (***), Arquinha da Moura (Lageosa do Dão) (***), Juncais (Queiriga) (*), Cunha Baixa (*), ou ainda o circuito pré-histórico Fiais/Azenha (**) no concelho de Carregal do Sal.
As antas são lugares onde se deseja a eternidade e o Renascimento
As antas são ainda:
– um espaço físico concreto – para o ausente, que se torna presente e diminui o impacto da angústia de morte (os que vão sentir o seu afastamento e que esperam o seu próprio fim inevitável).
– Um acto fúnebre para além do sofrimento, é também um momento de reflexão, sobre aquilo que fomos, somos e seremos; também daqui emana a emoção do mistério. Os dólmenes são “pedras mágicas” que promovem o pensamento filosófico e místico.
 – As antas pretendem anular o sofrimento, “como é possível que o “eu”, tão sensível e inteligente, tão superior as plantas e aos animais, fenecer e ser transformado em nada e minerais? Como é possível isto acontecer aos indivíduos que amámos? As antas são assim ante-câmaras da eternidade. No cerne dos dólmenes está a razão maior da existência de todas as religiões, uma resposta as nossas angústias, expectativas e consequente domesticação da natureza e da morte – ou seja da realidade nua e crua. 
– As antas são magníficos espaços cénico-rituais que serviam de marco identitário e de coesão as tribos que as construíam.
  -Provavelmente apenas uma pequena parcela da comunidade tinha direito à este tipo de sepulcro- provavelmente algum tipo de elite emergente, para quem os outros teriam obrigações, incluindo após a vida. Os mortos por sua vez rodeados de ofertas votivas poderão ter a função de interceder no além, (poder-se-ia falar de Deus (es)?) pela qualidade de vida da tribo, aumentando-lhe a durabilidade da vida, reduzindo-lhe o sofrimento e melhorando as suas colheitas. 
Uma hipótese generosa da crença de uma vida no além
Todas as antas orientam os seus corredores para nascente, o que revela um culto luminoso e solar que fecundariam as antas, “espaços femininos sexuais” ligado talvez a Deusa-mãe. Depois de enterrados subterraneamente num espaço simbólico – religioso de forma uterina- a câmara, fecundados, os mortos voltariam a nascer (e dai o seu acompanhamento por mobiliário votivo, da cerâmica, aos utensílios de caça), percorrendo o corredor (“estrutura vaginal”) e assomariam para a Luz.
Para si, viajante, tente decifrar estas pedras mágicas na paisagem
Mas tudo isto é um mistério e uma incógnita e peço ao passante que aqui venha, para ver e estar, com estas pedras pensantes e mágicas, que chegue às suas próprias conclusões, por mais estrambólicas que sejam e que as exponham aqui nos nossos comentários.
5 antas notáveis na região
– Anta da Arquinha da Moira (Lageosa do Dão) (***)
– Anta de Antelas (Oliveira de Frades) (***)
– Anta da Cunha Baixa (*)
– Orca dos Fias da telha (integrada no circuito arqueológico de Fias/Azenha) (**)
– Anta dos Juncais na Queiriga (**)
Post dedicado às gentes laboriosas da região da Cordinhã
Bom turismo! 

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3 comentários Anta da Arcainha (Casa da Moura ou Dólmen do Seixo da Beira-Oliveira do Hospital) (*)

  1. Felicitaciones por el magnifico artículo, que acabo de leer en esta visita al algarve. Conozco todas las antas citadas, cuyas fotos y comentarios puede ver en mi blog.
    Lo que más me ha impresionado de su articulo es la maravillosa descripción del posible significado, como espacio mágico que pretende suavizar el sufrimiento de la muerte, de la desaparición, como representantes de una posible eternidad y de un renacimiento a traves de la fecundación del corredor del anta por el sol en su salida algunos días especiales de l año.
    Felicitaciones otra vez y espero que pueda visitar mi blog y dejar algun comentario, o alguna información para proximas visitas a portugal.

  2. Perdón, ya se que las antas están en la Biera, pero escribo desde un hotel en Albufeira donde encontre su artículo. Olvide también anotar mi blog por si le interesa: http://dolmenes.blogspot.com
    Proximamente pondré artículos de mis recientes viajes por la zona de la Bretaña en Francia
    Saludos

  3. Farhat says:

    The dolmens and other megaliths (pyramids, cromlechs, and others) were built for defense. Read more http://forum.ozersk.ru/topic/32337-raskritie-tain-drevnosti/

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