Anta Grande da Comenda da Igreja (Montemor-o-Novo) – Não aconselhável a multidões com roupas vermelhas (***)

A Anta Grande da Comenda da Igreja foi visitada por nós inadvertidamente. Eu explico melhor, zarpávamo-nos nós rumo as Casas da Romaria em Brotas, pela estrada nacional nº2, provenientes de Montemor-o-Novo, ao entardecer quando um estranho sexto sentido turístico nos assolou e que me avisou de que estava a passar perto de um ponto admirável do turismo de Portugal. Travo o carro observo o GPS e vejo o pin num ponto arqueológico e volto para trás, obviamente que as minhas companheiras de viagem não o desejaram, mas espiaram o meu olhar estranho e imerso como que a dizer, bem não desenterrei pouca coisa. Cessamos então ao portão de uma herdade, obviamente fechada mas destrancada e alá aqui vamos nós, próximo muitos bovinos grandes e que talvez fossem bravios- a expectativa e alguma adrenalina fluía nos vasos sanguíneos. E pronto chegámos ao pin do GPS, ao longe aqueles grandes animais pretos começaram a correr na nossa direção e eu pensei; o carro resistiria ao choque ou não seria melhor correr para aquele monte de pedras mágicas que ali estava? Os bons dos bichos, afinal tinham siso e passaram perto e desapareceram. Uf!

E assim podemos analisar, apesar de um pouco apressadamente, a fabulosa Anta Grande da Comenda da Igreja situada num montado azinheiras.
Numa região muito rica de monumentos megalíticos, esta Anta Grande da Comenda da Igreja uma das mais monumentais e bem conservadas do nosso território e que se encontra classificada como Monumento Nacional desde 1936
A anta Grande da Comenda da Igreja é composta por um longo corredor com uma largura invulgar, ainda coberto em parte pelas respetivas tampas.
A câmara, que com o corredor, este voltado como costume para nascente, perfaz cerca de 16 m de comprimento, encontra-se parcialmente envolvida pela mamoa, esta com cerca de 35 metros de diâmetro. Na câmara oito esteios com cerca de 4 metros de altura sustentam uma tampa monumental, que infelizmente está fraturada e com as duas partes inclinadas para o interior, da mesmo vontade de as unir e poe-se o viajante a imaginar como; li algures que o povo diz que a laje foi partida por um raio. Hum, não haverá por aqui qualquer lenda associada?
Tal como na Anta Grande do Tapadão (Crato), parece que este fabuloso monumento foi planificado, tal é a regularidade da sua arquitetura.

A Anta Grande da Comenda da Igreja terá sido construída entre os finais do IV e meados do III milénio a. C
Coelhinhos mágicos verdes na Anta Grande da Comenda da Igreja
Deste monumento foi retirado um valioso espólio, composto por diversas pontas de seta, alabardas, contas, placas de xisto ídolos, báculos, recipientes cerâmicos e coelhinhos verdes em pedra. Aliás este dólmen também poderia ser conhecido como a Antas dos Coelhos, porque por toda a banda existem tocas de láparos, imensas dentro do gigante de pedra. Todo este material acompanhava os mortos na sua demanda pela eternidade. Todo este notável espólio está no Museu Nacional de Arqueologia, como aqui pode aqui ver.
Mas agora se não se importa vou falar um pouco mais de coelhos. Estes encontram-se frequentemente entre o espólio dos monumentos megalíticos ou grutas contemporâneas. Trata-se então de representações de roedores, gravados e recortados em osso, marfim ou em pedra esverdeada muito rara (jadeíte, anfibolite…) a maior parte de com a anatomia de coelhos, lebres ou láparos. Indiscutivelmente que este animal a cultos próprios que podem estar associado a cultos de fertilidade, a Lua, ser um animal de sacrifício ritual ou também por viver em tocas/grutas ser um animal psicopombo e de companhia dos mortos nas antas.

A Anta Grande da Comenda da Igreja foi usada como abrigo por pastores e viajantes sem destino, até há poucos anos. Nós que sempre temos algum tino nestas viagens (apesar de não parecer) abalamos depressa e rumamos a Brotas, já na estrada e no concelho de Mora ainda vimos mais algumas antas, mas como era quase noite não nos detivemos muito tempo nestas.
A Anta Grande da Comenda da Igreja, juntamente com as antas:

-Anta Grande do Tapadão (**) (Crato)

-Anta do Zambujeiro (***) (Évora)

-Anta do Silval (*) (Évora)

-Anta da Herdade das Cabeças (*) (Mora)
é um dos mais impressionantes megálitos portugueses.
Como chegar: A partir de Montemor-o-Novo, siga pela N2 durante 12km. Um pouco antes de S. Geraldo fica a nossa anta. Esta fica a cerca de 400m da estrada.
Aqui perto: Junto à vila de Brotas recomenda-se uma visita à Torre das Águias.
Coordenadas GPS: 38°45’28.67 “N     8°12’11.53″W
Referências adicionais:
Site: Shadowsandstone- Não sei quem é Ken Williams mas tem aqui ótimas fotografias sobre a Anta Grande da Comenda da Igreja e sobre alguns outros célebres megálitos portugueses.
Blog- Megaantas- As aventuras e raras desventuras da célebre arqueóloga Leonor Rocha no reino das antas e dos menires e que conhece o território Alentejo como a palma da sua mão.


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