Aqueduto da Água de Prata (Évora) (***)-símbolo máximo da segunda cidade da corte de Portugal nos Descobrimentos

Aqueduto da Água de Prata

1- É uma das mais imponentes obras de arquitetura e engenharia do século XVI.

2-É um dos mais belos aquedutos de Portugal.

3-Tem um maravilhoso trilho pedestre entre as muralhas da cidade de Évora e a sua nascente na Graça do Divor.

4-O Aqueduto da Água de Prata no seu percurso  tem objetos arquitetónicos de grande valia:

a)Fonte Monumental na Praça do Giraldo

b) Chafariz das Portas da Moura

c)Caixa de Água de Francisco de Arruda

d)Aqueduto na rua dos Canos.

e)Trecho na Quinta de Torralva na estrada para Arraiolos.

5-É parte integrante do Centro Histórico de Évora incluído na lista Património Mundial da Humanidade e está classificado como Monumento Nacional.

O amor pela água é uma constante na história da humanidade, e, ciclicamente, assume expressões que ultrapassam o meramente utilitário até atingirem a quase divinização. A fonte é, por vezes, cercada num espaço arquitetónico, como num templo, onde dignificada e dominada está apta a estabelecer com o homem uma comunicação purificadora, refrescante, espelho de ideias, saciadora de desejos, local de encontro com o humano e o sagrado. Assim para além do carater utilitário do aqueduto, alguns de seus trechos e objetos foram construídos com aparato monumental, estético e simbólico.
O humanismo quinhentista, com o reacender dos grandes temas clássicos, o repensar do homem e da natureza, reaviva este culto da água, o Aqueduto da Água de Prata traduz tudo isto
Nos reinados de Dom João II e de Dom Manuel I a construção do Aqueduto da Água de Prata foi amplamente discutido.

Nas primeiras décadas do século XVI o abastecimento de água potável a Évora era manifestamente insuficiente, principalmente nos meses de verão. Com a agravante de que a falta de água facilitava o aparecimento de peste com as suas trágicas e mortais consequências. É importante considerar que a cidade de Évora tinha sofrido nas décadas anteriores três epidemias de peste com trágicas repercussões (1495, 1509, 1523).
Nos anos 30 do século XVI, Dom João III mobilizou importantes recursos técnicos, humanos e financeiros para dotar a cidade com o mais extenso e complexo projeto de engenharia hidráulica do seu tempo. Para a construção do Aqueduto da Água de Prata foi solicitado o contributo financeiro da nobreza de Évora. Considera-se a possibilidade de ter existido um outro aqueduto, mais ou menos sobreposto ao aqueduto quinhentista, durante nos tempos romanos, quando a Évora se chamava Ebora Liberalitas Iulia.
O Aqueduto da Água de Prata foi inaugurado no ano de 1537, foi edificado no reinado de Dom João III e projetado e construído pelo arquiteto régio Francisco de Arruda e é um dos símbolos do apogeu de Évora como segunda cidade da corte do País.
O aqueduto transporta água desde nascentes situadas na Graça do Divor, que até à cidade de
Évora percorrendo cerca de 19 Km. O aqueduto é um dos poucos desta época que continua a funcionar na atualidade, contribuindo para o abastecimento da cidade.
O nome do aqueduto é “Água da Prata”, deriva talvez porque a construção foi bastante onerosa (teria custado muitas pratas), ou porque as suas águas são cristalinas e puras, provenientes da fonte da Prata onde se inicia.
a construção do Aqueduto da Água de Prata no seu percurso inicial é discreto e não tem relevo de maior impacto, pois se oculta numa galeria subterrânea assinalada pontualmente por alguma pequena claraboia e respiradores circulares. Aqui encontra-se a fonte de André Resende que tem que ser imediatamente reabilitada, com o risco de esta se perder por se encontrar tão arruinada. O aqueduto a construção do Aqueduto da Água de Prata
torna-se majestoso quando atinge os arredores da cidade. Nessa altura, a sua bela e bem aparelhada arcaria de volta perfeita eleva-se e impõe-se na paisagem, tendo na estrada de Arraiolos, o seu máximo esplendor, sublinhado pela pequena torre do pilar central, onde a cúpula, de recorte ainda manuelino, contrasta com as formas clássicas das pilastras dos nichos concheados que abrigam imagens modernas de São Bruno e São bento, patronos dos mosteiros vizinhos.
Contudo, a parte mais elevada dos seus arcos, acontece nas proximidades da muralha medieval em Évora, atingindo nesse trecho contíguo à Rua do Cano a altura de aproximadamente 26 metros.

aqueduto agua de prata

Atualmente é possível percorrer o trajeto do aqueduto a pé ao longo de um caminho pedestre que faz parte dos percursos ambientais de Évora. Oferece a oportunidade de apreciar a magnífica paisagem envolvente, incluindo aspetos como as espécies vegetais, utilizações do solo, organização da paisagem e vegetação natural.
É magnífica a que paisagem que acompanha o aqueduto entre as Muralhas Fernandinas de Évora e as nascentes, num vale próximo da
Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Graça do Divor (Évora), apresenta uma diversidade que passa por grandes áreas de pastagens e cultura de cereais em mosaico com bosquetes, bem como montados puros e mistos de sobreiro e azinheira

Aqueduto Água de Prata (Évora) 

Camões escreve sobre o aqueduto no seu poema épico, Os Lusíadas:

"Eis a nobre cidade, certo assento

Do rebelde Sertório antiguamente;
Onde ora as águas nítidas de argento,
Vem sustentar de longe a terra, e a gente;
Pelos arcos reais, que cento e cento
Nos ares se alevantam nobremente;
Obedeceu por meio e ousadia

De Giraldo, que medos não temia
 

Veja Álbum imagens : »

O carácter civil da construção do Aqueduto da Água de Prata foi enobrecido por alguns troços de inegável impacto artístico. Por exemplo, junto à igreja de São Francisco, existiu até 1873 o Fecho Real do Aqueduto, um pórtico renascentista. Também na Praça do Geraldo, onde o aqueduto terminava, existiu uma fonte “adornada por leões de mármore” e associada a um arco de triunfo romano, ambos posteriormente sacrificados aquando da remodelação henriquina da principal praça da cidade e a fonte substituída pela atual fonte da Praça do Geraldo.
Na Rua Nova de Santiago, Francisco de Arruda construiu uma bela Caixa de Água renascentista, de planta quadrangular e atualmente com dois lados visíveis, com doze colunas toscanas e amplo entablamento, obra que caracteriza o maior empenhamento artístico em algumas zonas do aqueduto e que contrasta drasticamente com outras partes do traçado em que o utilitarismo da construção sobrepôs-se a eventuais intenções mais eruditas.
Ao longo dos séculos o aqueduto da Água de Prata sofreu algumas alterações entre acrescentos e demolições. De maior visibilidade foram os vários chafarizes e fontes que se implantaram ao longo do percurso citadino. Para além da terminação emblemática na Praça do Geraldo junto ao antigo arco romano, é de realçar a Fonte do Chão das Covas, obra datada de 1701. Do período de renovação urbanística patrocinada pelo cardeal D. Henrique, subsiste também o Chafariz das Portas de Moura.
SOS PATRIMÓNIO
Quem acode à Fonte de André de Resende que ameaça ruir?
Fica aqui a lista dos mais belos aquedutos de Portugal:

Aqueduto da Água de PrataÉvora (**)

Aqueduto das Águas LivresLisboa (***)

Aqueduto da AmoreiraElvas (***)

Aqueduto de São SebastiãoCoimbra (*)

Aqueduto dos PegõesTomar (***)


Ver mapa maior

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *