Arcos do Jardim-Aqueduto de São Sebastião (Coimbra) (*)

Arcos do Jardim-Aqueduto de São Sebastião (Coimbra) (*)

Os Arcos do Jardim, por se situaram contíguos ao Jardim Botânico de Coimbra, é também conhecido como Aqueduto de S. Sebastião foi construído no entre 1568 e 1570, sobre o que fora outrora um aqueduto romano que servia para abastecer a alta de Coimbra. Os arcos do Jardim foram  construídos pelo engenheiro italiano Filipe Terzio, no reinado de D. Sebastião.
Um dos arcos deste aqueduto tem a estátua de S. Sebastião de um lado e de S. Roque do outro, junto à casa Museu Bissaya Barreto.
Os Arcos de Jardim ligava os morros onde se situavam o Mosteiro de Santana e o Castelo, vencendo uma depressão em vinte e um arcos, daí ter sido, em tempos idos, conhecido como aqueduto de Santana.
Este Monte de Santana era um local de onde brotavam copiosas águas. No local onde existe um singelo monumento dedicado ao estudante de Coimbra situa-se num pequeno lago situado no jardim que se encontra em frente ao Jardim Botânico e junto à Casa Museu Bissaya Barreto que está constantemente a ser alimentado ainda por uma nascente que anteriormente alimentava a fonte de Santana, desta existe uma notável gravura de Georg Vivian, editada em “Scenery of Portugal an Spain”, 1839, captada a partir do morro do Convento de Santana. Talvez não fosse muito difícil reconstruir esta fonte, o que valorizaria mais aquele sector de Coimbra que para além dos Arcos do Jardim, tem ainda como ponto notável o magnífico Jardim Botânico e a Casa Museu Bissaia Barreto.

arcos de jardim


Os Arcos do Jardim possuíam 21 arcos assentes sobre fortes pilares, reforçados por degraus na face externa. Toda a obra é de alvenaria em rochas dolomíticas, apesar de alguns pilares assentarem em materiais gresosos (arenitos e conglomerados), expeto o arco de honra ou triunfal, feito de cantaria em Pedra de Ançã (calcário do jurássico médio).
Depois e até ao largo da Feira (magnífica praça onde hoje se situa a Sé Nova e cujos edifícios em redor foram destruídos barbaramente pelo Estado Novo nos anos quarenta do século passado) o percurso da água era subterrâneo, e terminava numa bela fonte renascentista em “bicos”, que pela sua situação e capacidade era uma das mais importantes da cidade.
O aspeto dos Arcos do Jardim nem sempre foi o que conhecemos atualmente pois, encostados ao aqueduto, havia uma série de construções, entre as quais se destacavam: o Lar das Teresianas, a Leiteiria Académica de Joaquim “Pirata” e o Colégio Liceu (este era o espaço adaptado da bela igreja de São Bento de estilo renascentista.
De referir que, com a demolição das casas, foi também abaixo, em 1959, um arco que dificultava a ligação da rua do Arco da Traição com a Calçada Martim de Freitas (atual rua de acesso ao Largo D. Dinis). Os Arcos do Jardim têm agora 20 arcos.
O arco de honra é oblíquo adaptado ao traçado da estrada antiga. Tem quatro grandes inscrições, duas em latim e duas em Português nas quais a data de edificação em 1570 e o patrocínio real de Dom Sebastião estão claramente expressos. No topo a coroar o arco, foi construído um templete, com colunas dóricas, cúpula de tijolo e lanternim com duas esculturas, uma do mártir São Sebastião, lado sul e outra evocativa de São Roque, do lado Norte. Quer as lápides com boas molduras da renascença quer o templete e respetivas esculturas são certamente obras da oficina de João de Ruão.

1-Ler aqui sobre a gravura de Georg Vivian


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