Paisagem em Barca de Alva (Figueira de CasteloRodrigo) (*)- E aqui brincou Agostinho da Silva

Situada na margem esquerda do rio Douro, junto a fronteira com Espanha, materializada pelo rio Águeda, Barca de Alva é uma povoação que se desenvolveu no século XX. Antes do século XIX era um obscuro ponto de passagem do Douro e porto fluvial sem grande movimento. Aliás, as condições climáticas e  de salubridade do sítio não eram propícias à atracção de gentes. O Verão tórrido e as inundações de Inverno tornavam este recanto cercado de montes quase inabitável. As febres palustres eram frequentes.
O desenvolvimento agrícola, a construção da linha do Douro, a ligação ferroviária com Espanha, a construção da Estrada Nacional 221, que atravessa o rio Douro, justamente aqui pela ponte de betão construída em 1955 por Edgar Cardoso e a atracção turística que constituem as “Amendoeiras em Flor ”, vieram fazer de Barca de Alva uma localidade com alguma dimensão.
Inserida na área do Parque Natural do Douro Internacional (***), Barca de Alva tem belas paisagens e é ponto de paragem para os cruzeiros turísticos que navegam no rio Douro.
A sua paisagem envolvente é de grande beleza, rodeada pelos rios Douro e Águeda, pelo seus alcantilados montes, com a crista quartzítica de Penedo Durão (*) a impor a sua rude altivez e os seus laranjais, olivais, vinhedos e principalmente as suas amendoeiras em flor, com tom rosa ou branco, que anunciam festivamente a primavera.

Depois do fecho do encerramento da linha de caminho de Ferro Porto-Salamanca, em 1987 a povoação entrou em decadência, mas a construção do novo cais fluvial e da ligação rodoviária para Espanha pela foz do Águeda fez renascer a esperança. O governo português ainda recentemente prometeu que iria reactivar a linha de caminho de ferro.
Toda esta região alberga uma grande variedade de espécies animais: algumas aves emblemáticas, como o abutre do egipto (em extinção), a águia de boneli e a águia-real, o milhafre real, o peneireiro das torres, o bufam real e a coruja. Por vezes quando passeamos nas linhas desactivadas podemos observar alguns bandos de abutres do Egipto a sobrevoar o rio. Também os mamíferos como o javali, o gato bravo, a geneta e a raposa (surgem no caminho e rapidamente fogem quando nos avistam) aqui se encontram nos densos matagais e arvoredos.

Por fim a ferrugenta ponte de caminho de ferro, que este andarilho não usa transpor com receio da queda. Assustador e atractivo são também os túneis do caminho-de-ferro, verdadeiras grutas de Montesinos que também atraem e repulsam.
Agostinho da Silva, menino eterno de Barca de Alva
O silêncio ruidoso do Águeda e do Douro, é quase redentor e fazem-nos lembrar as palavras do filósofo Agostinho da Silva, menino eterno de Barca de Alva.
“Penso, portanto, que a natureza é bela na medida em que reflecte a nossa beleza, que o amor que temos pelos outros é o amor que temos pelo que neles de nós se reflecte, como o ódio que lhes sintamos é o desagrado por nossas próprias deficiências…”

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