Paisagem em Bogalhal Velho (Pinhel) (*)- Local de esquecimento ou reencontro?

Existem locais belíssimos em Portugal e completamente alheados dos roteiros turísticos, estão perdidos algures na bruma dos tempos e caíram no esquecimento. É o caso deste cenário grandiloquente de Bogalhal Velho.
Um exemplo é a aldeia medieval abandonada de Santa Maria de Porto de Vide, vulgarmente conhecido por Bogalhal Velho. É um sítio solene de imensa beleza paisagística.
Ao chegar deparamo-nos com as ruínas poéticas de uma povoação, que teve alguma importância medieval, rodeada de matagal, tendo apenas em pé o esqueleto gótico da igreja (típico dos templos medievais na região), vestígios de habitações e muros.

A localidade deverá ter sido abandonada no final da idade média, à semelhança do que sucedeu com a povoação vizinha do Castelo de Monforte (Figueira de Castelo Rodrigo); e poderá ter sido um ponto estratégico na defesa do Reino antes de Alcanices. No tempo histórico a zona da raia beirã, devido a sua periferia, ao seu clima extremado e às desavindas com o reino vizinho, sempre foi repulsiva à ocupação humana durante a nossa nacionalidade.
No entanto a beleza do lugar e a existência de uma igreja, possibilitou que o sítio continuasse a ser frequentado por procissões anuais durante mais algum tempo- que são sempre o último estertor de uma povoação que morre. Depois até aquelas cessaram e o local foi esquecido, até que o edil de Pinhel, em boa hora, e já no século XXI, tornou possível a sua acessibilidade.
A aldeia está assente num cabeço granítico, com 500 m de cota, e poderia ter sido um crasto fortificado. Tem como limite Este uma intransponível escarpa granítica, escavada pela Ribeira das Cabras, no restante perímetro, provavelmente seria rodeada por muralha.
A Ribeira das Cabras e o Côa em Bogalhal Velho
É notável o vale encaixado da Ribeira das Cabras, que tem aqui a sua foz no rio Côa. O desnível altimétrico chega a atingir os vertiginosos 110 m.
A norte deambula o mágico rio Côa, alojado no sopé da Serra da Marofa, preparado para romper a forte muralha quartzítica e mais tarde romper pelo canhão fluvial em Cidadelhe (***) (esta aldeia é um dos locais mais belos de toda a Beira Interior). A serra, que é a bússola da região, surge com o todo o seu esplendor, desde Santo Antão até ao alto da Marofa (**).
Aqui sente-se o ambiente bravio mediterrâneo e pensa-se na complexidade geológica; vêm-se agitadas aves crocitantes (estamos em área da Rede Natura 2000) que cortam os céus e ouve-se o ruído da água ao fundo em enlace com a rocha… e o abismo, para sempre em atracção perpétua. É um local obrigatório para quem faz turismo em Pinhel.

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