Castelo de Algoso (Vimioso) (**)- Formidável ninho de águias no Nordeste Transmontano (1ªParte)

Também os cavaleiros hospitalarios construiriam uma obra notável em Trás-os-Montes, o Castelo do Algoso (***) pertencente ao concelho de Vimioso e que está instalado formidavelmente numa crista quartzítica. É realmente impressionante o Castelo de Algoso, uma construção inexpugnável sobre o abismo.
Lembramos aos leitores mais desatentos que os monumentos notáveis em Portugal construídos pelos cavaleiros da Ordem do Hospital são:
-Castelo de Belver (**) (Gavião) (clicar para ler o texto)
-Castelo de Amieira do Tejo (**) (Niza) (clicar para ler o texto)
-Mosteiro Flor de Rosa e Pousada Histórica (***) (Crato)
-Mosteiro de Leça do Bailio (***) (Matosinhos)
-Igreja de Veracruz do Marmelar (*) (Portel)
-Castelo de Algoso (**) (Vimioso)
A magnífica paisagem visionada do Castelo do Algoso
O Castelo de Algoso está ao sul da povoação em posição dominante sobre o cabeço da Penenciada e a paisagem que dele se avista é magnífica, com abrangente domínio visual do Planalto Mirandês . Dos seu muros vê-se quase todo o Trás-os-Montes com destaque para a serra de Bornes e a de Nogueira e ainda mais ao longe Puebla de Sanabria em Espanha Mas aquilo qe nos fica desde logo na retina é o magnífico encaixe do rio Angueira na crista quartzítica serpenteadora ao sabor das convulsões tectónicas, e onde se implanta o castelo de Algoso a 681 metros de altitude.  A sua posição visual permite ainda identificar identificar muitos outros pontos, no planalto transmontano como Vimioso e Outeiro (*) para norte, e Penas Roias (*) , para sul.

Um pouco de história do Castelo do Algoso
A recente pesquisa arqueológica confirmou que a mesma ocorreu em diversas fases desde o período Calcolítico até à ocupação romana. Alguns destes materiais são visíveis no Centro de Interpretação aberto recentemente.

Em 1173 já existiam referências a existência do Castelo de Algoso foi mandado construir nos princípios do século XII. Posteriormente, esta poderosa edificação, que foi negociada pelo rei D. Sancho I, dando Vimioso em troca.

A antiga linha defensiva da nacionalidade portucalense ao longo da margem esquerda do rio Sabor até à confluência do rio de Angueira era constituída por quatro castelos: de dois – o de Milhão e o de Santulhão – já nada  existe e dos dois restantes – o de Outeiro (em ruínas-esta aldeia do concelho de Bragança tem uma maravilhosa igreja (**) e o de Algoso.

O Castelo de Algoso é um dos mais impontentes em Trás-os-Montes

Paisagem do Castelo de Algoso

Complementavam a defesa principal do setor nordeste transmontano os castelos de Penas Róias (*), de Mogadouro e, embora mais distante, o de Bragança (**).
Algum tempo depois, D. Sancho II concedeu-o à Ordem do Hospital. Neste castelo de Algoso residia o representante do rei que arrecadava os direitos reais em terras de Miranda e Penas Roias (este no domínio dos Cavaleiros da Ordem do Templo).
Na posse dos Hospitalários, o castelo foi transformado numa fortaleza gótica.
Numa primeira fase, o Castelo manteve o seu papel de controlo de território e defesa da fronteira do reino, reforçando-se com soluções góticas que ainda hoje caracterizam a sua estrutura arquitectónica. Mas foi também sob domínio hospitalário que o castelo viu progressivamente reduzida a sua importância político-militar ditada pela consolidação do novo modelo de organização do território, alicerçado nas novas vilas urbanas, e pela afirmação de uma linha mais avançada de fortificações -Miranda do Douro, Vimioso e Outeiro- situadas junto à fronteira e mais adaptadas aos avanços das armas de fogo. Reduzido assim a uma fortaleza de “segunda linha”, o castelo prevaleceu como uma símbolo senhorial, sede duma importante Comenda da Ordem de São João do Hospital que tutelou o vasto domínio que esta Ordem militar reuniu no espaço transmontano.
Em 1710, por ocasião da guerra dos Setenta Anos, pouco depois da queda de Miranda, fizeram os espanhóis diversas surtidas em terras de Vimioso, atacando, entre outras, a antiga vila de Algoso, que contudo conseguiu manter a sua praça. (Continua)
Agradecimentos: O Portugal Notável esteve alojado no Vileira (Vimioso) e visitou o Castelo de Algoso a convite deste Hotel e magnífico restaurante que apoia o turismo cultural.

3 comentários Castelo de Algoso (Vimioso) (**)- Formidável ninho de águias no Nordeste Transmontano (1ªParte)

  1. Paulo says:

    Todo o trabalho que contribua para a divulgação do património é bem vindo. Contudo, há que ter em atenção o que se escreve para não induzir o leitor em erro. Deixo aqui algumas correções.

    “…com o domínio visual do Planalto Mirandês envolvente e a confluência da ribeira da Angueira com o Rio Maças.”
    Não é ribeira da Angueira, é Rio Angueira. E o domínio visual não abrange a confluência dos rios Angueira e Maças. Esta, apesar de estar perto, não se encontra dentro do domínio visual.

    “…Dos seu muros vê-se quase todo o Trás-os-Montes com destaque para a serra de Bornes e a de Nogueira, Montesinho….”
    Dos seus muros o Parque Natural de Montesinho não é avistado.

    “A sua posição visual permite ainda identificar muitos outros pontos, no planalto transmontano como Vimioso e Outeiro (*) para norte, ou Penas Roias (*) e Mogadouro, Para sul.”
    Para Norte, ou Penas Róias, para Sul, A vila de Mogadouro não se avista do castelo. A delimitação do concelho de Vimioso e de Mogadouro é, neste ponto, feita pelo Vale do rio Angueira.

    “Alguns destes materiais são visíveis no recente Centro de Interpretação aberto recentemente.
    Recente, aberto recentemente é um pleonasmo.

    “O castelo foi mandado construir nos princípios do século XIII.”
    No ano de 1173 (século XII) já existem referencias ao castelo. Contudo, a sua construção deverá ter ocorrido na primeira metade do século XII.

    “…que foi negociada pelo rei D. Sancho I, dando Vimioso em troca.”
    O castelo foi construído por Mendo Bufino que o ofereceu a D. Sancho I e este, por sua vez, doou a vila de Vimioso a Mendo Bufino.

    “…em terras de Miranda do Douro e Penas Roias.”

    Antes do castelo ser doado à Ordem do Hospital era pertença do Rei que, como representante, tinha um Tenente. Miranda do Douro (como entidade administrativa) ainda não existia. Também nunca foi domínio da Ordem do Templo. Penas Róias e Mogadouro sim,

  2. Castela says:

    Boa tarde, Paulo
    Estou grato pelas informações que me deu e que serviram para acrescentar e corrigir a “entrada”. As correcções foram efectuadas o mais rapidamente possível, pois pautamo-nos pelo maior rigor possível, o que como deves calcular nem sempre é fácil.
    Quando tiveres um tempito disponível ficava grato que me fizesses o mesmo em relação a segunda parte.
    Votos de muitos visitantes e bons ao belíssimo Castelo de Algoso.
    Boa semana.

  3. Amber says:

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