Castelo de Ansiães, Igreja de São Salvador e panorama (Carrazeda de Ansiães) (***)- História e paisagem num espaço singular (1ª Parte)

Castelo de Ansiães, Igreja de São Salvador e panorama (Carrazeda de Ansiães) – História e paisagem num espaço singular

O Castelo de Ansiães com o seu antigo povoado medieval, hoje apenas restos de muros, as sua igrejas românicas (a igreja São Salvador de Ansiães, é uma das mais belas neste estilo no Nordeste Transmontano) e beleza abrasador do seu panorama, tornam este lugar um dos mais importantes do turismo cultural em Portugal.
Um pouco de História do Castelo de Ansiães
A escolha do local para implantar a antiga povoação de Ansiães não poderia ser mais perfeita em termos estratégicos no alto de um cabeço fácil de defender (altitude, 810 m) com excelentes condições naturais de defesa.´
Escavações arqueológicas têm demonstrado que a ocupação do Castelo de Ansiães se iniciou há cerca de 5000 ano atrás, durante a fase pré-histórica denominada de calcolítico.
Desde essa altura o Castelo de Ansiães teve sucessivas fases ocupacionais são testemunhadas por interessantes vestígios materiais reveladoras de uma longa diacronia que abarca a Idade do Bronze, a Idade do Ferro e toda a fase de romanização do território transmontano.

Igreja de São Salvador de Ansiães

“Esta vocação para a defesa natural adquire particular importância durante a Reconquista Cristã.
Nesta altura o Castelo de Ansiães obtém a sua primeira carta de foral. O documento outorgado em meados do séc. XI pelo rei leonês Fernando Magno constitui um dos mais antigos forais do espaço geográfico definido pelas actuais fronteiras do território português.
Durante a fase alti-medieval, o Castelo de Ansiães possuía já uma longa e reminiscente herança cultural, factor decisivo para se estruturar como centro fulcral na zona fronteiriça do rio Douro.
Os séculos XII, XIII, XIV e XV definem um período exponencial do crescimento deste reduto amuralhado.
Afonso Henriques em 1160; Sancho I, 1198; Afonso II, 1219 e finalmente D. Manuel I em 1510 reconhecem e promulgam forais à Vila amuralhada de Ansiães.
Este primeiro alargamento territorial revela a consolidação crescente da importância urbana que a vila teve ao longo de toda a Idade Média. Mas será na Baixa Idade Média que Ansiães se impõe estrategicamente numa região fulcral do expansionismo cristão, adquirindo assim um estatuto urbano que atinge o seu apogeu durante os séculos XIII e XIV.
Será nesse contexto que em 1277 o rei D. Afonso III lhe concede carta de feira. Esta realizava-se a meio de cada mês e tinha a duração de um dia completo. A prerrogativa deste monarca atesta, de certa forma, a pujança e a dinâmica de crescimento que durante a Baixa Idade Média Ansiães detêm na região de Trás-os-Montes, sendo a sua feira, a par da de Bragança, um dos poucos locais transmontanos onde o comércio estava instituído por diploma régio.. Mesmo assim, o povo de Ansiães revela-se pacífico e exclusivamente norteado em prol do interesse nacional.
Porque o povo de Ansiães apoia a causa do Dom João I na crise de 1383-85 contra o governador da localidade, João Rodrigues Porto Carreiro, a população revolta-se, escorraça-o e posteriormente impõe-lhe uma derrota em Vilarinho da castanheira (localidade que tem uma conhecida anta).
Banidos os Porto Carreiro, o povo de Ansiães ganha prestígio aos olhos da nova dinastia. E quando D. João I chega ao poder a localidade impõe-se mais uma vez como um dos principais centros “urbanos” na região transmontana.

A posição assumida pelo povo ansianense durante a crise de sucessão, ao tomar ” voz por Portugal”, em detrimento de outros concelhos e senhores que na mesma altura se “bandearam” com Castela, foi determinante para construir aos olhos do novo monarca uma forte referência de apoio à sua causa na região de Trás-os-Montes.
Por esse motivo e durante o seu reinado sucederam-se um conjunto de privilégios outorgados como nítidos actos de reconhecimento. Assim, em 1384 um diploma régio obriga os habitantes de Freixiel, Abreiro e Murça a concorrer para o levantamento dos muros e torres de Ansiães. Ao que se sabe, a dita vila estava cercada na maior parte por muros constituídos por pedra miúda, e são os homens bons do concelho que na altura se dirigem ao monarca para reclamarem um sistema defensivo mais monumental e condizente com o prestígio que a localidade gozava na região.
Infere-se daqui que o carácter monumental do sistema defensivo que ainda hoje possui a antiga vila foi projectado e construído já muito próximo dos finais do séc. XIV.
O processo dinâmico que conduziu à monumentalidade de Ansiães testemunha o seu antigo prestígio dentro da região transmontana, onde ao longo de toda a Idade Média se instituiu como um importante espaço concelhio. A dimensão e imponência desta antiga vila permitem adivinhar áureos momentos do seu secular desenvolvimento. Contudo, Os finais do séc. XV, e particularmente o séc. XVI, marcam o início de uma transformação demográfica traduzida numa perda cada vez mais acentuada da importância urbana do reduto amuralhado do Castelo de Ansiães, em função do desenvolvimento de outras localidades que constituíam o território concelhio.
Nas centúrias seguintes este movimento acabou por se agudizar, culminando na transferência dos Paços do Concelho do Castelo de Ansiães para Carrazeda, acto que ocorreu em 1734 pelo facto de no antigo reduto residir um número bastante reduzido de pessoas, dando-se assim início ao abandono de um local que foi ininterruptamente ocupado ao longo de 5.000 anos”1.
Agradecimentos: O Portugal Notável esteve alojado no magnífico alojamento rural do Casal do Tralhariz (Castanheiro-Carrazeda de Ansiães) e visitou o Castelo de Ansiães, a convite deste ótimo Hotel Rural que apoia o turismo cultural.
1-Texto adaptado do ótimo site do Centro Interpretativo do Castelo de Ansiães.

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