Castelo de Belver (Gavião) (**)- É um dos 5 monumentos de visita obrigatória dos Cavaleiros da Ordem do Hospital em Portugal

Castelo de Belver (Gavião) (**)- É um dos 5 monumentos de visita obrigatória dos Cavaleiros da Ordem do Hospital em Portugal

O Castelo de Belver, situado na margem direita do rio Tejo, num morro granítico cónico de declives abruptos, é um dos mais perfeitos castelos românicos de Portugal e um dos 5 monumentos notáveis dos cavaleiros da Ordem de Malta (do Hospital) no nosso território. O sítio foi importante na defesa do nosso território na luta contra os muçulmanos por controlar e vigiar a travessia do Tejo. Estrategicamente construído com vasto domínio na paisagem, é facilmente defensável pelas vertentes norte, oeste e sul devido à sua inclinação acentuada; o acesso ao Castelo de Belver é feito pela encosta nascente onde se formou a localidade.
Em 1191 al-Mansur, com o seu exército almóada fez várias incursões devastadoras em terras cristãs e o vale do Tejo converteu-se, de novo, num espaço de fronteira, salvando-se Évora com enclave cristão: a Norte dominavam as forças cristãs, a Sul as forças muçulmanas.
Dom Sancho I recorreu então as ordens guerreiras-religiosas para defender e aumentar o seu território.
Em 1194 Dom Sancho I fez a doação de uma extensa Terra chamada de Guindintesta a Norte a Sul do Tejo à Ordem do Hospital. Esta ficou encarregada defender e povoar a região, procurando desta forma consolidar o domínio cristão na região.
O rei também dá instruções para que seja construído um castelo que chamará de Belver, nome que é uma referência ao lendário castelo Belvoir, da ordem hospitalária situado no reino de Jerusalém. A bonita vila de Belver nasceu assim devido a proteção e apoio ao castelo de Belver.
Antes da conclusão da sua construção, em 1210, D. Sancho I, em testamento, deixa à guarda do Prior da Ordem do Hospital, no Castelo de Belver, uma parte importante do tesouro constituído por 500.000 maravedis de ouro e 1.400 marcos de prata destinados aquela ordem, demonstrando assim que o Castelo já estaria quase concluído. Não é estranho, estar aqui tal fortuna real, dada a proximidade do inimigo?

O Castelo de Belver é renovado por Dom Nuno Álvares Pereira
“Depois da conquista definitiva do Algarve, os castelos da Linha do Tejo perdem grande parte do seu poderio militar. No entanto, para consolidação da Dinastia de Avis, cinco anos após a Batalha de Aljubarrota, o Castelo de Belver retoma o seu valor no contexto da defesa do reino, pelo que é beneficiado com obras de restauro e ampliação dirigidas por D. Nuno Álvares Pereira. Porém, devido ao tratado de paz com Castela em 1411, não foi palco de qualquer ação militar”.

O Infante das Sete Partidas cerca e domina o Castelo de Belver
Em 1440, o castelo de Belver vê-se envolvido na luta entre D. Leonor e o Regente D. Pedro. O povo de Belver toma o partido da Rainha viúva e é cercado e tomado por Álvaro Vaz de Almada. valido do rei D. Pedro, depois 1.º Conde de Avranches.

Durante o séc. XVI o castelo terá servido de presídio para Luís de Camões mas também como residência nobre para a princesa Santa Joana, irmã de Dom João II que, neste castelo terá vivido alguns anos (falta comprovar).
No século XVI, os Belverenses e o seu Alcaide ter-se-ão oposto ao domínio filipino colocando-se ao lado de D. António, Prior do Crato.
O castelo de Belver entra depois num período de degradação e ruína para o qual muito terá contribuído o Terramoto de 1755 que provocou graves danos nas muralhas e na torre de menagem. Entre 1846 e 1948 serviu de cemitério à Vila. Em 1909 um forte abalo de terra degradou ainda mais um espaço decadente e alquebrado. Termina esta fase conturbada na década de 40 deste século com profundas obras de restauro”.

 

A estrutura do Castelo de Belver
Seis torres e adarve a todo o correr, marcam a muralha do vetusto castelo, esta, ovalada, atenua cautelosamente os ângulos.
Repare o amigo nas onze seteiras que ladeiam o cubelo da porta principal, de fendendo o acesso e prevenindo a aproximação de eventuais inimigos. Esta construção é única na arquitetura medieval militar portuguesa.
A sul, rasga-se a porta principal ladeada por dois cubelos. O caminho de acesso ao castelo é revelador das estratégias militares dos freires-cavaleiros de S. João do Hospital, pois ao terminar em “cotovelo”, não permitia aglomerações e obrigava a formar fileira não facilitando o assalto.
No interior, erguia-se a antiga alcáçova, da qual só restam algumas paredes, a cisterna e a capela de S. Brás.
A praça de armas abriga a torre de menagem de planta retangular e 22 metros de altura e masmorra; no seu interior funciona um pequeno museu com alguns achados arqueológicos da freguesia e a história do próprio castelo. A torre estava isolada no centro, o que é típico dos castelos românicos, e era servida por uma escada móvel, que era retirada em situação de perigo.
A porta da traição encontra-se discretamente dissimulada na banda poente da muralha por um torreão semicircular e por um ressalto da própria muralha cujo acesso exterior é naturalmente protegido pela íngreme e pedregosa encosta.
No lado oeste do perímetro encontramos também a cisterna de duas bocas redondas, estas já do tempo de dom Nuno Álvares Pereira. A sul, fronteiro à porta principal do castelo, encontramos as ruínas dos edifícios da alcaidaria e da guarnição.
O castelo, apesar de algumas modificações ao longo dos séculos, manteve praticamente intacta a sua primitiva estrutura, considerando-se uma das mais representativas da fase românica da arquitetura militar no nosso país.
A Capela de São Brás no Castelo de Belver
“De realçar a existência, dentro do seu perímetro, da Capela de são Brás, datada do século XVI, com características renascentistas de transição para o maneirismo, com um retábulo pré-barroco talhado em talha quinhentista, com vinte e quatro nichos para albergar bustos e braços de Santos, onde se expunham as Sagradas Relíquias que da Palestina haviam sido trazidas pelos freires da Ordem.”

O retábulo terá sido oferecido à capela pelo Infante D. Luís, filho de D. Manuel, e Prior do Crato entre 1527 e 1555. O Priorado do Crato, cabeça da Ordem do Hospital (denominada Ordem de Malta a partir do século XVI) em Portugal, detinha a jurisdição de Belver desde a doação de D. Sancho I, em 1194, e o seu castelo chegou a ser sede da Ordem até 1350, ano da sua transferência para o Crato.
No retábulo, a curiosa presença do porco aos pés de São Brás evoca talvez o episódio no qual o santo convence um lobo a soltar o cerdo que capturara, pertença de uma camponesa. De notar ainda que em várias regiões a tradição da matança do porco se liga à devoção a São Brás, pedindo-se proteção ao santo para a conservação do fumeiro, ou entregando-se uma pequena contribuição, fruto da matança, para a sua festa.

Festa em Honra das Santas Relíquias em Belver

“Em Belver existe a festa em honra das Santas Relíquias.  Isto porque num dos altares da Igreja Matriz de Belver encontra-se uma arca com as ditas. Para dignifica-las realiza-se a festa anual da terra. São relíquias que se diz terem vindo da Terra Santa.

As relíquias foram entregues ao Grão-Prior da Ordem de Malta que as foi ‘colecionando’, as mesmas que se encontram na arca da Igreja Matriz.

“E as relíquias são o anel de São Brás que era bispo, cabelos de Maria Madalena, palhinhas da manjedoura do menino Jesus, ossos… ou seja, aquilo que a imaginação da Idade Média criou à volta das relíquias e do negócio” que envolveram as Santas Relíquias por todo o mundo cristão, explica o professor Carlos Grácio.

Outra lenda relata então que as Santas Relíquias foram depositadas nessa Capela, pelo Infante D. Luís (filho do rei D. Manuel I), local de onde foram roubadas.

Todo o retábulo é composto por pequenas esculturas que têm um buraco no peito e a maioria não tem mãos, precisamente para guardarem o conjunto de relíquias que se diz terem sido trazidas da Terra Santas pelos Cavaleiros Hospitalários.

O culto das Santas Relíquias é um fenómeno de religiosidade popular enraizado na população de Belver.” (1)

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O Castelo de Belver é um Miradouro excecional
O castelo tem vistas maravilhosas, sobre o Tejo coleante, a praia fluvial do Alamal (*) e os passadiços do Alamal, a Barragem de Belver e o casario da povoação; é usual verem-se águias pesqueiras a mergulharem no Tejo

Notas Adicionais:

(1)-https://www.mediotejo.net/gaviao-o-que-sao-as-santas-reliquias-da-festa-anual-de-belver/

(2) http://www.tintazul.com.pt/castelos/ptg/gav/belver.html 

Créditos Fotográficos: A ótima fotografia é do José Branco publicada no site Olhares

Notas: o texto, entre aspas, é da autoria de Luís Filipe Dias e foi ligeiramente modificado por nós.

5 Locais Notáveis da Ordem dos Cavaleiros de Malta (Hospitalários) em Portugal
Castelo de Belver (Gavião) (**)
Castelo de Amieira do Tejo (Niza) (**)
Mosteiro de Flor de Rosa (Crato) (***)
Mosteiro de Leça do Bailio (Matosinhos) (***)
Igreja de Vera Cruz do Marmelar (Portel) (*)

 

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