Castelo de Celorico da Beira (*)-E das bandas do Mondego uma águia voou sobre o castelo e aqui soltou das garras apetecível truta

A origem do castelo de Celorico da Beira é desconhecida, no entanto no século XVII foi descoberta uma inscrição romana referindo os nomes de três capitães do tempo do primeiro Imperador César Augusto.
Ocupada pelos maometanos, no entanto D. Afonso Henriques conquistato-o. Visando incentivar o seu povoamento e defesa, o soberano outorgou-lhe foral, atribuindo-se à Ordem dos Templários a direcção dos trabalhos de reedificação do castelo.
Este castelo, em conjunto com os de Trancoso (*) e  Linhares da Beira (*), foi importante na Idade Média na defesa contra os invasores espanhóis.
È o caso das escaramuças entre Dom Sancho I e o rei de Leão, Afonso IX. Este veio cercar o castelo de Celorico da Beira. A população de Linhares da Beira (***), a cerca de dez quilómetros, comandada pelo seu alcaide saiu em sua defesa e à calada da noite, libertou a vila irmã.
Na primeira invasão castelhana de 1385, as gentes dos três castelos venceriam a histórica Batalha de São Marcos em 1385 em Trancoso, contra Dom João de Castela. Nesse mesmo ano a segunda invasão muito mais poderosa derrotou Celorico da Beira, mas depois perdeu em Aljubarrota.
O significado da águia e da truta no brasão de Celorico da Beira 
O conde de Borgonha, futuro Dom Afonso III, cercou o castelo, mas o alcaide tinha feito menagem ao rei Dom Sancho II e só dele receberia ordem para entregar as chaves do castelo. Doente e desmoralizado, Dom Sancho exilara-se em Toledo, mas continuava a ser o monarca e o alcaide Fernão Rodrigues Pacheco mantinha-se fiel ao juramento que só a palavra de Dom Sancho ou a sua morte poderiam anular.

A ajuda chegou do céu, mas não divina. Dos lados do rio Mondego uma águia voou sobre o castelo e aqui soltou das garras apetecível truta. Emprego-a o alcaide da melhor maneira, dando-a cozinhada, com os restos de farinha do celeiro exausto ao futuro Dom Afonso III; ia também uma gentil carta na qual o alcaide justificava a preservante defesa, acrescentando não ver utilidade no cerco pois havia uma boa guarnição no castelo e mantimentos não faltavam. Entendeu o Conde de Bolonha melhor levantar o cerco e avançar para Coimbra. Aí deparou com outro alcaide da mesma qualidade, Martim de Freitas, que só viria a entregar as chaves do castelo de Coimbra nas mãos do cadáver de Dom Sancho II em Toledo. Também agora estamos a precisar de portugueses honrados.
A estrutura do Castelo de Celorico da Beira
O Castelo de Celorico da Beira, que é um belo exemplar de estilo românico e gótico, assenta numa colina fragosa granítica e a vila trepa em seu redor, exceptuando a poente.
Não sendo muito amplo, tem uma poderosa muralha, um largo adarve, com estreitas escadas de acesso, duas portas góticas e uma impressionante torre, que provavelmente não seria a de menagem e dois cubelos. No acidentado terreiro existem vestígios da torre de menagem e da cisterna.

A fortaleza é também um bom miradouro para o rasgão tectónico contornante do rio Mondego, para os campos férteis no sopé do limite norte da Cordilheira Central Portuguesa. A vista é variada, sendo um consolo para quem aprecia e/ou entende de geomorfologia.
Vê-se muito bem na Serra da Estrela (****), a  Penha do Prado (*) a ponte da Lavadeira, a estrada romana  bem preservada e pressinto por detrás de uma cumeada a necrópole de São Gens com a Pedra do Sino(*) e as pastagens, que alimentam as ovelhas responsáveis pelo afamado queijo da Serra. Põe-se o viajante a imaginar os portugueses leais que se viram ali sitiados que mereciam ser homenageados pela visita do turista sabedor, mas por enquanto ainda não, porque o castelo de Celorico da Beira está finalmente a ser requalificado.

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Um comentário Castelo de Celorico da Beira (*)-E das bandas do Mondego uma águia voou sobre o castelo e aqui soltou das garras apetecível truta

  1. João Vieira says:

    Portugueses honrados
    Agora aos portugueses só falta assumir de vez Olivença que é e será sempre portuguesa agora como antes só precisamos de portugueses honrados. Viva Portugal
    João Vieira

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