Castelo de Penela (**)-é um dos mais belos castelos da região centro

Castelo de Penela

O Castelo de Penela é um dos mais belos castelos da Beira Litoral, apenas suplantado pelo colosso de Montemor-o-Velho (***) e igualando o de Leiria (**). O Castelo de Penela fez parte da rede de fortalezas de defesa que protegeu Coimbra, os “Campos do Mondego” e todo o território recém-formado de Portugal. Também do castelo de Penela se avista um magnífico panorama.

Dom Sesnando, Dom Afonso Henriques a Reconquista Cristã e o Castelo de Penela

Neste morro não existem vestígios materiais de ocupação humana anteriores à época da Reconquista cristã da Península Ibérica.
Em 1064 deu-se a conquista da região de Coimbra pelas tropas de Fernando Magno que entregou a administração do condado de Coimbra ao conde Dom Sisnando. A primeira referência escrita a Penela, data do ano de 1087 e surge no testamento do Conde que a povoou .
O alvazil de Coimbra mandou erigir, nesta colina gresosa, um castelo de Penela a partir do qual poderá ter nascido a povoação (a designação poderá derivar do étimo celta de penna- que significa pequeno penhasco). Deste tempo deverão ser as sepulturas antropomórficas existentes no interior das muralhas junto às escadas do castelejo.

Castelo de Penela

A primeira fonte de que dispomos na vida do primeiro rei de Portugal em relação a Penela é o seu Foral, concedido em 1137. De certeza que o Castelo Penela terá tido um papel importante na guerra de Dom Afonso Henriques (1112-1185) contra os sarracenos e faria parte de uma rede de castelos que protegiam a linha do Mondego, Coimbra e o restante território portucalense. Melhor, pior conservados ou já inexistentes, as fortalezas ou simples torres de vigia são as seguintes: Lousã (Arouce) (*), Miranda do Corvo, Coimbra (no concelho fica ainda a Torre de Bera), Penela (**), Germanelo (*), Torre dos Castelo Melhor (**) em Santiago da Guarda, Torre de Vale Todos, Torre de Alvorge (Ladeia), Redinha, Ega, Pombal (**), Soure (*), Montemor-o-Vellho (***), Santa Eulália e Leiria (**). Mas para além de factos lendários, da ferocidade das batalhas ou (re)conquistas entre mouros e cristãos, nada sabemos sobre o papel do reduto de Penela neste período.

Acredita-se que date desse tempo uma reedificação do castelo de Penela, providência renovada sob os reinados de D. Sancho I (1185-1211) e de D. Dinis (1279-1325). Aqui viveu algum tempo o infante Dom Afonso, filho do Rei Dom Dinis e que viria a ser Dom Afonso IV (1325-1357); o segundo filho deste também de nome Afonso, aqui nasceria e morreria, o que confirma a importância régia da Vila.
A degola do alcaide do Castelo de Penela, primo de Dona Leonor Teles
Na crise de 1383/85, tendo o alcaide de Penela, D. João Afonso Telo, conde de Viana e Alvito e primo de D. Leonor Teles tomado facção por Dona Beatriz, mulher do rei de Castela e herdeira legal do trono português, um dia, quando saía aos campos para fazer cobrança de alimentos, foi emboscado à porta do castelo por populares; tendo caído do cavalo, um deles, que Fernão Lopes chama de Caspirre, degolou-o; “os seus, quando o viram morto, fugiram todos, e os da vila tomaram logo voz por Portugal” (Crónica de D. João I, por Fernão Lopes). O castelo de Penela passou-se para as hostes do Mestre de Avis e mandou procuradores às cortes de Coimbra onde o Mestre foi eleito rei de Portugal.
O Castelo de Penela e o Infante Dom Pedro
Em 1408 D. João I doou o senhorio de Penela ao seu filho, o Infante D. Pedro, posteriormente Duque de Coimbra e regente do reino; este é uma das figuras mais importantes da História de Portugal, pertencente à ínclita geração e influência mor do seu neto – o Príncipe Perfeito ou seja Dom João II (1455-1495) –um dos maiores vultos da História da Humanidade. O regente aqui empreendeu grande campanha de obras: foram erguidos o paço ducal e a Igreja de São Miguel, bem como reedificados o castelejo e a Porta da Vila. As gentes de Penela foram fiéis ao seu Senhor lutando e morrendo com ele na Batalha da Alfarrobeira.

Em 1433, D. Duarte, retribuindo a um apelo de seu irmão D. Pedro, criou a Feira de S. Miguel, a Feira das Nozes, que desde 1434 se realiza todos os anos a 29 de Setembro.
D. Afonso V concede o título de Conde de Penela a Afonso de Vasconcelos e Meneses. Após a morte do 2º conde de Penela, a vila passou para D. Jorge, Mestre de Santiago, Duque de Coimbra, filho bastardo de D. João II.
Sob o reinado do rei Dom Manuel (1495-1521), Penela teve novo Foral em 1514 e foram promovidas obras no castelo.
Em 1550 com a morte do Duque de Coimbra, o Castelo passou para a Casa de Aveiro, na qual permaneceu até 1759, ano da sua extinção devido ao atentado a D. José. O terramoto de 1755 destruiu a torre do relógio (de menagem), que datava de 1300.
Depois de ter entrado em ruínas, o castelo de Penela foi restaurado no ano de 1940 com desmantelamento dos edifícios adossados às muralhas. Ainda recentemente procedeu-se à construção do anfiteatro, a requalificação do r/c da casa paroquial para museu de arte sacra e a consolidação e limpeza das muralhas.
Arquitectura e um pedaço de Geologia
A construção medieval do castelo de Penela desenha um polígono irregular, estendido no sentido Norte-Sul aproveitando o escarpado natural, pelo que os panos de muralha têm altura que varia entre 7 e 19 metros adaptados ao terreno gresoso- sendo a Oeste mais elevados e fortificados que os a Este. As muralhas estão equipadas com ameias, merlões e seteiras. Tem uma área de 5 mil metros quadrados. O que hoje existe foi essencialmente construído nos séculos XIV e XV. É imponente a dimensão da muralha articulando-se com torreões de diferentes tipos, assente no gigantesco afloramento de areno-conglomerático Grupo “Grés de Silves”, com pedagógicas figuras sedimentares; também aqui se pode fazer uma boa aula de sedimentologia. A colina é o dorso de uma gigantesca criatura triássica, testemunha de correntes fluviais energéticas declinando de altos declives, como resposta ao primeiro afastamento do rift, que nos separaria, do que é hoje o continente Americano (tenha paciência amigo leitor para tanta terminologia geológica).

Na cerca de muralhas, que envolvia a vila medieval com suas casas, ruas e igreja de São Miguel, rasgam-se as duas portas existentes. A Porta da Vila ou do Cruzeiro (séc. XV), e a ilustre Porta da Traição ou dos Campos, com dupla abertura em cotovelo integrada numa torre. É romântica entrada bem como todo o caminho que ladeia a base do castelo a nascente, com as suas depressões escavadas no grés, os seus banquinhos e o panorama-a apelar à contemplação, à sesta e ao namoro!
O vazio existente na muralha correspondia à porta principal que ruiu no século passado, virada a sul, guardada pela torre pentagonal, que ligava o arrabalde directamente à igreja e que bem poderia ser restaurada.
O castelejo, adossado à muralha nascente, é admirável; com as suas escadinhas escavadas no penedo, as suas três sepulturas da Baixa Idade Média, a sua porta gótica, os três trons, e principalmente, o inolvidável panorama que se alcança.
A igreja de São Miguel (matriz de Penela)
O foral de Penela em 1137 alude a presença de uma igreja no interior do castelo. Da remodelação efectuada pelo Infante das Sete Partidas nos finais da primeira metade do século XV nada ficou; o edifício que hoje se pode apreciar é o resultante de uma reforma efectuada na segunda metade do século XVI. A igreja é bonita, mas banal. É constituída por três naves, separadas por duas arcadas sobre colunas de base octogonal e capitéis da renascença. A capela-mor é revestida por talha barroca vulgar. Nos flancos laterais existem duas capelas abobadadas com arcos da renascença. O maior destaque do templo, é a formosa imagem da Senhora com o Menino, em Pedra de Ançã, da autoria de João de Ruão executada por volta de 1530.
O panorama do Castelo de Penela
Como é belo o panorama visto do castelejo ou da torre quinaria, esta avançada como proa de um navio!
A Sudoeste vemos a Cordilheira Central xistosa, desde os Penedos de Góis aos Penedos do Espinhal, com a capelinha de São João do Deserto (*), ambos cristas quartzíticas. O verde dos pinhais alastra desde o topo dos montes até ao sopé da Cordilheira, nos flancos da montanha a alvura das aldeias de xisto, as pequenas ribeiras que escavam ravinas apertadas, negras, que quebram o verde dominante; numa delas está a Cascata da Pedra da Ferida (*) na ribeira da Azenha; na aba da cadeia montanhosa um alinhamento de povoações, com destaque para a vila do Espinhal. Voltando o olhar para Sul, o dorso próximo do Monte Vez (*) barra-nos a vista e mais perto, mesmo aqui, espraia-se colina abaixo, a bonita vila de Penela; a Nordeste, entre montes boleados, a clareira do Senhor da Serra (*) e a poente, entre terrenos vermelhos, ferruginosos, pingues, várzeas agrícolas resistem ainda ao tempo.
Para muitos o Castelo de Penela é o mais belo de Portugal, o leitor concorda?

Ver aqui mais algumas belas fotografias do Castelo de Penela.

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Um comentário Castelo de Penela (**)-é um dos mais belos castelos da região centro

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