Castelo do Sabugal

Castelo do Sabugal

Castelo do Sabugal. A torre de menagem das cinco quinas é única em Portugal.

O Castelo do Sabugal é uma robusta fortaleza construída nos séculos XIII e XIV. A torre de menagem de invulgar altura, elegância e formato – a Torre das Cinco Quinas – é inesquecível. Assente numa colina sobranceira ao rio Côa, todo o conjunto monumental da fortaleza medieva é admirável.
 História do Castelo do Sabugal
O morro onde se implantou o núcleo primitivo do Sabugal, a cavaleiro  do rio, terá sido habitado por povos primitivos. Ali estiveram de certeza romanos que provavelmente ocupariam um povoado romanizado.
A epígrafe do Touro no Largo do Castelo do Sabugal

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Marcos Osório o arqueólogo que tem feito um notável trabalho no concelho do Sabugal, descobriu no largo do Castelo do Sabugal, em 2006, uma epígrafe com a inscrição CRISPIN/VS CRIS/(…) [Crispino, (filho de) Cris (po?) (…)] que nos identifica o nome de quem terá erigida a ara; esta representa um touro e prováveis diversos utensílios sacrificiais. O touro era considerado a oferenda por excelência dos sacrifícios na religião romana, tendo sido abundantemente representado em moedas, esculturas, pinturas e baixos-relevos.
No Cabeço das Fráguas (*) (Benespera-Guarda),muito próximo do Sabugal, que alias tem também reclama, este espaço como seu, existe uma epígrafe gravado em granito que regista o sacrifício de vários animais, entre eles, o touro, a divindades lusitanas.

Na Idade Média, foi ali fundada uma povoação cristã com castelo altaneiro e muralha envolvente. Segundo a lenda, houve uma transferência da povoação original, o Sabugal Velho, que estava junto à atual Aldeia Velha, cujo povo terá fugido a uma praga de formigas. História espantosa que é um arquétipo no nosso território, o que significará? As “formigas” serão de certeza um povo invasor.
Na época da Reconquista cristã da península Ibérica, as terras do Sabugal foram inicialmente conquistadas possivelmente por D. Afonso Henriques em 1160, vindo a ser perdidas logo após para o reino de Leão.
Em 1296 Dom Dinis ocupa o castelo do Sabugal, no entanto a sua posse oficial para Portugal só foi assegurada pelo Tratado de Alcanices em 1297. O soberano, a partir de então, procurou consolidar essas fronteiras, fazendo reedificar os castelos de Alfaiates, Almeida (***), Castelo Bom (*), Castelo Melhor (*), Castelo Mendo (**), Castelo Rodrigo (**), Pinhel (*), Sabugal (**) e Vilar Maior (*). Iniciam-se, nesse contexto, os trabalhos de ampliação e reforma do castelo do Sabugal, reforçando-se as muralhas que ganharam dois grandes torreões dominados por uma alta torre de Menagem. As obras, referidas por Rui de Pina, foram concluídas em 1303. Credita-se ainda, a este soberano, o estabelecimento, nestes domínios, de um couto de homiziados para povoamento, privilégio que visava atrair povoadores. Alguns documentos confirmam que este privilégio se encontrava em vigor ainda em fins do século XV. Também pelo rei Dom Dinis, Sabugal teve carta de foral.

Foi no castelo do Sabugal que se celebraram, em 1328, os esponsais do rei Afonso XI de Castela com a nossa infanta Maria, filha de D. Afonso IV. Mas logo após os festejos, o mesmo castelo foi repetidamente usado pelo nosso rei na guerra que moveu contra o seu genro, que durou até ao ano de 1340.

Castelo do Sabugal Duarte de Armas

Castelo do Sabugal

No reinado de D. Manuel I, o Castelo do Sabugal encontra-se figurado por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509), tendo recebido obras de beneficiação, concluídas em 1515, conforme inscrição epigráfica sobre o portão principal. Vale a pena conversarmos umas linhas sobre Duarte d’Armas, eu se tivesse período gostaria de ter sido o Duarte de Armas, nascido cerca de 1465 em Lisboa, escudeiro da Casa Real, percorreu todo o Portugal, para desenhar todos os castelos de Portugal, que viagem, que aventuras, enfim esta estória real é realmente fantástica, que se traduziu na obra «Livro das Fortalezas que são situadas no extremo de Portugal e Castela» (c. 1509), editada a pedido de D. Manuel I. O rei encarregou o autor de fazer o levantamento de todas as fortificações que faziam fronteira com Castela, desde Caminha a Castro Marim. O Castelo do Sabugal foi desenhado em duas panorâmicas e uma planta. As suas anotações, onde se pode ver a localização do Sabugal, constituem um precioso contributo para o estudo da vila medieval e da sua evolução.

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No contexto da Guerra da Restauração, foram feitas obras de modernização na sua estrutura, inclusivamente na medieval na Torre do Relógio. Nesta no século XVII esteve aí detido o poeta e cavaleiro Brás Garcia de Mascarenhas, célebre pelas suas aventuras e desventura digno de poder ser a figura maior de Alexandre Dumas e também autor poema épico Viriato Trágico, natural da vila nobre de Avô (*).
No início do século XIX, no contexto da Guerra Peninsular, aquartelou tropas inglesas e portuguesas que deram combate às tropas napoleônicas em retirada, sob o comando do general Massena (Abril de 1811), na batalha do Gravato, a última batalha napoleónica  em território português.
Posteriormente desguarnecido e abandonado, a sua praça de armas foi utilizada pela população da vila como cemitério, de 1846 a 1927. Os habitantes, passaram a retirar pedras das muralhas para reutilizá-las em suas construções.
A partir de 1940 o Castelo tem sido alvo de muitas intervenções para restauro e consolidação, sendo o mais recente o auditório no interior do Castelo.

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Castelo do Sabugal

Estrutura do Castelo do Sabugal

Em posição dominante, ergue-se o castelo, que apresenta planta no formato quadrangular. O topo das muralhas, em aparelho misto de cantaria de granito e de xisto, é percorrido por um largo adarve, protegido por merlões, nos quais se rasgam troneiras. O adarve é acedido por quatro escadas internas. Os muros são reforçados por três sólidos torreões nos ângulos, e por um quarto, localizado no centro do pano de muralha pelo lado sudoeste. Estas torres são rematadas por ameias piramidais, assim como a magnífica Torre de Menagem, de invulgar altura com planta pentagonal.

Torre das Cinco Quinas, só há uma em Portugal

A torre das cinco quinas é única em Portugal, pela sua monumentalidade e altura de 38 metros e pela sua forma pentagonal. Dom Dinis tinha o gosto de concertar as torres bem altas. O interior da torre das Cinco Quinas, em estilo gótico, é dividido em três pavimentos, com tetos abobadados e fechos ornamentados por escudos com as quinas nacionais. O compartimento superior é iluminado pelas portas que dão acesso a balcões com matacães. Entre a torre de menagem e o torreão do ângulo leste inscreve-se um balcão ameado, vigiando a entrada principal da praça de armas. Inferiormente, na zona exterior, corre a cerca da barbacã – dispositivo defensivo que une e reforça as muralhas do castelo, igualmente rematadas por maciços merlões com aberturas de troneira cruzetada. Apoiam as suas muralhas em dois pequenos cubelos circulares, abrindo-se próximo de um deles um pequeno portal de arco em ogiva. As muralhas do perímetro urbano desapareceram, apenas subsistindo a Porta da Vila, a Torre do Relógio anexa e um troço de muralha a Oeste. A cerca da vila apresentava conformação aproximadamente oval.
Para muitos, apesar de pequeno, este castelo é o mais belo de Portugal, eu não sei se o considero como tal, mas é incontestavelmente notável.
O castelo do Sabugal está classificado como Monumento Nacional, é conhecido pelas suas cinco quinas e é o mais imponente monumento medieval da região de Riba Côa e simboliza a força do povo da região.

Notas: Este texto foi adaptado do artigo sobre o Castelo do Sabugal no Wikipedia e parabéns ao autor.

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2 comentários Castelo do Sabugal

  1. Isabel Forte says:

    É muito bonito vale a pena visitar.

  2. Josnumar says:

    Excelente trabalho.
    Há património notável em Portugal.
    Agradeço a visita e visitá-lo-ei mais vezes.
    Um abraço.

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