Saturday, September 20, 2014

Espaço sagrado de São Pedro de Vir-a-Corça (Monsanto-Idanha-a-Nova) (***)

4 Razões para visitar São Pedro de Vir-a-Corça

 

- Por se situar na mais bela aldeia de Portugal

-Por ser um lugar mágico e místico na paisagem espiritual de Portugal

-Pela imensa beleza do lugar

-Porque é um local onde pode firmar a maior conquista do ser humano.

No sopé da encosta escarpada sobre a qual se ergue a Aldeia Histórica de Monsanto (***) encontra-se a Ermida de São Pedro de Vir/Ver-a-Corça, completamente isolada num bosque de sobreiros e rodeada por colossos blocos graníticos dispostos caoticamente -terá aqui o caos uma razão para existir ou o homem por motivos mágicos moldou a paisagem?
Poderíamos incluir o local como fazendo parte do conjunto histórico, “mistérico” e de beleza impar que é o Mons Sanctus – uma das mais belas aldeias europeias. Mas a aldeia está lá em cima, erguida no topo de uma imponente inselberg granítico com 758 metros de altitude, que declina em escarpa abrupta em cerca de 300 m para o lugar que agora visitamos; cá em baixo olhamos embevecidos para esta impressionante fortaleza medieval, que daqui, parece uma construção mágica associada aos gigantes dos romances de cavalaria.
O lugar de São Pedro de Vir-a-Corça  é esplêndido, marcado pela arquitectura rude e singela, mas inesperada, daquela capela românica, pelo bosquete sublime e também pelas enormes fragas boleadas que ampliam a monumentalidade do lugar e a sua fusão entre a natureza e o sagrado.
A igreja, que se constitui desde cedo como local de romaria e de feira, pelo menos desde os finais do século XIII (Dom Dinis concede carta de feira em 1308, consagrando provavelmente um uso existente), foi fundada entre os séculos XII e XIII de veneração associada ao São Pedro. Em 1613 constituir-se-á mesmo uma irmandade de São Pedro. Possui planta rectangular, com três naves definidas por quatro colunas jónicas, duas de cada lado e com abside e absidíolos rectangulares, denunciados volumetricamente pelo exterior. Também é muito curioso as 12 saliências rochosas na parede sul, que alguns autores creem ser um antigo relógio de sol.
Na fachada uma  rosácea emoldurada por motivos geométricos com quadrifólio central e 8 arcos trilobados radiais. A norte, encostada a capela, existem sepulturas medievais cavadas na rocha.

são pedro de vir a corça 2 300x171 Espaço sagrado de  São Pedro de Vir a Corça (Monsanto Idanha a Nova) (***)
Terá sido São Pedro de Vir-a-Corça um local semelhante ao Santuário Pagão de Panoias (***)?
A torre sineira defronte, muito pura, em arco de volta perfeita, sobrepuja-se a grande bola granítica. Ao lado, numa reentrância erosiva, aponta-se o local de uma gruta eremítica. Por cima grandes cavidades, que poderão ser lagaretas ou tanques de ablução a deuses pré-históricos.
Alguns destes pios espalham-se pelos afloramentos, alguns isolados outros conjugados, em depressões circulares ou poligonais decimétricas de origem antropormófica, alguns com cruzes gravadas (a posterior sacralização objecto pagão?); outros são claros gnammas, que poderão ter tido utilização humana.
Podermos estar em presença de algo semelhante ao Santuário de Panóias (***)? Ou serão simples tanques (reu)tilizados de apoio à feira medieval? ou serão simples lagaretas de vinho e azeite?ou, o que me parece mais acertado terem tido todas aquelas utilizações em diferentes épocas.
Em São Pedro de Vir-a-Corça quantidades imensas de cerâmica comum prendem-se aos nossos pés arrastados, prováveis resto de utensílios usados para transporte dos produtos dos feirantes, alguma mesmo muito tosca, talvez mais coeva de tempos medievais.

São Pedro de Vir a Corça 1 300x225 Espaço sagrado de  São Pedro de Vir a Corça (Monsanto Idanha a Nova) (***)

São Pedro de Vir-a-Corça (Monsanto)

Em muitos casos, este geólogo, não destrinça aquilo que foi feito por mão humana daquilo que foi operado pelo alargamento natural de fracturas pela água, o “nosso” grande escultor!
Apetece-me brincar aos eremitas, esconder-me nestes estreitos antros naturais (alguns afeiçoados) como o nosso anacoreta Amador, e ficar aqui para sempre afastados da espuma dos dias de hoje.
A Lenda do Santo Amador, Diana e Flidías em São Pedro de Vir-a-Corça
O topónimo do local está relacionado com a lenda da criança salva pelo demónio por Santo Amador, que ali se refugiava do mundo, e que a amamentou com leite de corça quatro vezes ao dia.
Na tradição popular, São Pedro é transformado em eremita. Assim se compreende que uma das mais lindas ermidas, numa das mais lindas paisagens, seja dedicada a São Pedro. Será São Pedro o Santo Amador?
A corça é consagrada a Diana (Artémis grega), a rainha dos bosques, que percorre todos os recantos dos prados, montes e vales. Diana era cultuada em templos rústicos nas florestas, como este, onde os caçadores lhe ofereciam sacrifícios.
Também associo Flidías ao local. Esta era a Deusa celta da sensualidade e Senhora das Florestas- portanto sua protectora. Um dos seus símbolos é a…corça.

São pedro de Vir a Corça 300x168 Espaço sagrado de  São Pedro de Vir a Corça (Monsanto Idanha a Nova) (***)

A magia de São pedro de Vir a Corça

Este texto que se segue foi adaptado do site das Casas do Cruzeiro (aqui) do amigo António, em Marialva, que uma vez nos salvou de dormir ao relento em Cidadelhe (Pinhel), mas adiante.

Esta lenda conta-nos a história de Ricarda, uma mulher com um feitio horrível. Toda a gente se afastava dela, família e amigos, não havia quem a conseguisse aturar. A única pessoa que a olhava com bondade era um santo homem que ninguém sabia de onde viera e que habitava uma gruta escavada numa rocha. Ninguém sabia o seu nome mas como ele dizia que amava a Deus e a tudo o que existia na natureza, ficou conhecido por Amador. Como era sábio e de uma grande bondade, muitos eram os que o visitavam para pedir conselhos ou conversar com ele. Como pagamento recebia água fresca, pão ou muito excecionalmente uma peça de fruta. Ricarda também visitava Amador mas nunca mudava de atitude. Queixava-se de toda a gente, em resumo estava sempre de mal com a vida. Tanto fez, tantos inimigos arranjou que um dia teve de partir para longe. Quando voltou trazia com ela um filho pequeno, mas a mesma raiva no coração. Como era de esperar o único que a recebeu com bondade foi Amador. Interessou-se pelo menino e pediu-lhe que o deixasse baptizar, mas Ricarda respondeu torto como de costume. Praguejava também contra a criança dizendo que o menino era chorão e que em vez de amigos mais depressa arranjaria diabos que o levassem para o inferno. Ao dizer estas palavras, levantou-se um vendaval, o sol desapareceu atrás de uma nuvem avermelhada e ouviram-se gargalhadas sinistras. Um bando de demónios levou o menino e na mesma altura o chão abriu-se e “engoliu” a amarga Ricarda. Amador rezou com tal fé pelo menino que os demónios o largaram em cima de uma rocha, sem um único arranhão. O bondoso homem recolheu o menino e tratou dele, contando com a ajuda de uma corça que aparecia para dar leite ao menino sempre que este tinha fome. E a corça nunca faltou e o menino foi crescendo sempre junto do seu amigo a quem se afeiçoou. Ambos adquiriram a fama de santos e junto a gruta onde viviam ergueu-se uma capela que ainda hoje lá está e se chama Ermida de São Pedro de Vir-a-Corça.

São Pedro de Vir a Corça 300x181 Espaço sagrado de  São Pedro de Vir a Corça (Monsanto Idanha a Nova) (***)

Por sorte ou recompensa deste destemido viajante (que aqui tinha estado por duas vezes com rodeado de tempo, silêncio e solidão) viu-se à terceira vez acompanhado pelo melhor abraço da sua vida e que tanto tempo durou  e com tal enleio que jamais poderá esqueçer; se não era Diana ou Flídias, perto lá andava tão bonita e benigna divindade. É caso para dizer que à terceira é de vez.
Este espaço, com os sons da natureza, o verde, Diana, Flídias, o gigantesco caos de blocos dos barrocos graníticos, a capela românica, os tanques, gnamamas, e o sombreado do maravilhosos chaparral, convida-nos à introspecção e para os crentes no além, em sentido lato, numa experiência religiosa única.
Termino com a frase de Maria Adelaide Neto Salvado que rtirada do texto de Paulo Pereira.
“ Em São Pedro de Vir-a-Corça perdura, dum modo diríamos palpável, o espírito do lugar, o geniu loci, que conferiu a este lugar a particularidade de Santuário, pois aí se respira hoje, muito densamente, esse sentimento do Sagrado.”
Bibliografia: PEREIRA, Paulo – Enigmas Lugares Mágicos de Portugal. Templários e Templarismo. Vol V III , Círculo de Leitores, 2005.


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Museu Arqueológico do Fundão (*)

5 Razões porque deve visitar o Museu Arqueológico do Fundão

1-Por ser um espaço de defesa e salvaguarda da arqueologia da Cova de Beira
2- Pelo seu rico património arqueológico de uma maneira geral,mas em que destacamos:
3- A Estela do Telhado;
4- A Estela-Menir das Corgas
5-A Ara de Trebaruna

O Museu Arqueológico do Fundão (Municipal José Monteiro) localiza-se no seu centro histórico, no solar Falcão d’Elvas e a estrutura é originária do século XVI. As obras de maior monta foram feitas nos séculos XVIII e XXI que permitiram a abertura do Museu em 2007.
Penso sempre que um espaço onde se vive é aquele que nos protege contra os elementos naturais e humanos que de forma consciente ou inadvertida nos tentam danificar-isto quando os inimigos não estão no seu interior. Se assim se passa com as pessoas o mesmo se passa com os objetos de arte que oriundos de uma região devem ter a sua “casa” nesse mesmo território.
Depois de estudados devidamente e se tiverem valor museológico devem ser protegidos e exibidos ao público em espaços adequados. É um erro muitos objetos patrimoniais com valor turístico serem movidos para outros museus (principalmente para o Museu Nacional de Arqueologia) onde ficam, por vezes encaixotados, em esconsas catacumbas no fundo de reservas, quando no seu concelho de origem poderiam ser uma mais-valia económica para o turismo local.
Talvez por essa razão decidiu o concelho do Fundão construir o Museu Arqueológico do Fundão para albergar o rico espólio que tem sido descoberto.
O Museu Arqueológico do Fundão para além de ser um sítio de exposição arqueológica, é também um pólo de dinamização cultural, científico e pedagógico.
“Dispõe de várias valências, sala de exposição permanente (que reúne peças arqueológicas que vão desde a Pré-história ao final do Período Romano) até ao espaço de exposições temporárias, passando pelo auditório, laboratório de conservação e restauro, biblioteca especializada em História e Arqueologia, um espaço Internet e cafetaria. “1
Museu Arqueológico do Fundão dispõe de uma sala de exposição permanente que reúne peças que permitem uma investida cronológica por três grandes períodos: Pré-história (Paleolítico, Mesolítico, Neolítico e Calcolítico), Proto-história (Idade do Bronze e Ferro) e Período Romano (povoamento, quotidiano e epigrafia).

Duas das mais importantes descobertas da arqueologia portuguesa no século XXI no museu arqueológico do Fundão

Entre o rico espólio do museu arqueológico destacamos 3 peças. Muito recentemente foi descoberta em maio de 2012 uma estela da idade do Bronze, com 2,70 metros de altura num terreno agrícola da freguesia do Telhado; é o maior monumento deste género descoberto até hoje na Península Ibérica. Pode aqui ver o vídeo sobre a estela do Telhado.
A descoberta desta estela a e do Mosaico com cenas da Eneida, em Alter do Chão, são das mais importantes da arqueologia portuguesa do século XXI sob o ponto de vista estético e turístico. Tão recente é a descoberta que ainda não tive o aprazimento de a visitar.
Estátua-menir no sítio de Corgas
Um outra achado recente, e este sim já vimos, foi a estátua-menir de Corgas, proveniente da aldeia de Chãos, freguesia de Donas.
A espetacular estátua do menir das Corgas, Identificada em 2008, corresponde a um reaproveitamento de um menir de cronologia neo-calcolítica em época posterior (Idade do Bronze).
Aconselho-o a reler alguns artigos já publicados no Portugal Notável sobre menires e o seu significado.
-Menir da Meada (Castelo de Vide)
-Menir do Vale Maria Pais (Penedono)
A estátua-menir de Corgas foi talhada num grande bloco de granito de cor bege e esculpida em duas faces, frontal e lateral. Apresenta forma ovóide com um comprimento de 2,80 m e uma largura máxima de 0,65 m. Possui uma longa fratura antiga na face não decorada. Trata-se assim de um menir fálico reaproveitado em época posterior, ao qual se procurou dar um aspeto antropomórfico, nomeadamente delimitando a zona da cabeça por uma “gola”.
Apresenta decoração em duas faces lateral e frontal. Fazem parte dos motivos representados uma figura bi-ancoriforme, uma espada, correias de suspensão e uma fossete.
Pela iconografia apresentada, podemos enquadrar este monumento no grupo das chamadas estelas alentejanas ou de tipo I da Idade do Bronze, uma cronologia atribuível a meados do II milénio a.C; ou seja depois da construção de um menir Neolítico, alguns milhares de anos mais tarde os homens reutilizaram-no e talharam um símbolo do poder da idade do Bronze. Esta civilização já era detentora do domínio da metalurgia, embora a posse de armas nessa altura fosse provavelmente uma exceção, se não mesmo um luxo, revelador do estatuto do seu detentor. A par destes elementos bélicos surgem os enigmáticos ancoriformes, talvez símbolos de poder.
A função deste tipo de monumentos não é ainda hoje pacifica entre os autores que os tem estudado. Para alguns têm uma função claramente funerária funcionando como tampas de sepultura ou segundo M. Varela Gomes como verdadeiras estelas, “estelas e não tampas” (2006, p. 50) colocadas na vertical junto à sepultura de indivíduos com um estatuto diferenciado, identificando assim os restos mortais de chefes-guerreiros.

Museu Arqueológico do Fundão 200x300 Museu Arqueológico do Fundão (*)
Estela do Telhado

Outros autores defendem para as estelas decoradas ou de guerreiro uma função de marcos de referência, visíveis na paisagem, assinalando recursos, vias de passagem ou limites territoriais de um grupo determinado.
Segundo estes autores poderão estar relacionadas com o mundo funerário, não no sentido apenas da indicação da sepultura, mas antes no sentido de comemoração ou heroificação do defunto, sendo referências visíveis na paisagem para aqueles que se deslocam por um território.
Às vinte cinco estelas completas ou fragmentadas conhecidas como estelas alentejanas enquadráveis na Idade do Bronze Médio do Sul de Portugal, junta-se agora este monumento encontrado no concelho do Fundão. E que pela sua localização e estado de conservação é um dos melhores originais de Portugal que merece por si só uma viagem ao museu arqueológico do Fundão.
Trebaruna- A Casa dos Segredos
Um outro do objeto marcante do museu arqeuológico do Fundão é a ara dedicada a Trebaruna que no século XIX foi descoberta na sua área urbana  conjuntamente com outra ara, a da Deusa Vitória. Trebaruna seria uma Deusa lusitana da idade do ferro que, com a chegada da religião romana, foi relacionada à Deusa Vitória, passando os dois cultos a serem celebrados em paralelo. Certo é que as duas aras são muito semelhantes e até foram encomendadas por um soldado chamado Tongio da aldeia histórica de Idanha-a-Velha (***). A ara da Trebaruna é mais antiga do que a ara da vitória. Como sabemos isto, pergunta o atento leitor? Este soldado foi à guerra e voltou e mandou fazer outra lápide. Agora  ele é um signifer, que é o porta estandarte, o homem que vai  intrepidamente à frente no combate. O valente Tonguius,  volta assim ao Fundão, depois de ter encontrado o êxito, a promoção e glória e ergue uma ara a Deusa Vitória.
A ara da Trebaruna tem a seguinte inscrição.
“Tongio, filho de Tongétamo, Igeditano, (natural da cidade romana que se encontra sob a aldeia histórica de Idanha-a-Velha) soldado, dedicou esta ara a Trebaruna, cumprindo de bom grado o voto que lhe tinha feito”
Segundo Leite de Vasconcelos, o genial autor de “Religiões da Lusitânia”, o significado do nome dessa Divindade seria “Segredo da Casa” ( do celta “Trebo” = casa; “Run = segredo, mistério”).
Ainda segundo o sábio da Ucanha, esta Deusa começou por ser um génio doméstico que habitava uma casa e que protegia os seus moradores, passando mais tarde a ser uma Deusa guerreira e evoluindo do de Guardiã do Lar para Deusa da Guerra ambas as funções poderiam ser concomitantes na mesma Divindade.

Provavelmente Trebaruna seria uma das principais deusas do panteão romano da idade dos Metais da Lusitânia. Relembro aqui uma solitária ascensão ao Cabeço das Fráguas (Guarda) (*), em que existe uma inscrição que para além de referênciar outros deuses, associa o sacrifício de uma ovelha com a  “Trebaruna”.
Qual a relação entre a Nike e o Museu Arqueológico do Fundão?
Já estávamos a tomar um cafezinho, quando voltei atrás porque não vi a ara vitória e quase jurei a pé juntos que ela estava no museu; ainda bem que a inquisição já não existe, porque a jura tinha sido falsa e assim não sei que sevícias é que não me fariam! Porque a ara soube depois, está no museu Nacional de Arqueologia.
Sou aficionado por basquetebol e ao longo destes anos tenho tido sempre umas sapatilhas com a marca Nike. Mas quantos saberão aquilo que calçam? Tenho que dar uma explicação aos compinchas que costumam jogar comigo, bem mas o leitor amigo como não prática tal desporto também tem aqui a oportunidade de saber da relação entre uma marca de vestuário desportivo e as vetustas pedras instaladas no museu arqueológico do Fundão
Pois Nike era uma deusa grega que personificava a vitória, representada por uma mulher alada (eis o símbolo da marca). Os romanos designaram o nome de Victória para Nice, daqui também nasce o nome da importante cidade francesa.
A marca Nike foi assim criada por inspiração e alusão direta à Deusa greco-romana, primeiro Nice e depois Vitória (esta  uma transposição romana da grega), obtendo dela o seu nome e o símbolo que é alusivo às asas dessa mesma divindade. Já agora mais uma nota, também era comum na antiguidade utilizar como saudação ou gesto de vitória um sinal que se fazia com a mão aberta unindo todos dedos à exceção do polegar, formando uma espécie de V assimétrico que ainda fazemos.
Para terminar não me posso esquecer de dizer que a ara da Vitória diz o seguinte:
Tôngio, filho de Tongetano, soldado veterano, poria-bandeira da coorte segunda dos Lusitanos, cumpriu de boa mente o voto à Vitória. Arduno, filho de Cominio, fez {este monumento)»
Enfim, o museu arqueológico do Fundão está de parabéns, porque ao trabalhar desta forma veio enriquecer e ampliar o património cultural notável de Portugal. Só falta mesmo é a Trebaruna estar junto à Vitória.
Referências adicionais:
GOMES, M. V. (2006). Estelas funerárias da Idade do Bronze Médio do Sudoeste Peninsular – A iconografia do poder. In Actas do VIII Congresso Internacional de Estelas Funerárias. Lisboa: Museu Nacional de Arqueologia (O Arqueólogo Português; suplemento 3), p. 47-62.
Banha, Carlos…-A estátua de Corgas (Donas, Fundão), contributo para o estudo da Idade do Bronze na Beira Interior (2009). Nota: temos este trabalho em PDF se desejar podemos envia-lo.
Contactos do Museu Arqueológico do Fundão:
Rua do Serrão 13-15 – Fundão
Tel: 275 774 581
geral@museuarqueologicofundao.com Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
www.museuarqueologicofundao.com

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Miradouro da Sarnadela (Fundão) (*)- O rio Zêzere a meandrar

2 Razões porque deve visitar o Miradouro da Sarnadela
1-Pela magnífica paisagem para a Cordilheira Central desde a serra de Estrela até à crista quartzítica do Muradal
2- Pelo bonito meandro do rio Zêzere que aqui é muito didático.

Na história recente de Portugal fomos iludidos com uma riqueza económica que não temos e passamos a considerar que poderíamos viver de recursos inexistentes.
Bem, mas na verdade temos algo que não temos sabido aproveitar economicamente e que é o nosso vasto património notável; por exemplo um miradouro num local aprazível é um bem para todos: para os turistas, para as gentes da terra, para a economia da região e do País.

Qual será o valor de mercado do miradouro da Sarnadela?

Quando íamos ver as gravuras rupestres do rio Zêzere, o Museu Arqueológico do Fundão (Museu Dr. José Monteiro), Alpedrinha e Castelo Novo, ao longo da Estrada Nacional 238 deparamos sem intenção com este bonito miradouro da Sarnadela que se situa entre Bogas de Baixo e Barroca do Zêzere.
Como tenho sempre a veleidade de ter os melhores textos da internet sobre os locais notáveis, procurei alguns dados na internet e pouco achei, pois apenas encontrei uma alusão ao miradouro da Sarnadela no blog um Portugal Desconhecido e logo com um título pomposo “Uma imagem que vai correr mundo”, tanto não digo, mas que é um miradouro com um magnífico panorama lá isso é!
Do Miradouro da Sarnadela encontramos um bom troço da Cordilheira Central portuguesa, assim da direita para a esquerda temos: a granítica Serra de Estrela, os altos cumes boleados xistentos de São Pedro do Açor, o pico da Cebola e a notável crista da serra do Muradal, que inclui os visíveis Penedos de Fajão aqui percetíveis, titânica muralha quartzítica que vai ondeando levemente ao sabor da tectónica. Defronte está o maior destaque do miradouro da Sarnadela e que é o belo meandro do rio Zêzere.

Miradouro da Sarnadela Fundão 300x200 Miradouro da Sarnadela (Fundão) (*)  O rio Zêzere a meandrar

Miradouro da Sarnadela Fundão

O que é um meandro?
Um “meandro” é uma curva acentuada de um rio. O termo deriva do rio Meandro, na Turquia, caracterizado por um curso muito ondulado, e o termo tem sido usado desde o século XVI.
Os meandros modificam a sua forma e posição de acordo com as variações de energia e de carga fluviais. Originam-se e evoluem devido à força dinâmica do fluxo fluvial, à força de Coriolis, e aos processos geomorfológicos. Assim um meandro forma-se quando um rio começa a curvar porque a água flui em torno de obstáculos (rochas mais duras). A o curvar, nem que seja muito ligeiramente, a velocidade do fluxo fluvial é maior na parte externa- o que causa maior erosão- do que na parte interna do meandro onde se depositam sedimentos, o que acarreta ao seu pronunciamento. Por esta razão, o curso fluvial tem tendência permanente para se deslocar na direção da margem côncava do meandro.

meandros de rios 2 300x124 Miradouro da Sarnadela (Fundão) (*)  O rio Zêzere a meandrar
Este didática forma morfológica do rio Zêzere, que tão bem se vê do miradouro da Sarnadela, encaixado no xisto, devido à força do fluxo da água que continua a erodir a montante causando um estrangulamento no “pescoço” do meandro, num porvir próximo de anos ficará abandonado e fechado e formará uma pequena lagoa em forma de U que depressa se desvanecerá originando um solo fértil que poderá ser aproveitado para a agricultura.
Uma nota que no futuro aqui se desenvolverá
Aqueles montes de seixos desbravados quase parecem Conheiras Romanas da mineração romana de Vila de Rei, mas devem ser simples extração de areia para construção civil que assim vai deturpando as margens do rio.
Vêm-nos agora à memória que é nesta região que se encontram as grandiosas minas da Panasqueira (**) que exploram um conjunto de filões quartzosos sub-horizontais com mineralizações de Volframite, Cassiterite e Calcopirite. Apenas mais uma nota de rodapé literária existem dois romance esquecidos de enorme qualidade, Volfrâmio de Aquilino Ribeiro e Minas de São Francisco de Fernando Namora, este último decorre na Aldeia de Mata da Rainha no concelho do Fundão (ler aqui) que narram um Portugal rural, iletrado, paupérrimo e atrasado, que de um momento para o outro com a II guerra mundial, vai explorar o seu volfrâmio, a permitindo que o dinheiro começasse a jorrar a ritmos nunca previstos nas aldeias do interior do território, mas este bem trouxe calamidades que ambos os livros intensificam com muita verve.
Abalemos então deste mirante já com o estômago agasalhado e rumemos ao fim seleccionado com a certeza quem não anda não ganha, lá diz o desusado ditado.


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Picoto da Melriça (Vila de Rei) (*)- O Centro de Portugal

Picoto da Melriça

O Picoto da Melriça é um local de paragem obrigatória. Os viajantes não abdicam da sua saga mesmo quando as horas apertam por razões familiares e quase sempre conseguem fazer um desvio e inspecionar um local notável de Portugal.
Assim na nossa saga por Vila de Rei e depois de visitarmos a praia fluvial do Penedo Furado com as suas cascatas e a sua bicha pintada que é que concorrente a uma das 7 maravilhas -praias de Portugal e a bonita aldeia de Xisto de Água Formosa rumamos ao centro geodésico de Portugal, o Alto da Melriça também conhecido como Picoto da Melriça, situado perto do rio Zêzere e de um dos centros místicos de Portugal- Convento de Cristo em Tomar classificado como Património Mundial da humanidade (*****).
Esta região marca a transição entre a Beira Baixa, beira Litoral e Ribatejo e assinala o centro geodésico do país.
O Picoto da Melriça situado a 592 metros de altura está ligado à história da cartografia moderna em Portugal. Esta começou em 1790, no reinado de D. Maria I, quando a monarca solicitou D. Francisco Ciera, lente da Academia Real da Marinha, a encetar os trabalhos de triangulação geral do território, para a elaboração da Carta Geográfica do Reino. Os trabalhos arrancaram em 1790, mas foram suspendidos treze anos depois devido às invasões francesas.
Logo em 1802, foi erigido o vértice geodésico da Milriça que pertenceu ao grupo dos primeiros 32 vértices nacionais. Este famoso “Picoto” é uma pirâmide de alvenaria com 3 metros de base e 9 metros de atura, quase com dois séculos de idade.

picoto da melriça 300x224 Picoto da Melriça (Vila de Rei) (*)  O Centro de Portugal
Os trabalhos da triangulação foram, porém, interrompidos em 1803, por força da situação política da época e mais tarde concluído após 1834. Hoje existem espalhados pelo país cerca de 8 000 vértices geodésicos, muitos dos quais construídos em locais quase inacessíveis.
Foi, graças à abnegação dos geógrafos e cartógrafos do século passado que foi criada a Rede Geodésica Nacional que constitui uma das bases para o conhecimento geográfico do território.
Ao lado do Picoto da Melriça, no Centro Geodésico de Portugal, encontra-se o Museu da Geodesia, único no país. O museu, inaugurado em 2002 oferece aos visitantes um certificado de presença, infelizmente não nos foi possível visita-lo dado o tardio da hora.
A paisagem do Picoto da Melriça é bela e a 360º de vista e faz jus à categoria de centro de Portugal, em dias de boa visibilidade, mas apesar disso os grandes maciços poderosos da Cordilheira Central (Gardunha, Estrela, Lousã, Aire e Montejunto), encontram-se em distâncias suficientemente longínquas para repararmos nos seus detalhes, mas mesmo assim conseguimos ver os seus contornos gerais e as suas texturas litológicas. Ao longe ainda as suaves planícies alentejanas e a a fina fimbria dourada do mar para SW.
Mais próximo de nós Vila de Rei, os monótonos pinhais, muitos deles queimados e pomo-nos a pensar que os fogos florestais são o maior flagelo que assola este lugar de deserção de onde partem mulheres e crianças na procura de outros lugares para habitar. Quase todos os anos, no estio a passagem do fogo enche cinzas e madeiros carbonizados um solo que já era pobre e que assim mais erode nas primeiras chuvas de outono.
Saímos daqui satisfeitos porque a vida é bela, principalmente quando bem resguardados por pessoas que se harmonizam connosco, mas tristes porque temos de partir mas enfim um dia voltaremos e sob este nosso céu de tarde que se vai embora fica a frase do meu herói para o Sancho Pança.”Faz que cada hora da tua vida seja bela. O mínimo gesto é uma lembrança futura.” O picoto da Melriça com este céu fica registado num instante tão benigno; e ala que se faz tarde porque as parentelas aguardam por nós.


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Paisagem quartzítica, Bichas Pintadas e cascatas da praia fluvial do Penedo Furado (Vila de Rei) (**)

praia fluvial do Penedo Furado

Em região despovoada e  destruída pelos incêndios florestais subsiste uma belíssima paisagem quartzítica perto da aldeia de Milreu, com cascatas uma “bicha pintada” e a praia fluvial do Penedo Furado que é candidata a uma das Sete Maravilhas de Portugal-Praias (aqui mais informação sobre o concurso).
No Miradouro da praia fluvial do Penedo Furado, inaugurado em 1964, é possível admirar a paisagem de serras e montes revestidos de antigos pinhais quase todos ardidos, mas o maior fascínio que nos prende é  o universo geológico e lendário que jaz a nossos pés em vale escarpado; um pouco mais abaixo encontra-se um afloramento quartzítico com uma fenda, que dá nome à praia fluvial do Penedo Furado. A origem do túnel é artificial cuja origem ignoro. Se o leitor é da região e se conhece a razão desta passagem poderia-nos ajudar a completar o nosso texto?
As rochas são quartzitos ordovícios (formados entre 450-550 milhões de anos) com finas intercalações de filitos que aqui exibem icnofósseis como a ilustre “bicha pintada”. Com tais tipos de rocha e água a marulhar fácil é de entender que tesouros em forma de cascatas nos aguardam.
Do lado direito do miradouro, existe um nicho com a imagem de Nossa Senhora dos Caminhos, após a qual existe um trilho que permite passar à zona mais baixa da crista e descer até à praia fluvial do Penedo Furado, passando pelas cascatas e pela “Bicha Pintada”.

penedo furado cascata b 300x280 Paisagem quartzítica, Bichas Pintadas e cascatas da praia fluvial do Penedo Furado (Vila de Rei) (**)
Informações várias sobre a praia fluvial do Penedo Furado
Partamos então para a Praia Fluvial do Penedo Furado; ao chegar temos estacionamento, bar, balneários, parque de merendas e parque infantil.
A praia fluvial do Penedo Furado é pequena e é atravessada pela ribeira de Codes. É o local indicado para famílias com crianças, pois a água tem pouca profundidade. Com as comportas abertas apenas da para molhar os nossos aprazíveis pezinhos.
A paleobiologia e cultos pagãos na praia fluvial do Penedo Furado
O maior motivo de interesse deste local é para nós as suas duas cascatas, e até lá vamos fazer uma pequena caminhada idílica e no seu caminho, muito perto da praia fluvial do Penedo Furado na margem direita da ribeira encontramos numa camada quartzítica um sulco sinuoso serpentiforme com mais de 8 metros de comprimento, 5 cm no máximo de largura e 1 um cm de profundidade.

penedo furado 300x201 Paisagem quartzítica, Bichas Pintadas e cascatas da praia fluvial do Penedo Furado (Vila de Rei) (**)
Ao longo dos milénios da existência do Homem, e antes ainda da geologia ter desvendado o mistério da “Bicha Pintada” em Vila do Rei, muito interesse deve ter espertado as formas mais estranhas dos afloramentos rochosos e vai dai começaram a dar-se as explicações mais fantásticas no domínio do transcendente e muitos destes passaram a ser alvo de litolatria ao longo dos séculos primeiro em cultos pagãos e depois adaptados pela religião cristã. Tal aconteceu por exemplo com a Pedra do Sino em Celorico da Beira ou com a Rocha dos Namorados em São Pedro do Curval, mas também com a nossa Bicha Pintada, um bem patrimonial que deveria ser classificado como Monumento natural ou Imóvel de Interesse Público.
Poucas dúvidas existem de que a forma serpentiforme da “nossa Bicha” deverá ter sido utilizada em cultos totémicos de rituais ofiolátricos as (serpentes) descritas por Avieno e cujo expoente máximo se encontra no Povoado do Baldoeiro em Torre de Moncorvo (aqui não natural mas sulcado no granito pelo Homem).
A Bicha Pintada poderá ter sido um santuário rupestre datado de V a.C, ou seja da idade do Ferro, quando o nosso território foi designado como a Terra de Ofiúsa por Avieno, esta afirmação poderá ter mais fantasia do que realidade que poderá ser comprovado ou desmentido por uma singela campanha arqueológica. Este geosítio é a maior estrutura serpentiforme em litolatria (natural ou construído) da península Ibérica e quiçá da Europa segundo afirmação de Carlos Neto de Carvalho (1).
Mas as lendas por si também são capazes de nos dar alguma informação e eis que aqui nos surge uma lendária “moura” de grande beleza que se penteia com um pente de ouro que deixa antever o seu tesouro e que estabelece uma relação ambígua com um simples pastor (a) que obedece a um padrão que é comum a outras regiões de Portugal. A nossa moura é um génio feminino que aqui reside e guarda um tesouro e que pretende a sua liberdade ou a quebra do seu feitiço. Solicita o jovem a voltar no dia seguinte, mas sem contar a ninguém, para a “desencantar”, dando-lhe um beijo no céu-da-boca recebendo algo de valioso em troca. De volta ao local no dia seguinte, em vez da mulher radiosa encontra uma serpente que o pretende beijar. Amedrontado recusa beijar a serpe, pobre rapaz que aqui perde duas realidades muito valiosas na vida!
As fantásticas mouras com pentes de ouro estão a eternamente ligadas às distintas manifestações da água, como rios-também eles sinuosos, fontes e poços com conotação mágica-religiosa. As mouras surgem quase sempre como guardiãs dos locais de passagem para o interior da terra, os locais “limite”, onde se cria que o sobrenatural podia manifestar-se. Eis portanto o provável templo pagão presumido pela lenda.
Temos aqui a moura sedutora com pente de ouro, a água do rio, o registo serpentiforme na rocha, o passante humilde, e o tesouro-neste caso um bezerro de ouro segundo um painel de azulejos no miradouro do praia fluvial do Penedo Furado.
Bem, o leitor pode questionar onde poderá estar a riqueza; coincidência ou talvez não informamos que a ribeira de Codes teve uma intensa exploração de ouro aluvionar a céu aberto como se constata pelas “conheiras” localizadas ao longo das suas margens e que deveriam defendidas com apego devido a sua importância arqueológica (pode aqui ler um bom artigo sobre as Conheiras de Vila de Rei)
Ai, tanto haveria para dizer sobre as mouras encantadas e queremos acrescentar uma questão poderá abrasar o leitor crente; não será o aparecimento na Cova de Iria em 1917, uma adaptação de uma lenda de moura, tudo nos leva a crer que sim, que a nossa Senhora de Fátima poderá ser uma derivação desfigurada, mas que nos parece evidente, da constância na crença das mouras encantadas.

Bicha Pintada 300x201 Paisagem quartzítica, Bichas Pintadas e cascatas da praia fluvial do Penedo Furado (Vila de Rei) (**)
O gosto pela verdade manda dizer que de concreto apenas sabemos que a Bicha Pintada é um icnofóssil feito num fundo arenoso marinho no período Ordovícico, não por uma serpe, mas por uma trilobite que deixou atrás de si um sulco ou seja uma marca de alimentação, como se constata pela continuidade do registo na bancada, pelas galerias vermiformes subterrâneas e pelas bilobites que observamos quando deambulávamos entre as cascatas da praia fluvial do Penedo Furado.
Para aguçar a sua curiosidade referimos que existem várias marcas de trilobites (cruzianas) com imensas lendas associadas às Bichas Pintadas como por exemplo em Penha Garcia (*) e na Serra da Arada com o Santuário dedicado a São Macário (***) -e este santo pobre penitente até teve de matar uma grande serpente que atormentava a região.
Finalmente as Cascatas da Praia fluvial do Penedo Furado
Chegados a este ponto o leitor paciente talvez esteja a espera de alguma descrição das cascatas, vamos a isto. Quando a ribeira começa a alargar devido a influência da Barragem de Castelo de Bode e perto do fim da crista quartzítica aqui intensamente dobrada, ladeando-a e voltando a entranharmos no seio do quartzito, encontramos uma primeira cascata adaptada para banhos, mas a mais bela esconde-se num recesso onde uma linha de água forma uma bonita cascata, que apesar de pequena (entre 12 a 15 metros, nem sei bem) está envolta num belo ambiente ripícola. Este zona das cascatas também é conhecida como Bufareiras.
Enfim informamos que a praia fluvial do penedo Furado e todo o seu ambiente é um local que vai registar na sua lembrança, quando a visitar.

praia do penedo furado cascata b 225x300 Paisagem quartzítica, Bichas Pintadas e cascatas da praia fluvial do Penedo Furado (Vila de Rei) (**)
Referências adicionais:
Neto de Carvalho, C. (2009)- CRUZIANA D’ORBIGNY, 1842 EM PORTUGAL: DA INTERPRETAÇÃO PALEOBIOLÓGICA Á CONSAGRAÇÃO COMO PRODUTO GEOTURÍSTICO.
Carlos Neto de Carvalho tem feito um notável trabalho relacionando a paleontologia com cultos religiosos pagãos. Basta pesquisar no Google o seu nome e ler alguns dos seus trabalhos. Também aqui sobre as marcas de trilobites em Penha Garcia. Pode ler aqui outro seu trabalho.
No blogue Fadas dos Bosques pode ler uma adaptação da Moira Encantada na Bicha Pintada.


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Panorama da Varanda dos Carqueijais (**) (Covilhã)

Varanda dos Carqueijais

A Varanda dos Carqueijais é um local de paragem para quem atravessou o deslumbrante conjunto de miradouros e geomonumentos do Parque Natural da Serra da Estrela (****). Bebem os viajantes aqui água fresquíssima, leve e agradável e alvejam os olhos a horizontes sem fim para o nascente Beirão de Portugal e as lonjuras das serranias espanholas (Gata, Gredos), irmanas desta nossa serra de Estrela e continuadoras da Cordilheira Central da Península Ibérica.
Façamos assim como quase todos e paremos aqui um pouco na Varanda dos Carqueijais a admirar esta magnífica vista panorâmica. No fundo da escarpa da Serra da Estrela, a cidade da Covilhã espraia-se ocupando, já infelizmente, em algumas áreas, terrenos agrícolas de grande fertilidade. Além a Real fábrica de Lanifícios (*) que aproveitava ribeiras estreitas e caudalosas.

varanda dos carqueijais 300x168 Panorama da Varanda dos Carqueijais (**) (Covilhã)
Tal como no lado norte, junto a Seia, também aqui a serra da Estrela se eleva abruptamente, por enormes falhas geológicas de tectónica alpina, fundamentais para o arribamento vertical desta nossa Serra de Estrela. Destaquemos ainda a Serra da Gardunha com uma génese semelhante à Serra da Estrela ou ainda os montes-ilhas (inselbergs) que albergam no seu topo as aldeias históricas de Belmonte (**) ou Monsanto (****), ou ainda a fértil superfície aplanada da Cova da Beira.
Se tiver tempo, antes de chegar a Varanda dos Carqueijais, para quem vem de Oeste, pela E.N. 339, aconselho-o a estacionar e ir ver o curioso geomonumento da Pedra do Urso, afloramento granítico zoomórfico (existe placa).
Fiquemos com um trecho da nossa bíblia dos viajantes que descreve a varanda dos Carqueijais.
“É a mais bela vista da Covilhã. Torres, brancura de casario, aglomerados de telhados, em um alaranjado vivo, cascatas que se despenham ainda sobre algumas rodas hidráulicas, sobreviventes da velha industria, quintas e jardins da periferia, fitas de estrada serpenteando pelas encosta, algum comboio na Beira baixa, de aparência minúscula, que desce para o vale do Zêzere e se dilui na distância, a caminho da Guarda -tudo isso constitui uma surpreendente visão. O horizonte é vastíssimo. A Oeste, limita-o o biombo da serra; a NE, desenha-se o monte da Esperança, coma vila acastela de Belmonte (**), prolongando-se pelas aldeias pelas alturas serranas de Sortelha (***) e Malcata até ao perfil dentado da Gardunha (*), que se detêm a nossa vista no extremo sul. Para lá desta linha, um, pouco a direita de Sortelha, e por detrás da linha fronteiriça da Malcata, surge nos dias claros de Inverno ou Outono, a massa imponente da serra da Gata, já em terras de Espanha. Dentro desta bacia enorme espreguiça-se o Zêzere, que acaba de sair do seio da montanha, e nela cabem os concelhos de Belmonte, Covilhã e Fu8ndão. O casario desta última parece uma fita branca no sopé da Gardunha. É a grandiosa e fecunda Cova da Beira”.1
1-Guia de Portugal – Beira, II Beira Baixa e Beira Alta, pag 891-9184

38 Unidades de património notável com valor turístico do distrito de Castelo Branco

Temos estado a inserir neste espaço a listagem, por distrito, dos locais notáveis de Portugal (unidades de património notável) que merecem todo o empenho na sua defesa, requalificação e divulgação, porque para além do valor histórico/natural e estético (de âmbito regional, nacional ou mesmo mundial), são também um forte marco identitário e de auto-estima para todos nós, mas muito principalmente para os moradores onde existem estes locais. São ainda um recurso económico valiosíssimo. Eis a lista dos patrimónios notáveis de Portugal nos seguintes distritos (o número a frente refere a quantidade de património existente):
-Distrito de Beja (45)
-Distrito de Bragança (62)
-Distrito de Coimbra (106)
-Distrito de Leiria (100)
-Distrito de Évora (97)
-Distrito de Portalegre (62)
Não fiqueis tristes gentes do distrito de Castelo Branco com o número dos locais notáveis em Portugal, porque prefiro mil vezes passear pelas vossas planícies ou montanhas do que percorrer as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, tão degradas, poluídas e com gente em excesso que nos tolhe a vontade de movimento. Demoramos mais tempo a percorrer a distância entre dois pontos notáveis num mesmo concelho das cercanias daquelas grandes urbes, do que a fazer umas dezenas de quilómetros, calmos entre dois pontos notáveis do distrito de Castelo Branco.
Ainda assim o distrito de Castelo Branco apresenta situações e extensíveis a toda tipologia de património notável:
-Contêm 5 aldeias notáveis, sendo 4 classificadas como Aldeias Históricas de Portugal e já agora por curiosidade a aldeia que injustamente não está classificada é a de Alpedrinha (que até é vila, mas também o é Belmonte- que ficou classificada):
-Tem dois pólos termais importantes: Monfortinho e Unhais da Serra;
-o concelho da Covilhã está integrado no magnífico Parque Natural da Serra da Estrela, ah e não podemos que o Parque Natural do Tejo Internacional também aqui está, embora quase sempre inacessível por estrada para veículos normais;
-Em 2006 o Geoparque Naturtejo da Meseta Meridional foi inserido na rede mundial de geoparques (ler aqui) para defender e divulgar os seus pontos notáveis, como são exemplo as Portas de Rodão ou as cruzianas (bilobites) das trilobites de Penha Garcia.
Todas estas 36 unidades de Património Notável são para as pessoas do distrito, mas também para todos nós, um factor de integração da memória colectiva e da sua capacidade aglutinadora da consciência, da coesão e da identidade de um país, que os ignaros políticos tanto porfiam em aniquilar.

monsanto 300x200 38 Unidades de património notável com valor turístico do distrito de Castelo Branco

Belmonte (6)
-Aldeia Histórica de Belmonte (**)
-Castelo de Belmonte (*) com realce para a janela manuelina (*)
-Igreja de Santiago com o Panteão dos Cabrais (**)
-Conjunto de Museus de Belmonte (Descobrimentos, Judaico, Azeite…) (*)
-Torre romana de Centum Cellas (**)
-Convento da Nossa Senhora da Esperança (Pousada Histórica) (*)
Castelo Branco e Vila Velha de Rodão (8)
-Jardim do Paço Episcopal (**)
-Museu Tavares Proença Júnior (**)
-Museu do Cargaleiro (*)
-Monte de São Martinho (*)
-Geomonumento das Portas do Rodão no rio Tejo (***)
-Complexo de Arte Rupestre do Vale do Tejo (**)
-Geomunomento das Portas do Almourão no rio Ocreza (*)
-Panorama do Penedo Gordo (*)
Covilhã (5)
-Castro de Orjais com o seu templo romano e o panorama (*)
-Museu dos Lanifícios- conjunto de fornalhas e poços cilíndricos da antiga Tinturaria da Real Fábrica de Panos da Covilhã (*)
-Panorama da Varanda dos Carquejais (**)
-Paisagem nas Penhas da Saúde (**)
-Termas de Unhais da Serra (*).
Fundão e Penamacor (8)
-Conjunto patrimonial de Alpedrinha (*)
-Aldeia Histórica de Castelo Novo (**) (a publicar brevemente)
-Museu Arqueológico Municipal José Monteiro no Fundão (*) (a publicar brevemente)
-Diversos panoramas da Serra da Gardunha (**)
-Conjunto de caminhos no aro do Fundão-Alcongosta na época das Cerejeiras em florescimento e frutificação (*)
-Gravuras rupestres Paleolíticas e neolíticas  na Barroca enas margens do rio Zêzere (*)
-Miradouro da Sarnadela da Estrada nº238 (ao km 105) entre Bogas de Baixo e Barroca (*) (a publicar brevemente)
-Centro histórico de Penamacor (*)

Idanha-a-Nova (5)
-Aldeia Histórica de Monsanto (****)
-Sítio da Capela de São Pedro de Vir-a-Corça (Monsanto) (**)
-Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha (***)
-Aldeia de Penha Garcia com o geomonumento das Bilobites e o seu panorama
-Termas de Monfortinho (*)
Oleiros e Proença-a-Nova (4)
-Serra quartzítica do Muradal (**)
-Miradouro do Cabeço Mosqueiro (Orvalho) (**) (a publicar brevemente)
-Panorama do Picoto da Serra do Moradal (**)
-Miradouro das Corgas (**)
Vila do Rei (2)
-Panorama do Marco geodésico da Melriça (**)
-Praia Fluvial e cascatas do Furado(**) (a publicar brevemente)

5 Locais Turísticos de Belmonte

A semelhança daquilo que acontece com as vilas de Mértola ou Óbidos, Belmonte (vila classificada como Aldeia Histórica de Portugal) é um verdadeiro museu a céu aberto. É a terra de Pedro Alvares Cabral, o descobridor do Brasil e restante família, por isso tem um moderno Museu dos Descobrimentos; é a mais impressionante localidade de criptojudaísmo da Península Ibérica-por isso tem um Museu Judaico e uma sinagoga; é terra agrícola e de boa paisagem, por isso tem ecomuseu do rio Zêzere ou o museu do Azeite; tem ainda importantes vestígios romanos com a enigmática Torre de Centum Cellas ou a villa romana da Fórnea. Por estas razões e por mais algumas que aqui não aponto, Belmonte em relação ao turismo, é um exemplo para todo o nosso País.

belmonte1 300x225 5 Locais Turísticos de Belmonte

Locais Notáveis de Belmonte
1-Vila Histórica de Belmonte (classificada como Aldeia Histórica de Portugal) (***)
2-Igreja de Santiago e Capela anexa dos Cabrais (*)
3-Castelo de Belmonte com destaque para a janela Manuelina (*)
4-Pousada do Convento de Belmonte (*)
5-Torre de Centum Cellas (**)
 Outros locais com algum interesse turístico
-Centro Histórico de Caria
-Capela da Nossa Senhora da Estrela (Ínguia)
-Villa Romana da Fórnea

Torre de Centum Cellas (Belmonte) (**)-Incas ou Judeus Sefarditas na Beira Interior???

Torre de Centum Cellas (Belmonte)

Sabia que…a Torre de Centum Cellas, perto de Belmonte, foi durante anos a fio considerado um dos mais enigmáticos monumentos portugueses?
A Torre de Centum Cellas é um espaço único em toda a Península Ibérica com uma monumentalidade invulgar.
Com a sua forma paralelepipédica, os seus silhares bem aparelhados e a sua altura assinalável, o edifício tem sido alvo de muitas elucubrações especulativas; desde ser construído por Incas até à construção por judeus sefarditas (os mesmos que construíram Petra na Jordânia) e isto em plena Beira Interior!
Mas quase sempre os estudiosos associaram a Torre de Centum Cellas a uma edificação romana o que se veio a comprovar pelas escavações efectuadas por Helena Frade.
A Estrutura da Torre de Centum Cellas
A construção em cantaria granítica tem secção rectangular de 11,5 m por 8,5 m com 12 m de altura. Com três pisos e encontra-se hoje sem cobertura.
No andar térreo rasgam-se vãos rectangulares, que deveriam ter sido portas, e pequenas aberturas rectangulares, de difícil interpretação.
Hoje sabe-se que não foi uma mansio (estação de muda), um praetorium (o ponto nevrálgico de um acampamento militar romano) ou um mutatio (albergaria); já no século XII ela aparece na documentação com o curioso nome de cento celas, ou seja cem celas o que mostra que para além da torre poderiam existir mais edificações devidamente organizadas
O que terá sido então a Torre de Centum Cellas?
Temos a certeza terá sido um importante espaço de uma villa romana, rematando-a a sudoeste a ladear e a servir um grande pátio central. Até sabemos quem possivelmente a construiu –Lucius Caecelius (não ressoa aqui o topónimo Centum Cellas?) no século I d.C. rico negociante de estanho.

torre de centum cellas 300x225 Torre de Centum Cellas (Belmonte) (**) Incas ou Judeus Sefarditas na Beira Interior???A parte da villa escavada inclui a residência do proprietário e algumas dispensas e armazéns; terão existido umas termas e o alojamento para escravos, que poderá ter sido perdido com a construção da estrada ou de uma vinha contígua. Temos ainda hoje, vestígios de uma sala com abside e larário ou altar de veneração dos deuses Lares protectores da casa.
A torre possuía um piso térreo, eventualmente destinadas a funções de armazenamento, com aberturas amplas, e um piso superior, onde se situava uma sala única, rodeada por uma varanda com cobertura em madeira e telha assente sobre colunas da ordem toscana, coberto por um telhado de duas águas, possuía em dois dos seus lados uma cimalha em frontão triangular, o que lhe conferia ainda maior monumentalidade e beleza.
Todo o conjunto sofreu um incêndio no século III d. C., que poderão ter originado modificações diversas, especialmente na área da villa menos resistente.
Na Alta Idade Média a torre foi aproveitada e prolongada, construindo-se um terceiro piso com fachada regular também de boa silharia com pedras de pequena dimensão.

torre de centum cellas 2 255x300 Torre de Centum Cellas (Belmonte) (**) Incas ou Judeus Sefarditas na Beira Interior???
É possível que no período medieval a torre de Centum Cellas tenha tido algum papel na consolidação e defesa da fronteira oriental do reino de Portugal com o de Leão; tendo inclusivamente recebido foral de Sancho I em 1188, onde surge referenciada como Centuncelli. Em 1198 a sede do concelho foi transferida para Belmonte.
Qual a função da Torre de Centum Cellas?
A geometria vitruviana presente não deixa aqui de impressionar pela sua robustez, verticalidade, equilíbrio esfíngico, fazendo de facto relembrar monumentos distantes do próximo Oriente ou da América Latina de gosto Inca ou Azteca.
Durante o domínio romano a torre poderia ter sido uma utilitária -torre de vigia e/ou simples salão nobre de estar, marca estética e de poder; hipótese mais remota é estar ligada a um espaço sagrado uma vez que a sua orientação é peculiar -com os ângulos dos seus cantos  dirigidos para os pontos cardeais. Quer isto dizer que nos períodos de solstício as aberturas maiores deixavam entrar a luz com maior generosidade, o que parece concordar com o seu insólito ar de observatório astronómico.
Lenda de São Cornélio de Centum Cellas
Segundo a tradição a torre seria uma prisão, tendo sido aqui que esteve encarcerado São Cornélio, que morreu em 253 d.C., devendo-se o nome do espaço as cem celas que nele existiriam. É certo que esta lenda não passa de fantasia, no entanto, o espaço foi cristianizado na Idade Média com uma pequena capela, de que ainda existem as fundações e que desapareceu no século XVII, dedicada a… São Cornélio.

Também se diz que quem fez a Torre de Centum Cellas foi uma mulher com um filho às costas. Também se dizia que na Torre de Centum Cellas havia um bezerro de ouro escondido.

E o mistério dissipou-se na Torre de Centum Cellas?
Apesar do seu ar enigmático ter sido em parte dissipado pela voragem da Ciência este monumento inédito na Ibéria, pela sua estranheza, pela sua dimensão e monumentalidade – e porque não dizer também – pela sua beleza, merece a nossa visita.
Pessoalmente penso que foi importante o estudo arqueológico do local, apesar do seu ar enigmático ter sido em parte dissipado pela voragem da Ciência. No entanto conheço muita gente que gostaria de manter a sua fantasia romântica em redor da Torre de Centum Cellas; e o leitor o que pensa desta controvérsia?
Este importante monumento romano, inédito na Ibéria, pela sua estranheza, pela sua dimensão e monumentalidade – e porque não dizer também – pela sua beleza, merece a nossa visita.
Nota: A fotografia da página principal foi retirada do site da Arqueobeira.

Centro histórico Penamacor (*)- O berço de um dos vultos mais importantes do iluminismo europeu

3-Razões para visitar o centro histórico de Penamacor
1-Pelo grandioso Panorama do alto do seu castelo
2- Pela bem preservada cidadela medieval com destaque para a sua torre de menagem, a torre do Relógio, os antigos Paços do concelho, o Pelourinho e a igreja da Misericórdia.
3-Pela sua pequena judiaria, local de nascimento de Ribeiro Sanches
Penamacor é uma tranquila vila com vários motivos de interesse que podem levar o visitante que atravessa a zona raiana da Beira Interior a deter-se ali. Devido a beleza da sua cidadela a vila pode ser um pólo turístico na região.
O morro de Penamacor devido a sua posição altaneira deve ter sido habitado por gente que sempre espreitou inimigos possíveis e imaginários.
No cimo da vila, onde Gualdim Pais, o tal que se considerou como Lúcifer no Castelo de Almourol (***), mítico mestre templário, mandou levantar o castelo depois de conquistada a povoação aos mouros por D. Sancho I.
Penamacor defendeu a incerta fronteira portuguesa contra castelhanos e mouros e que desempenhava papel primordial no sistema defensivo da Beira Baixa, tentadora linha penetradora, mas desencorajante pelas possantes fortalezas que a ocupavam em apropriados cumes. O morro deve ter sido habitado em tempos pré-romanos e as legiões romanas deram-lhe a forma de atalaia.
No tempo de rei Dom Manuel, reforçam-se as defesas. O estilo manuelino é visível na Capela da Misericórdia com o seu belo portal e no pelourinho (1565); no interior da desmantelada cidadela, de onde a onde, podem ver-se sinais decorativos neste estilo, nos portais e janelas do casario, por vezes com sinais de cristãos convertidos nos seus umbrais, materializado numa pequena judiaria. Mas deste tempo o que mais fica retido é o ex-libris da localidade- a sua monumental bela Torre de Vigia com  20 metros de altura.
Penamacor1 300x227 Centro histórico Penamacor (*)  O berço de um dos vultos mais importantes do iluminismo europeu

Muralha de Penamacor

No século XVII, para defesa da pátria restaurada, constroem-se 6 baluartes e três meio-baluartes, segundo as exigências da pirobalística. Pode-se observar um junto da antiga Casa da Câmara; sob este edifício (1568) abre-se uma bem conservada porta gótica da muralha. Depois de entrar repare no seu balcão, sobre a porta de lintel reto encimado pelas armas nacionais ladeadas de esferas armilares-é agora o bem apetrechado posto de turismo.
Destaco ainda na cidadela ovalada, a robusta e bem restaurada Torre do Relógio, que parece ter sido torre de menagem, trechos de muralhas, ruínas de baluartes, a igreja de São Pedro, de fundação românica, os alicerces da Igreja de Santa Maria e a cisterna do Castelo.


Do alto de Penamacor a paisagem é grandiosa

Bela é também a paisagem, principalmente em dias límpidos, de onde se avista largo horizonte, com destaque para as planálticas regiões castelhanas, a Serra da Malcata, a serrilhada crista quartzítica de Penha Garcia (*), os montes ilhas, onde num deles se empoleira a mais bela aldeia de Portugal- de Monsanto (****); pressentem-se ainda as searas espraiadas nas campinas de Idanha.
O dom Sebastião de Penamacor
E agora uma história que daria um reflexivo romance e que aqui aconteceu.
“Em 1584 aqui apareceu o aventureiro conhecido pelo rei de Penamacor, que por ingenuidade do povo e ambição de dois cúmplices que se intitulavam, um bispo da Guarda, outro Cristóvão Távora, se fez passar por Dom Sebastião. Conseguindo atrair as populações simples desta região, à sua figura misteriosa, falando árabe e contando histórias da batalha em que se perdera o rei, o falso Dom Sebastião andava a cavalo seguido de grandes cortejos de crentes e curiosos. A princípio, timidamente, depois com a audácia de uma convicção, o rei de Penamacor aceitava as honras e títulos de majestade, tendo chegado a construir um conselho de estado na sua corte. Chegando até Lisboa o rumor da sua aclamação, aí foi levado o embusteiro. Os dois ministros foram condenados ao cadafalso e o rei mandado para as galés. Encontrando-se como remador na Invencível Armada, liberta-se dos ferros, salta na costa de França e nunca mais foi visto nem achado o célebre aventureiro”1.Os seus companheiros de aventura foram condenados à morte.
O individuo por ter sido o primeiro imitador do Rei dom Sebastião, poderá ter estado na origem do sebastianismo.
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Ribeiro Sanches vulto iminente do iluminismo Europeu
Não poderíamos terminar este artigo sem referir que a cidadela de Penamacor tem um pequena judiaria e onde nasceu e cresceu o cristão-novo Ribeiro Sanches (1699-1783), ilustre em toda a Europa culta, foi um dos inspiradores do Marques de Pombal nas reformas de ensino; filósofo e médico na corte czarina foi um dos precursores do espírito iluminista europeu que ainda hoje e bem nos alumia.
Apesar de alguma degradação de que Penamacor foi alvo ao longo dos séculos, tem ainda um valioso legado patrimonial que merece a nossa visita.
Referências adicionais:
-Lugares a Visitar em Portugal- Seleção do Reader´s Digest, 2001; Guia de Portugal- Beira II- Beira Baixa e Beira Alta 1. Os Mais Belos Castelos de Portugal de Júlio Gil e Augusto Cabrita. O texto foi retirado deste livro que é uma obra de qualidade na divulgação turística de Portugal.
-Laurinda Gil Mendes-Marcas Judaicas no Urbanismo e Arquitectura de Penamacor- Câmara Municipal de Penamacor, Arquivo Municipal-2010
Eis um maravilhoso trabalho que deve ler quando for a Penamacor para observar com mais pormenor os símbolos mágico-religiosos dos portais da judiaria. Tem boas fotografias e os números das portas onde se encontram os sinais. Se desejar peça-nos que nós enviamos por PDF. portugalnotavel@hotmail.com


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