Thursday, July 24, 2014

Arcos do Jardim-Aqueduto de São Sebastião (Coimbra) (*)

Os Arcos do Jardim, por se situaram contíguos ao Jardim Botânico de Coimbra, é também conhecido como Aqueduto de S. Sebastião foi construído no entre 1568 e 1570, sobre o que fora outrora um aqueduto romano que servia para abastecer a alta de Coimbra. Os arcos do Jardim foram  construídos pelo engenheiro italiano Filipe Terzio, no reinado de D. Sebastião.
Um dos arcos deste aqueduto tem a estátua de S. Sebastião de um lado e de S. Roque do outro, junto à casa Museu Bissaya Barreto.
Os Arcos de Jardim ligava os morros onde se situavam o Mosteiro de Santana e o Castelo, vencendo uma depressão em vinte e um arcos, daí ter sido, em tempos idos, conhecido como aqueduto de Santana.
Este Monte de Santana era um local de onde brotavam copiosas águas. No local onde existe um singelo monumento dedicado ao estudante de Coimbra situa-se num pequeno lago situado no jardim que se encontra em frente ao Jardim Botânico e junto à Casa Museu Bissaya Barreto que está constantemente a ser alimentado ainda por uma nascente que anteriormente alimentava a fonte de Santana, desta existe uma notável gravura de Georg Vivian, editada em “Scenery of Portugal an Spain”, 1839, captada a partir do morro do Convento de Santana. Talvez não fosse muito difícil reconstruir esta fonte, o que valorizaria mais aquele sector de Coimbra que para além dos Arcos do Jardim, tem ainda como ponto notável o magnífico Jardim Botânico e a Casa Museu Bissaia Barreto.

arcos de jardim 300x225 Arcos do Jardim Aqueduto de São Sebastião (Coimbra) (*)


Os Arcos do Jardim possuíam 21 arcos assentes sobre fortes pilares, reforçados por degraus na face externa. Toda a obra é de alvenaria em rochas dolomíticas, apesar de alguns pilares assentarem em materiais gresosos (arenitos e conglomerados), expeto o arco de honra ou triunfal, feito de cantaria em Pedra de Ançã (calcário do jurássico médio).
Depois e até ao largo da Feira (magnífica praça onde hoje se situa a Sé Nova e cujos edifícios em redor foram destruídos barbaramente pelo Estado Novo nos anos quarenta do século passado) o percurso da água era subterrâneo, e terminava numa bela fonte renascentista em “bicos”, que pela sua situação e capacidade era uma das mais importantes da cidade.
O aspeto dos Arcos do Jardim nem sempre foi o que conhecemos atualmente pois, encostados ao aqueduto, havia uma série de construções, entre as quais se destacavam: o Lar das Teresianas, a Leiteiria Académica de Joaquim “Pirata” e o Colégio Liceu (este era o espaço adaptado da bela igreja de São Bento de estilo renascentista.
De referir que, com a demolição das casas, foi também abaixo, em 1959, um arco que dificultava a ligação da rua do Arco da Traição com a Calçada Martim de Freitas (atual rua de acesso ao Largo D. Dinis). Os Arcos do Jardim têm agora 20 arcos.
O arco de honra é oblíquo adaptado ao traçado da estrada antiga. Tem quatro grandes inscrições, duas em latim e duas em Português nas quais a data de edificação em 1570 e o patrocínio real de Dom Sebastião estão claramente expressos. No topo a coroar o arco, foi construído um templete, com colunas dóricas, cúpula de tijolo e lanternim com duas esculturas, uma do mártir São Sebastião, lado sul e outra evocativa de São Roque, do lado Norte. Quer as lápides com boas molduras da renascença quer o templete e respetivas esculturas são certamente obras da oficina de João de Ruão.

1-Ler aqui sobre a gravura de Georg Vivian


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Filme sobre o jardim e mata do Botânico de Coimbra premiado na Croácia

Um dos meus locais favoritos em Coimbra é o Jardim e a Mata do Botânico. É muito fixolas para fazer turismo cultural e científico, pensar, meditar, estudar, ler e a até para namorar.
Em Julho um filme turístico promocional “Jardim Botânico da Universidade de Coimbra  - Um espaço único” ganhou um prémio internacional na Croácia. O vídeo, de cerca de três minutos, foi distinguido com o galardão de “The Best Artistic Impression” no Zagreb Tourfilm Festival.
O vídeo, desenvolvido pela produtora TerraLíquida Filmes e que foi premiado na categoria de “The Best Artistic Impression”, e segundo informação da Universidade de Coimbra representa o Inverno no Jardim Botânico de Coimbra, “mesclando os tons terra com os sons da natureza urbana num ambiente marcado pela neblina matinal”.

Jardim Botanico Coimbra 300x225 Filme sobre o jardim e mata do Botânico de Coimbra premiado na Croácia

Jardim Botânico em Coimbra

É o primeiro de uma série que pretende retratar o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra nas diferentes épocas do ano, devido às variações visuais e olfativas que estas imprimem” àquele espaço.
Numa altura em que a Universidade e o próprio Jardim Botânico acabam de ser considerado Património da Humanidade, este prémio é uma boa notícia.
e a presença do filme em muitos outros festivais internacionais reveste-se de uma importância acrescida na divulgação deste nosso património.
Eis o filme!

A Universidade de Coimbra é Património Mundial da Humanidade

Nem tudo é negativo por terras da Lusitânia pátria, porque a Universidade de Coimbra é Património Mundial da Humanidade.
Portugal terá 15 conjuntos, monumentos ou áreas naturais classificadas como Património Mundial (ver aqui a lista).
Não fique o amigo leitor com a suspeita que lhe estou a faltar a verdade porque a nossa Universidade é de facto, Património Mundial, é certo que a data oficial da sua declaração ocorrerá na segunda quinzena de junho de 2013, mas não existe qualquer hipótese de a pretensão ser chumbada porque a ICOMOS, organização consultora da UNESCO responsável pelas avaliações técnicas e pela elaboração do parecer sobre as candidaturas a Património Mundial, é favorável à classificação da Universidade, Alta e Rua da Sofia de Coimbra reconhecendo o seu “valor excecional universal”. Até a data não se conhece qualquer conjunto ou sítio que tenha tido a sua candidatura obturada após a anuição técnica da ICOMOS.
O parecer afirma, de, que o espaço candidato constitui “exemplo notável de uma cidade universitária integrada, uma Universidade que se transformou numa referência no mundo português através da reprodução da sua organização urbana, arquitetónica e institucional”.
A candidatura portuguesa da Universidade de Coimbra, Alta da cidade e zona da rua da Sofia a Património da UNESCO, assenta, segundo os promotores, no presente da instituição, “com lastro antigo de sete séculos de histórias”. Fazem parte na cidade de Coimbra: os colégios da Rua da Sofia, o Pátio das Escolas, “coração” da instituição, onde se situa a reitoria, a faculdade de Direito e a Biblioteca Joanina, “uma das mais belas do Mundo”, os edifícios da reforma pombalina, “marcas da revolução do conhecimento no século XVIII” e o complexo do Estado Novo, na zona alta de Coimbra.
A Universidade também candidata o património imaterial, “que faz a ponte entre passado e futuro” sustentado no berço da língua portuguesa, o conhecimento científico e sua difusão, as tradições académicas da instituição e dos seus estudantes, as Repúblicas e a Canção de Coimbra.
São vários os monumentos locais notáveis que serão classificados e de todos eles o Portugal Notável escreverá.

Universidade de Coimbra Património Mundial da Humanidade 300x275 A Universidade de Coimbra é Património Mundial da Humanidade

Universidade de Coimbra Património Mundial da Humanidade

Para além destes outro património histórico e relevante existe na área classificada, mas se vem visitar Coimbra, não deixe de visitar os locais da Universidade de Coimbra, Património Mundial da Humanidade (Unesco):

 

- Núcleo do Paço das Escolas:
Locais Notáveis do Núcleo do Paço das Escolas
-Biblioteca Joanina (***)
-Capela de São Miguel (**)
-Torre da Universidade com respetivo panorama (**)
-Sala dos Capelos (*)
-Sala do Exame Privado (*)

 

Outros locais com interesse do Núcleo do Paço das Escolas
Escadas de Minerva
Gerais
Páteo
Porta Férrea
Real Colégio de São Pedro
Via Latina
Antiga Reitoria
Auditório da Faculdade de Direito

 
- Núcleo dos Colégios Universitários
Pólo da Rua da Sofia (*)
-Igreja da Graça (*)
-Igreja do Carmo com o seu claustro (*)
- Antigo Colégio das Artes (Inquisição) (*)
-Colégio de São Tomás (atual tribunal de Coimbra) (*)

Outros locais com interesse do Núcleo na rua da Sofia
Col. de Nossa Senhora da Graça
- Col. de São Boaventura
- Col. de São Pedro dos Terceiros
- Col. de São Tomás
- Col. do Carmo
- Col. do Espírito Santo

 

Pólo da Alta
-Igreja da Sé Nova (***) (pertencente ao colégio de Jesus)
-Claustro do colégio de Santo Agostinho (atual Faculdade de Psicologia) (*)

 

Outros locais com interesse do Núcleo nos colégios no polo da Alta
- Col. da Santíssima Trindade
- Col. de Jesus
- Col. de Santa Rita
- Col. de Santo Agostinho (atual faculdade de Psicologia e igreja e museu da Misericórdia)
- Col. de Santo António
- Col. de São Bento
- Col. de São Jerónimo
- Col. de São José dos Marianos
- Real Colégio das Artes
- Real Colégio de São Pedro

 

- Núcleo da Reforma Pombalina
-Jardim Botânico (***)
-Laboratório Químico (atual museu da Ciência) (*)
-Museus de História Natural (englobado no colégio de Jesus e que inclui o museu de Física, geologia e mineralogia e Zoológico) (*)

 

Outros locais com interesse do Núcleo no Núcleo da Reforma Pombalina
Hospital Público
Imprensa da Universidade

 

- Outros Edifícios Relevantes
Aqueduto de São Sebastião (Arcos do Jardim) (*)
Casa das Caldeiras
Casa dos Melros
Jardim da Manga (*)
Igreja de Santa Cruz (***)
Sé Velha (***)
Paço Sub-Ripas (*)

 

- Núcleo do Estado Novo
Arquivo da Universidade
Associação Académica de Coimbra
Biblioteca Geral
Departamento de Matemática
Dep. de Física e Química
Faculdade de Letras
Faculdade de Medicina

 

- Núcleo das Repúblicas:
Real República Ay-ó-Linda
Real República Baco
Real República Bota-Abaixo
Real República Corsários das Ilhas
Real República Kágados
Real República Prá-Kys-Tão
Real República Rapó-Tácho
Real República do Rás-Te-Parta
República da Praça
República dos Fantasmas
República dos Galifões
República dos Inkas
República dos Kuarenta
República das Marias do Loureiro
Solar dos 44
Solar dos Symbas

Referências adicionais: site da candidatura da Universidade de Coimbra a Património da Humanidade


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Café de Santa Cruz (Coimbra) (*)-É o mais belo café de Portugal?

Café de Santa Cruz

O Café de Santa Cruz que corresponde à antiga igreja paroquial de Santa Cruz, conhecida como igreja de São João das Donas ou como igreja de São João de Santa Cruz, foi desafectado ao culto anos e foi transformado num espaço cosmopolita e singular.
A igreja de São João das Donas foi de fundação quase contemporânea ao mosteiro dos crúzios, como recolhimento de monjas de São João das Donas reclusas de Santa Cruz. Depois da sua extinção, no seu espaço foi erigida a Igreja em 1530 por Diogo Castilho, pela necessidade de descongestionar o culto na Igreja do Mosteiro de Santa Cruz e não perturbar o silêncio dos monges e que a utilizaram para seu uso exclusivo.
Com a extinção das ordens religiosas em 1834, a igreja do velho mosteiro assume de novo a função de igreja paroquial. A igreja de S. João Baptista de Santa Cruz ficará ao cuidado do Estado.
Após a sua dessacralização foi servindo outras funções: armazém de ferragens, esquadra de polícia, armazém de canalizações, casa funerária, estação de bombeiros…
Após muita e demorada controvérsia acerca da instalação de um café restaurante em “estilo manuelino, a igreja foi adaptada para o café de Santa Cruz. A inauguração do luxuoso Café-Restaurante de Santa Cruz ocorre a 8 de Maio de 1923. Esta data foi escolhida porque o Café se localiza na Praça 8 de Maio (denominado Largo de Sansão até ao ano de 1874) que pretende homenagear a entrada do exército liberal na cidade, comandado pelo Duque da Terceira, no ano de 1834.
O pavimento do Café de Santa Cruz está hoje muito alteado; o inicial situava-se ao mesmo nível da igreja vizinha.
A construção é magnificamente abobadada dividida agora em três tramos (enquanto igreja apenas dois). O arco cruzeiro marca a divisória para aquilo que teria sido outrora a capela-mor, também ela abobadada em forma estrelada. A iconografia utilizada, e ainda hoje visível, é variada, flor de lótus, o cordeiro, o sol, a lua, folhas de acanto, entre outras tipicamente cristãs.
A fachada primitiva seria muito singela apenas com um portal com três pequenas aberturas na parte superior. Aquando da referida reforma de 1923, esta é bastante alterada e após acesa polémica fica com o aspecto actual adoptando um tom revivalista renascença, abrilhantado por um conjunto de vitrais de muito bom gosto. O interior agora revestido por espaldares de madeira, é também dos inícios do século XX.

cafe santa cruz coimbra 300x186 Café de Santa Cruz (Coimbra) (*) É o mais belo café de Portugal?É visível ainda uma porta com arco ornamentado que dava ligação à “Capela dos Mártires” já situada na igreja do Mosteiro de Santa Cruz.
A frontaria é do início do século 20, ecléctica e revivalista, com um toque de Arte Nova.
O extraordinário Cristo Negro (***) do século XIII, que se encontra no Museu Machado de Castro (***) e que em breve abrirá ao público, é proveniente deste espaço.
A luz filtrada por vitrais colocados à entrada, e a ornamentação sóbria e nobre, conferem um ambiente propício à meditação e descompressão urbana.

O Café de Santa Cruz é utilizado em tertúlias e em muitas outras iniciativas culturais: lançamento de livros, espectáculos variados – passagem de modelos, concertos musicais, ballet, teatro etc.
O Café de Santa Cruz é um dos locais de paragem preferidos pelos turistas depois das suas deambulações pela histórica Lusa Atenas e sentem em toda a sua essência o provérbio “quem não viu Coimbra, não viu coisa linda”; mas não apenas aqueles pois são muitos os conimbricenses, entre os quais eu me incluo que aqui vêm sentir-se bem.

Igreja do Seminário de Coimbra (*)-Sumptuosa obra de arte Italiana em….Coimbra

Igreja do Seminário de Coimbra

A igreja do Seminário de Coimbra é um grandioso conjunto de barroco italianizante que alberga no seu seio uma pequena capela recheada de maravilhosas obras de arte e que tem a mais bela cúpula pintada em Portugal.
História da Igreja do Seminário de Coimbra
A construção do seminário iniciou-se em 1748 e já em 1756 o edifico central estava terminado. Os arquitectos e o primeiro reitor eram italianos.
A entrada no recinto do Seminário faz-se por um portão grande, em cantaria, semelhante ao do Jardim Botânico (***), que lhe está próximo, com uma porta em ferro com as armas episcopais do Bispo Conde D. Manuel Correia Bastos Pina. O edifício é antecedido por jardim, já construído no século XX, mas ao gosto barroco, tendo ao centro um conjunto circular de lagos, rasgado por duas ruas perpendiculares, com balaustradas e figuras mitológicas em pedra nos quatro lagos. No topo poente da rua transversal, um retábulo de pedra monumental, encimado por um pelicano.
O Seminário Maior de Coimbra é constituído por 3 edifícios, de épocas diferentes, assim designados: Casa Velha (1748-1765); Casa Nova (1873) e Casa Novíssima (1880).
Edifico Central-Casa Velha
O edifico é elegante, monumental com planta rectangular de 3 pisos. A fachada é formada por cinco corpos, separados por duas elegantes torres sineiras com coruchéu e relógios- que se elevam acima do nível da cobertura e apresentam ventanas com balaustrada. A parte central corresponde ao corpo da igreja, que se almeja atravessando um portão importado de Bolonha, de ferro e bronze. Por cima da varanda encontramos o brazão do bispo-conde Dom Miguel da Anunciação fundador do Seminário, com o emblema do Mosteiro de Santa Cruz (***).
Do estilo barroco são ainda as janelas de moldura recta com frontão curvo; no segundo piso abrem-se 4 janelas monumentais com balaustradas.

Cupula da igreja do seminário Coimbra 300x232 Igreja do Seminário de Coimbra (*) Sumptuosa obra de arte Italiana em....Coimbra
A Igreja do Seminário de Coimbra (*)
A entrada do igreja do Seminário de Coimbra encontra-se uma porta de madeira preciosa embutida de madre-pérola, enquadrada por elementos decorativos. O interior do templo é magnífico interior, quer pela sua arquitectura quer pela decoração.
A igreja do Seminário de Coimbra tem uma nave octogonal irregular coberta por uma cúpula, à qual se junta a capela-mor rectangular, com um altar de mármore branco executado em Génova por Pasquale Bocciardo, que também fez os altares da nave. A pintura do altar-mor representa Jesus entre os Doutores na companhia de Nossa Senhora e São José, foi encomendada em Bolonha (o seminário foi colocado sob a invocação de Jesus-Maria-José). A pintura do tecto da capela-mor representa uma pomba emitindo raios dourados e as figuras dos quatro evangelistas.
Sob o arco do coro-alto está um pequeno órgão datado de 1763, e que possui uma bela decoração de talha dourada barroca policromática. Foi construído pelo espanhol Juan Fontana Maqueixe.
As esculturas excelentes da Virgem e de São José em tamanho natural dos altares laterais são também italianas, da autoria do napolitano Januário Vassalo e foram esculpidas em 1756; sob estes altares, em urnas de vidro estão as relíquias de São Liberato e de São Fortunato; aqui eram sepultados os professores e o altar-mor destinava-se à sepultura dos reitores.
As paredes laterais têm nichos onde estão as esculturas em madeira, do séc. 18, dos 4 Doutores da Igreja Latina – São Jerónimo, Santo Ambrósio, Santo Agostinho e São Gregório.
A cúpula pintada (*)
Mas o maior motivo de interesse da igreja do Seminário de Coimbra reside na cenográfica cúpula pintada em 1760 por Pasquale Parente, com motivos alusivos à Vida da Virgem. Pasquale em 1756 já estava em Coimbra e aqui ficou até a sua morte em 1793.
“A composição da cúpula da igreja do Seminário de Coimbra é erudita, de gosto barroco, com claras influências do que então se fazia em Itália. O tema central é a coroação da Nossa Senhora, mas há um conjunto significativo de outros registos justapostos, como se houvesse horror ao vazio. As figuras estão bem desenhadas, os planos bem definidos, bons pontos de fuga, e uma técnica de fresco de elevada categoria. A cor é igualmente excelente, o que faz com que esta seja umas das melhores pinturas do género existentes em Portugal”1.
O Seminário tem ainda duas capelas: a capela da Anunciação, no andar nobre, cujo principal motivo de interesse reside no seu altar; e a capela de São Miguel, com um bonito retábulo rococó.
Do piso superior alcança-se um bom panorama para a Serra da Lousã, para o troço urbano do rio Mondego, bem como para a margem esquerda de Santa Clara.
Em adolescente aqui vim muitas vezes jogar futebol e por vezes não deixava de mirar o interior da igreja do Seminário de Coimbra e ficar estarrecido! Quantos conimbricenses já aqui terão estado? Quantos turistas italianos, que visitam Coimbra, saberão que a Lusa-Atenas alberga em si uma verdadeira jóia artística feita por conterrâneos?
Consultas
1) Dias, Pedro-100 Obras de Arte de Coimbra, Fundação Bissaya Barreto, 2008
Consultar aqui fotografias do exterior.
Boa Viagem!

Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra (***)

Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra

Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra é um dos edifícios mais importantes da Universidade de Coimbra cujo conjunto monumental será em breve classificado Património Mundial da Humanidade.
É no Pátio das Escolas que se encontra o património mais marcante e simbólico da Universidade de Coimbra. Depois de já aqui termos descrito a célebre e iconográfica de Torre da Universidade. Passemos então para esta maravilhosa Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra.
A Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra foi sucessora de um pequeno templo românico que servia de oratório ao paço real do primeiro rei, Dom Afonso Henriques, que aqui viveu e muito provavelmente, também morreu.
[TABLE=4]
Depois de uma reformulação da Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra a mando do Infante D. Pedro, Duque de Coimbra, da qual segundo projecto de Boitaca de que se construiu a estrutura manuelina. Aqui trabalharam alguns dos mais importantes artistas do Portugal dos Descobrimentos: Boitaca, Marcos Pires e Diogo Castilho.
Do estilo manuelino ficou o notável portal lateral (*), as janelas e no interior o arco cruzeiro.

porta manuelina igreja de são miguel 200x300 Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra (***)
O Portal Manuelino da Capela de São Miguel (*)
O portal manuelino da Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra é um dos mais belos neste estilo em Portugal, de feitura naturalista mas de simbólica imensa. Foi construído entre 1517 e 1522 por Marcos Pires (que morre em 1521), terminando a empreitada Diogo Castilho.

Entre dois contrafortes, em forma de pilar torcido, está o arco decorativo cujos aros se entrelaçam e rematam em desenvolvida cruz. Pode observar  nos vãos ao centro o Escudo Real, ladeados pela Cruz de Cristo e pela Esfera Armilar. Três escudetes por cima daqueles mostram os símbolos da Paixão. Tem ainda outros símbolos como alcachofras e cordas, mais emblemas do ressurgimento de um mundo perfeito a mando de Portugal e da Igreja Católica do que simbologia marítima associado.
As cornijas no transepto e a capela-mor que são já renascença e devem-se a Diogo de Castilho. Em 1544 João de Ruão, trabalhou também na consolidação da capela-mor da Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra.

Em datas seguidas, fizeram-se ainda mais obras importantes como o retábulo-mor (1605) (*), o revestimento azulejar, tipo tapete (1613) ou a pintura do estuque (1695).
O Interior da Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra
Ao longo de três séculos, o interior iria acumular um ambiente de rara opulência e harmonia, onde, a par da riqueza das alfaias, se destacam os tectos, o revestimento integral azulejar do século XVII, e o magnífico retábulo-mor de Bernardo Coelho, com pinturas de Simões Rodrigues e Domingos Serrão (*), o belo Sacrário (*) ou sumptuoso (**).
Retábulo-mor da Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra (*)
Não sabemos como seria o retábulo manuelino, mas o certo é que este viria a ser subsituído por este magnífico retábulo maneirista. A construção desta obra de arte, ao contrário do que é usual está bem doumentado. O projeto foi pago a Bernado Coelho, um artista de Lisboa. A execução da obra de marcenaria foi arrematada pelo escultor Simão da Mota em 1611. As pinturas são da autoria de Simão Rodrigues e Domingos Vieira Serrão, de 1612; estes dois artista relaizariam outras obras em Coimbra.
A estrutura é um magnífico exemplo da estética maneirista, o mesmo se pode dizer das pinturas que são um dos mais importantes e melhores conjuntos da pintura maneirista produzida em Portugal, reflectindo de forma mito evidente a tendência italinizante que este estilo tinha entre os finais do século XVI e o início do século XVII:
Ladeando o vão central no primeiro corpo há dois intercolúnios coríntios, com frontões de enrolamento, no segundo corpo é mais simples. As tábuas superiores representam o Nascimento e a Adoração dos Magos, e as de baixo a Ressurreição e o Aparecimento da Virgem. Na parte central está uma bela “Última Ceia”, e nas laterais foram esculpidos dois bustos de São Pedro e São Paulo.
A parte central, o camarim foi alterado no século XVIII, tendo agora uma aparência banal, mesmo assim são bonitos os anjos dourados.
O Sacrário (*) da Capela Real
Perante esta magnífica estrutura em miniatura chega a dar vontade de brincar. Mas alto lá, a mira não deve ser a infantil perante obra de qualidade excepcional, executada com muita perícia em cobre, rebatido, cinzelado e posteriormente dourado.

Capela smiguel 219x300 Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra (***)A sua estrutura arquitectónica, que é a miniatura de um edifício, diz-nos desde logo que foi feita por magnifico artista que dominava muito bem a arquitectura clássica da segunda metade do século XVI. O sacrário da capela se São Miguel foi idealizado e construído como se fosse um templo com dois andares e com um coroamento a remata-lo.
Reparai amigos na finura das colunas da ordem coríntia, na segunda metade estriadas e na parte inferior dotada de uma decoração reticuladas com meias esferas. Também podia chamar a atenção a porta monumentalizada do sacrário, num classicismo impecável ou os vários anjos distribuídos, obra de excelente estatuário, possuidores da elegância e de uma graciosa movimentação que são típicas do maneirismo italiano. Reparai a culminar tão importante obra na coroa imperial.
Quando, onde e quem foi que executou tão bela obra de arte? Será produto importado?
É este o mais belo órgão (*) Português?
Aqui a música materializado na tecnologia barroca unem-se a uma magnífica obra de arte, que enche totalmente a vista.
O órgão que falamos já se fazia ouvir em 1732. A estrutura mecânica ficou a dever-se ao grande organeiro Manuel de São Bento Gomes.
A magnífica caixa foi construída nos anos 1732 e 1733 e pintada em 1737 por Gabriel da Cunha.

capela da universidade de Coimbra 200x300 Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra (***)Deve destacar-se a exepcional decoração de “chinoiserie” dourada sobre um belo vermelho.
Quanto a escultura que inclui, com o seu efeito de coroamento de Dom João V, com 4 anjos trombeteiros de cada lado, e pesadas cortinas imitando tecidos fantasiados, que são uma alegoria a magnificência do monarca, represenatado pelo escudo nacional coroado, tornam este objecto umas das mais belas obras barrocas em todo o nosso País.
E se sairdes da igreja e rumares a Biblioteca, logo ali a ilharga, ai completarás de forma esplendorosa a visita a este conjunto magnífico de barroco Joanino.
Em dependências anexas está instalado o Museu de Arte Sacra, composto essencialmente pelas peças artísticas com que a Capela da Universidade foi sendo dotada ao longo do tempo. Das suas colecções constam obras de escultura barroca, paramentos, mobiliário, pintura, livros, diversas alfaias de culto e ourivesaria e é aqui que está o nosso notável sacrário.

Para mais informações sobre a  Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra clicar aqui

Claustro do Mosteiro de Celas (Coimbra) (**) (2ªparte)

Claustro do Mosteiro de Celas (Coimbra)

A fachada do Mosteiro de Celas é trespassada por um portal nobre quinhentista. No lado direito abre-se um portal manuelino. O piso superior é marcado por galeria seiscentista coberta e rasgada por nove vãos gradeados.
No pátio à direita ficava a casa da abadessa (hoje é uma antiga escola primária), a cozinha e o refeitório; à esquerda, podemos ver as ruínas das antigas hospedarias, do cartório conventual do século XVII e, ao fundo, uma porta, todo este conjunto do lado esquerdo foi alvo recentemente da construção de um edifício privado o que gerou muita controvérsia, com a destruição inclusive de um portal. Pode ver aqui a reportagem na SIC.
Antecedida por um pequeno átrio, a igreja de planta circular, foi acabada em 1529. Aliás todo o mosteiro foi alvo de profundas remodelações no século XVI e XVII, com destaque para o abadessado de D. Leonor de Vasconcelos.
A capela-mor fica à direita da entrada, em linha oposta ao coro. Cobre a igreja uma bela abóbada manuelina estrelada, com nervuras calcárias ornamentadas por chaves de florões, ostentado a do fecho o escudo português segurado por duas águias. É de salientar o lambrim de azulejos, da segunda metade do século XVIII e de fabrico coimbrão, versando cenas da Anunciação e da Visitação. Ladeiam o arco cruzeiro dois altares, o da Piedade e o de Cristo e ainda na sacristia encontra-se um retábulo em pedra, com baixo-relevo de S. Martinho e com o martírio de São João Baptista, provavelmente da autoria de João de Ruão.

claustro de celas 4 300x300 Claustro do Mosteiro de Celas (Coimbra) (**) (2ªparte) O arco do coro, setecentista, apresenta uma pequena abóbada manuelina com as armas dos Vasconcelos. Preenche o arco um interessante gradeamento em ferro forjado, saído da oficina de Coimbra do século XVIII. O coro, simples e espaçoso, ostenta um cadeiral sem ornamentação, de duas filas com alto espaldar, obra de finais do século XVI.
No coro encontramos uma pequena e belíssima pintura quinhentista da Anunciação.
A porta do coro para a antecâmara da sala do cabido (inicialmente foi feito para ser um arco tumular para a abadessa D. Leonor de Vasconcelos, responsável pela remodelação quinhentista do Mosteiro de Celas) deve-se a Nicolau Chanterene e ostenta a data de 1526, mostrando as armas da abadessa D. Leonor de Vasconcelos e da Infanta Dona Sancha.
A sala do capítulo apresenta cobertura de pedra em abóbada de caixotões, revestindo as paredes azulejos seiscentistas sobre os pétreos bancos corridos. No arco do topo assenta em mísula a escultura de Cristo Ressuscitado, abrindo-se dos lados nichos albergando S. Bento e S. Bernardo.
O notável claustro do Mosteiro de Celas (**)
Sem dúvida que o maior motivo de interesse artístico deste mosteiro reside no claustro do Mosteiro de Celas.
A galeria norte e nascente, do século XVI do claustro do Mosteiro de Celas desenvolve-se em três grupos de dois arcos, apoiados em colunas dóricas. As alas sul e poente pertencem ao século XII ou XIV e são formadas por 12 arcos plenos, assentes em esbeltas colunas geminadas, com extraordinários capitéis historiados
Os capitéis do claustro do Mosteiro de Celas dividem-se em 4 grupos, quanto a iconografia. O primeiro é alusivo a temas cistológicos (Anunciação e Visitação; Flagelação e Crucificação; Aparição a Madalena e Cristo no Limbo; Cristo a Caminho do Calvário. Descimento da Cruz; o segundo a temas hagiográficos (ex. a degolação de São João Baptista); outro com outros motivos (Santiago a Cavalo combatendo um mouro, dragões, figuras humanas); e um outro tema ainda com decoração vegetalista.
Não se conhece a origem dos capitéis românico-góticos, nem sequer se eles foram inicialmente construídos para aqui se para outro local na cidade Coimbra. Apenas sabemos que estes ou o conjunto de coluna dórica foram aqui colocados em 1533.
O magnífico claustro do Mosteiro de Celas, era bem mais pequeno e que foi alvo de profundo arranjo no século XVI, aumentando em muito a sua dimensão.claustro do mosteiro de celas 1 300x231 Claustro do Mosteiro de Celas (Coimbra) (**) (2ªparte)Depois de vermos este excelente sítio, pode dar-nos a fome e como em quase todos os conventos femininos, também este teve a sua doçaria, neste caso muito originais: o manjar branco (ler aqui) ou talvez também não seja incorrecto chamar-lhe de maminha de freira? Infelizmente não encontramos tão doce manjar nem no convento nem nas suas cercanias…enfim, fiquemo-nos por um café com um desacertado pires com amendoins.

Claustro do Mosteiro de Celas (Coimbra) (**) (1ªparte) -A História

Claustro do Mosteiro de Celas (Coimbra) (**) -A História

Sabia que…o Mosteiro de Celas era feminino e pertencente a da Ordem de Cister, foi fundado, por vontade expressa da Infante D. Sancha, filha de D. Sancho I, Rei de Portugal?
Em redor da infanta Sancha e das suas duas irmãs gerou-se um culto popular que as levaria a sua beatificação. As princesas Teresa, Mafalda e Sancha criaram assim 3 notáveis mosteiros cistercenses femininos: Mosteiro de Lorvão (**), Mosteiro de Arouca (***) e o Mosteiro de Celas com o seu claustro (**). Teresa e Sancha seriam beatificadas em 1705 e Mafalda em 1792.

mosteiro de celas 300x283 Claustro do Mosteiro de Celas (Coimbra) (**) (1ªparte)  A HistóriaO rei Dom Afonso II, Apesar de ser um homem exaurido fisicamente devido a lepra, reinou de uma forma bastante inovadora para a época, centralizando em si os destinos do país, nessa compita travou uma guerra civil contra as suas irmãs.
Quando o seu pai morreu, deixou em testamento às suas irmãs Mafalda, Teresa e Sancha alguns castelos no centro do país (Montemor-o-Velho, Seia e Alenquer) e as respectivas vilas, termos, acaidarias e rendimentos, designando-as rainhas dessas terras. As infantas lutaram pelo reconhecimento, posse e independência das suas terras, reunindo também tropas que se aliaram às suas causas gerando uma guerra civil com o rei, seu irmão, que pretendeu centralizar o reino (ler aqui).
Em relação ao Mosteiro de Celas, saiba o viajante que Dona Sancha o mandou fazer em 1213, , na sua antiga quinta de Guimarães (Vimarannes, Vimarães ou Valmeão), nos arredores da cidade de Coimbra.
A Alenquer, que lhe havia sido doada por D. Sancho I, foi buscar um conjunto de “enceladas” ou “emparedadas” – conjunto de mulheres piedosas que viviam isoladas em celas e pequenas ermidas – que tomou por sua conta. Feito o voto de castidade e tomado o hábito de Cister, a princesa Sancha haveria de viver em Lorvão, até que as primeiras “enceladas” e monjas de Lorvão se transferissem, em 1219, para o Mosteiro de Santa Maria de Celas
Na Clausura de Celas haveria de viver até ao dia 13 de Março de 1229, depois de morta, seria transladada para o Mosteiro de Lorvão (**), segundo a instrução da sua irmã Teresa, que passaria a administrar os dois conventos.

O cenóbio cisterciense do Mosteiro de Celas era constituído por uma igreja com um pequeno claustro rodeado de pequenas celas. Assim surgiu o seu nome.
mosteiro de celas 1 300x175 Claustro do Mosteiro de Celas (Coimbra) (**) (1ªparte)  A História Pode aqui ler a impressiva história de Sancha, a silenciosa (ler).
A evolução da comunidade religiosa andou a par com a expansão das dependências conventuais, conhecendo estes vários períodos de restauro, especialmente nos séculos XVI e XVIII. Extintas as ordens religiosas em 1834, foi permitido às monjas bernardas a sua continuação, até à morte da última, que ocorreu em finais do século XIX.
Já no século XIX, extintas as ordens religiosas, parte do Mosteiro foi demolido dando lugar a diferentes tipos de ocupações: asilo para cegos e aleijados do distrito, Sanatório Feminino de Celas e Hospital Pediátrico de Coimbra. (Continua).

Sacristia da Igreja de Santo António dos Olivais (Coimbra) (*) – (2ªparte)

Sacristia da Igreja de Santo António dos Olivais (Coimbra)

Quem visita a igreja de Santo António dos Olivais, normalmente fica um pouco decepcionado porque esperaria ver mais beleza, mas esta nem sempre se exibe e é necessário procura-la, mas como estamos aqui para o ajudar -amigo visitante, pedimos-lhes que não parta já e tente visitar a notável sacristia da igreja de Santo António dos Olivais, porque é uma verdadeira jóia arquitectónica, pela sua estrutura e sobretudo pela sua decoração.

A sacristia faz lembrar uma pequena igreja com capela-mor. Foi construída na primeira metade do século XVIII e decorada na segunda metade do mesmo século. O corpo da sacristia é rectangular abobadado com capela-mor.
O arco triunfal da sacristia tem belas ombreiras com tratamento barroco fino que culminam num frontão triangular simples; sobre o arco da sacristia podemos ver ainda um retrato de santo António a óleo, cujo autor desconhecido diz ser o verdadeiro retrato do canonizado. Realidade ou imaginação pedante? Não sabemos, porque presunção e água benta, cada qual toma a que quer.
Ao fundo da sacristia, sobre o altar, um quadro a óleo de Pascoale Parente, pintado em 1796, representando Santo António a abdicar dos monges crúzios e a tomar hábito franciscano.

sacrisitia santo antonio olivais 224x300  Sacristia da Igreja de Santo António dos Olivais (Coimbra) (*)   (2ªparte)

Obra de arte relevante não é o alijar de azulejos barrocos, azuis cobalto, fabricados pelo mesmo artista que fez os das paredes da igreja. São espampanantes, barrocos, mas de pouco nível, com uma execução pobre e com o nosso santo igual as restante figuras e todos de olhar vesgo; para honra e salvação do artista, diremos que não faríamos melhor, bem mas nós até para desenhar uma recta é o cabo dos trabalhos.
O teto abobadado possui uma bela composição pictórica, a fresco, com enrolamentos de acantos, tendo ao meio um brasão de um bispo. Grandes janelas bem posicionadas na sacristia fornecem abundante luz (eis aqui um ponto em que me concentro sempre que chego a um templo e a conselho o incauto turista a fazer o mesmo).
No lado esquerdo da sacristia foi construído longo da parede um magnífico móvel do século XVIII, em madeira brasileira com embutidos de marfim no tampo.
Sobre o arcaz há uma série de telas com temas alusivos à vida de Santo António, obra de um pintor razoável, com as pinturas envoltas com uma bela moldura de talha dourada barroca. Do lado direito temos: o episódio da tentativa de envenenamento; São Francisco autorizando Santo António a ensinar teologia aos frades e santo António na sua primeira pregação em Forli. Do lado esquerdo as molduras representam: o milagre da bilocação; o milagre do pé cortado e a morte de Santo António.
Antes de deixar aconselho-o ainda a visitar o presépio, um pouquinho a moda de Machado de Castro e os vestígios da cripta.
Pronto, partamos então deitando ainda uma vista de olhos para o cemitério, onde estão amigos defuntos.
Ao descer o escadório vamos pensando que a morte está muitas das vezes associada as obras de arte e provavelmente é um assunto tão importante que um pedaço daquilo que construímos assenta neste abismo do “Nada”, mas fujamos ao assunto porque o que pretendemos é folgar.
Mas a morte não nos larga e está sempre a nossa frente. É o caso deste belo Cruzeiro dos Olivais, situado no adro ao fundo do escadório. Aqui a figura de Cristo é serena e realista e pregado na cruz espera a morte. A imagem é de anatomia tão perfeita que um amigo que me acompanha diz que talvez seja demasiado irrepreensível, não sei, venha aqui o viajante e decida por si.
Esta belíssima representação de Cristo foi construída em 1536 pelo escultor normando João de Ruão. Porém, o estatuário não se ficou apenas pela imagem, mas executou igualmente um templete que albergava o grupo escultórico. Reparai nos pilares que estão lavrados com elementos decorativos da renascença.

cruzeiro olivais 1 227x300  Sacristia da Igreja de Santo António dos Olivais (Coimbra) (*)   (2ªparte) No século XVIII o templete foi fechado e as paredes interiores foram revestidas com azulejos figurativos azuis e brancos com cenas da Paixão. Representam a Prisão e o Caminho para o Monte Calvário, a Oração de Cristo no Horto e a Flagelação. Na parede fundeira por trás da Cruz foi colocado um sol irradiante. Como os azulejos historiados são da mesma época que os da nave da igreja, devem pertencer ao mesmo artista banal; pobre homem que já enterrado não mereceria aparecer assim na internet tão mal tratado!
Partamos então, agora e desçamos a rua de Bernardo de Albuquerque até ao Mosteiro de Celas que tem um claustro com capitéis historiados de muito boa qualidade (**). Paremos ainda na antiga Junta de Freguesia dos Olivais, para ver o Centro de Estudos de Santo António com uma boa parte do espólio a ser cedido pelo senhor Alfredo Bastos, que também forneceria o seu acervo para o recordatório da Rainha Santa Isabel (ler aqui).
Outras Informações:
Classificação: A igreja de Santo António dos Olivais está classificada como Imóvel de Interesse Público
Entrada gratuita
Telefone: 239 711 992 / 239 713 938
E-mail: santoantonioolivais@gmail.com
Endereço: Largo Padre Estrela Ferraz – 3000-083 Coimbra
Notas: http://santoantonio.com.sapo.pt
Informação GPS
Latitude: 40.21797
Longitude: -8.40434

Igreja de Santo António dos Olivais (Coimbra) (*)- Com destaque para a sua sacristia (1ªparte) (*)

Igreja de Santo António dos Olivais (Coimbra)- Com destaque para a sua sacristia

Sabia que…a igreja de Santo António dos Olivais em Coimbra foi o local onde Fernando se transmutou em Santo António?
A igreja de Santo António dos Olivais assenta no topo de uma colina onde anteriormente se situava o pequeno eremitério de Santo Antão, doada por Dona Urraca aos franciscanos em 1217.
Antes da partida para o norte de África em missão de evangelização vieram a igreja de Santo António dos Olivais em 1219, os cinco Franciscanos que viriam a ser decapitados pelo Sultão de Marrocos- estes passariam a ser conhecidos como os 5 Mártires de Marrocos. Em 1220 chegaram a Coimbra as relíquias mortais dos Cinco Mártires de Marrocos que ficaram a guarda do Mosteiro de Santa Cruz (***) onde ainda hoje se encontram e podem ser venerados (também existe uma notável Arca-Relicária dos Mártires mandada fazer para o Mosteiro de Lorvão (**) para receber alguns dos despojos e que hoje se encontra no Museu Machado de Castro (***)-ler aqui).

igreja santo antonio dos olivais1 300x225 Igreja de Santo António dos Olivais (Coimbra) (*)  Com destaque para a sua sacristia (1ªparte) (*)
Este episódio marcou indelevelmente a vida de Fernando Bulhões, estudioso monge Crúzio, nascido em Lisboa, fazendo-o enlaçar o espírito de evangelização e da pobreza franciscana, recolhendo-se no Eremitério dos Olivais de Coimbra – nascia assim Santo António em Coimbra. Depois de uma estadia curta no ermitério partiria para Marrocos (continuar a ler).
Logo após a morte de António, passado apenas 11 meses, a santidade chegaria em 1233, no processo mais célere da canonização até a data. É com a sua canonização em 1233 que é mudada a invocação deste templo, deixando assim de ser dedicado a Santo Antão para ser invocado o nosso santo.
Em 1247, os frades franciscanos abandonam a igreja de Santo António dos Olivais, talvez pelo incómodo popular de tanta peregrinação, e desejando bonança, instalam-se no Convento de São Francisco da Ponte, em Santa Clara, junto ao rio Mondego que devido as cheias indomáveis, no século XVI foi abandonado e o fez-se novo convento de São Francisco (agora a ser alvo de requalificação -ler aqui) na base da colina dolomítica do Monte da Esperança e onde se situa o Mosteiro de Santa Clara a Nova (**); do convento de São Francisco da Ponte já nada existe. A igreja de Santo dos Olivais seria entregue ao cabido da Sé Velha de Coimbra.

A igreja de Santo António dos Olivais continuo-o a ser um local de romaria a Santo António. O conjunto foi ampliado nos fins do século XV, como consequência do crescente culto antoniano. A Igreja de Santo António dos Olivais ficou a ocupar sensivelmente o espaço que actualmente tem.

Igreja de Santo Antonio dos Olivais1 300x219 Igreja de Santo António dos Olivais (Coimbra) (*)  Com destaque para a sua sacristia (1ªparte) (*)

No século XVI a igreja passa à posse dos Franciscanos Capuchos. Estes frades em 1673 reedificam a cela de Santo António que foi adaptada a Sala do Capítulo que é hoje uma pequena capela com um portal gótico, que serve de capela mortuária, aqui são bonitos os azulejos hispano-árabes. Constroem também uma modesta residência conventual, no local hoje ocupado pelo cemitério, ficando o claustro no espaço do actual terreiro da igreja.

No século XVIII fizeram-se grandes obras: modificação da frontaria da igreja, sacristia, pórtico e escadaria de acesso e suas capelas laterais.
Em 1835, um ano após a extinção das Ordens Religiosas, a igreja e o convento foram vendidos. Na noite de 10 de Novembro de 1851, as dependências do convento são devoradas por violento incêndio, salvando-se, contudo, a igreja e a notável sacristia (*).
Em Maio de 1855 passa a igreja paroquial da freguesia de Santo António dos Olivais. A partir de Novembro de 1974 os frades franciscanos, vindos de Itália, tomam deste conjunto tratando-o actualmente com muito esmero.
O que é hoje a igreja de Santo António dos Olivais
A igreja de Santo António dos Olivais pertence ao tipo de santuários altos, chamado sacro monte (ler aqui um site sobre sacro montes na Europa). Tem uma escadaria monumental construída no século XVIII e adaptada à ladeira natural do outeiro. É composta por trinta degraus de pedra divididos em seis lanços e ladeada por seis capelas gradeadas observam-se ingénuas composições de escultura, de barro, figurando cenas da Paixão de Cristo.
Quase tudo o que se vê hoje foi feito no século XVIII-tal como o escadório, a igreja e algumas dependências anexas. Da época medieval só há o arco da porta, datado do século XV e vestígios arqueológicos.
A fachada é simplória, com um grande arco a anteceder o pórtico gótico, com um janelão, e dois nichos a ladeá-lo, com as figuras de Santo António e de São Francisco.
O interior da igreja de Santo António dos Olivais
O interior da igreja é simples, com uma só nave e com a cabeceira formada por uma única capela.
A igreja é bonita e tem algum valor artístico plasmado talvez nos azulejos azuis da primeira metade do século XVIII com várias cenas alusivas a vida de Santo António que valem a pena serem vistas, mais pela cenas interessantes do que pela qualidade estética; do lado direito temos a pregação aos peixes, o milagre do corte do pé, o encontro com S. Francisco e a morte de santo António; do lado esquerdo a pregação de santo António sentado na nogueira; Santo António livrando o pai da forca; a tomada de hábito franciscano e o milagre da Eucaristia. Tem ainda três retábulos da época Joanina. No retábulo principal está uma grande tela representando Nossa Senhora da Conceição, datada de 1779 e pintada por Pascoale Parente. Nos outros dois retábulos estão duas imagens de S. Francisco e S. João Baptista.

Classificação: A igreja de Santo António dos Olivais está classificada como Imóvel de Interesse Público

Entrada gratuita
Telefone: 239 711 992 / 239 713 938
E-mail: santoantonioolivais@gmail.com
Endereço: Largo Padre Estrela Ferraz – 3000-083 Coimbra
Notas: http://santoantonio.com.sapo.pt
Informação GPS
Latitude: 40.21797
Longitude: -8.40434

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