Cidade Romana de Ammaia (Marvão) (*)

Sabia que…a cidade romana de Ammaia no concelho de Marvão se encontra quase toda por estudar e que poderá tornar-se num pólo de desenvolvimento de toda aquela região? Haja tempo e recursos financeiros porque vontade existe para desenterrar este tesouro arqueológico do fértil vale da Aramenha.
A partir do século V a cidade foi bruscamente abandonada, qual teria sido  a causa?
“Próximo da vila de Marvão surge um dos mais importantes vestígios da civilização romana no Norte Alentejo e embora a área escavada ainda seja diminuta, é possível verificar todo o seu potencial enquanto vestígio de uma cidade romana que não sofreu o contínuo assentamento urbano de diferentes épocas no mesmo espaço.
A cidade de Ammaia terá sido fundada provavelmente entre o final do século I a. C., e o início do século I d. C., como parecem demonstrar os vestígios até agora encontrados. Trata-se de uma cidade de fundação romana que seguiu todos os cânones construtivos que caracterizam este período. A Ammaia apresenta uma malha urbana muito bem delimitada tendo sido detectados até ao momento diversos edifícios públicos, tais como uma praça de entrada (Porta Sul), o Forum, as termas do Forum e outras áreas urbanas da cidade, adivinhando-se também a existência de um teatro e um anfiteatro.
A cidade de Ammaia terá sido ocupada pelo menos até meados do século VI d.C., abandonada posteriormente a esta data, tendo sido ocupada esporadicamente após esse período, mantendo apenas uma população residual, altura em que terão surgido outros aglomerados populacionais com carácter mais defensivo que lhe tomaram o lugar, ter-se-á dado assim o aparecimento de Marvão, Marwan para os povos islâmicos que no século IX ocupam toda a região do Alto Alentejo.
Museu Monográfico de Ammaia
Desde já o visitante poderá desfrutar de uma visita ao museu monográfico onde estão patentes duas exposições com materiais que foram recolhidos ao longo dos tempos na cidade, quer no decorrer dos trabalhos agrícolas, quer já com a realização de escavações arqueológicas no período entre os anos de 1995 e 2006. Uma das exposições demonstra a vida quotidiana da população que viveu na Ammaia, e a outra, é fruto do trabalho de um coleccionador, o senhor António Maçãs, que viveu paredes-meias com as ruínas da cidade, na vizinha Quinta dos Olhos D’Água, e que na sua época conseguiu, em parceria com o Prof. Leite de Vasconcelos, recolher uma importante colecção de peças da Ammaia. Uma parte dessa colecção encontra-se depositada no Museu Nacional de Arqueologia (****) e a outra foi recentemente entregue ao museu de Ammaia para estar patente no seu espaço museológico. Esta colecção/exposição é composta por diversas peças cerâmicas, inscrições, moedas, objectos de adorno e vidros romanos que foram recolhidos em Ammaia desde os inícios do séc. XX e que correspondem a uma das mais importantes colecções de vidros romanos da Península Ibérica.

Ruínas romanas da cidade da Ammaia

Porta Sul de Ammaia
Os trabalhos nesta área identificaram duas estruturas circulares, que revelaram ser o arranque de duas torres. Estas ladeavam uma das portas da cidade, estando por sua vez adossadas à muralha romana, as torres possuem um diâmetro externo de 6,30m e estavam ligadas por um arco – Arco da Aramenha, transportado para Castelo de Vide (***) em 1710 e posteriormente destruído. Alargando-se a escavação para o interior da cidade, descobriu-se uma praça pública, pavimentada com blocos de granito lajeados. Os lajeados ladeiam uma das principais ruas da cidade (Kardo Maximus), que segue em direcção ao Fórum, possuindo cerca de 4m de largura, no entanto, os vestígios da calçada original desapareceram, restando apenas as peças que constituíam a soleira da porta.
Esta soleira é formada por cinco peças de granito, duas delas encontradas in situ. A construção deste conjunto monumental na segunda metade do séc. I d. C., implicou a demolição parcial de algumas habitações mais antigas que remontam aos inícios do império.
Termas do Fórum da Ammaia
Em 1996 identificou-se um pequeno tanque revestido por placas de mármore, que faria parte do complexo balneário do Forum. Seria provavelmente o tepidarium (tanque de água tépida), ou o frigidarium (tanque de água fria). A envolver este tanque surgem algumas estruturas pertencentes ao complexo termal. Recentemente, foi posta a descoberto parte de uma natatio, piscina maior do edifício, que poderia ser coberta ou ao ar livre. A oeste encontra-se a EN359 que destruiu uma parte significativa deste edifício. Esta estrutura é de difícil interpretação para olhos leigos.

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Fórum e Templo da Ammaia
Na Tapada da Aramenha, eleva-se uma estrutura rectangular (18m x 9m), com uma altura máxima de 2,50m, correspondendo ao podium de um templo. Apresentando um enchimento de terra argilosa e opus incertum que seria revestido com blocos de granito e dividido em duas partes (a cella e o pórtico do átrio) por um muro transversal ainda visível. As escavações na área envolvente do podium permitiram delimitar o edifício com maior monumentalidade da cidade, o Forum. Era aqui, que se centravam os poderes administrativos, religioso e judicial e onde a população da cidade e da região vinha prestar culto às divindades do panteão romano e indígena”.1
A cidade romana de Ammaia e os mosaicos romanos com o último canto da Eneida em Alter do Chão são os mais importantes vestígios romanos do Distrito de Portalegre e ambos precisam de ser profundamente estudados e posteriormente postos a disposição do turismo de Portugal.
Nota: Quase todo este texto foi retirado e ligeiramente adaptado do excelente site da fundação da cidade romana da Ammaia.
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4 comentários Cidade Romana de Ammaia (Marvão) (*)

  1. Kallu says:

    Olá, gostaria de saber se vocês poderiam me mandar esse artigo pra uso universitário, preciso fazer um guia turístico e tem pouca coisa, quase nada, sobre ammaia na internet e livros.
    Obrigada

  2. Eunice Pires says:

    Vou visitar Ammaia em 10 ou 11 de Julho. Tenho procurado informação sobre esta cidade e encontrei um artigo bastante completo de Maria de Lourdes C. Tavares ‘Municipium de Ammaia, Património Romando do Nordeste Alentejano’, que tem links para mapas e imagens que não se conseguem abrir. Não há qualquer ref.ª para contactar a autora. Conseguem arranjar-me o contacto dela?

  3. Castela says:

    Cara Eunice
    Eu consigo abrir muito bem o artigo da Maria de Lurdes Tavares sobre Ammaia; talvez seja do seu navegador; tente abrir num outro computador e talvez consiga.
    Aqui vão de novo os links.

    http://www.portugalromano.com/2011/02/a-cidade-romana-de-ammaia/
    cienciasdonossotempo.no.sapo.pt/cidade_de_ammaia.htm
    Se precisar de alguma outra informação sobre a região, basta contactar-me
    Obrigado
    Castela

  4. Jude Irwin says:

    Hi. It is great that you took time to try to write an article in English, because too often in Portugal, the only historical or natural history commentary available is in Portuguese only. However, as an editor, may I encourage you to get someone fluent in English to revise the piece? It is actually very difficult to make sense of some sections as it stands,.

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