3 dias magníficos por terras dos Hospitalários no Alto Alentejo

Não é uma região com muitos turistas, o que é uma vantagem para quem demanda paz de espírito, mas é uma zona muito bela do nosso País e relativamente ignota. Proponho um passeio pelos concelhos de Gavião, Nisa e Crato seguindo pela rota dos Cavaleiros Ordem de Malta (hospitalários) que aqui controlou a região – eram as Terras de Guinditesta. Entre os cinco monumentos notáveis construídos por esta ordem militar- aqui estão três: os Castelos de Belver (**), de Amieira do Tejo (**) e o Mosteiro de Flôr de Rosa (***).
Para se chegar a região, a via mais usual é a rodoviária, servida pela Auto-estrada (A23). Mas quem vem de Lisboa a ligação de comboio é magnífica, pois acompanha a partir do Entrocamento a paisagem ribeirinha do Rio Tejo.
Como alojamento recomendo a magnífica Casa Covão da Abitureira que bordeja o rio Tejo, em Belver a pouca dezenas de metros da estação de caminho de ferro de Belver-Gavião; escolha um dos quartos com janela ou varanda virada para a paisagem inolvidável do rio Tejo, que aqui escoa num ritmo verdadeiramente relaxante.
1º Dia de Turismo no Alto Alentejo-Castelo de Belver e Praia Fluvial do Alamal
De manhã, depois de uma óptima noite a escutar o som do Tejo e a ver os astros prepare-se para conhecer, ainda de manhã, o Castelo de Belver (**). Estacione o carro junte a igreja matriz e trepe ao Castelo; alcandorado num penhascoso cerro granítico a cavaleiro do rio Tejo e apesar de não ser de grandes dimensões, é um magnífico exemplar de uma fortaleza medieval pertencente à Ordem do Hospital de São João de Jerusalém.

Baixe novamente a vila e proponho que almoce no restaurante o Castelo, que tem para si um óptimo peixe fresco do rio, pescado pelo Ricardo, que também é dono do espaço. Os preços são muito baratos e é o melhor peixe do rio grelhado no País.
De tarde, recomendo uma ida à mais bela praia fluvial de Portugal- a Praia Fluvial do Alamal (*), disposta na margem esquerda do rio Tejo. Tem um bom areal (de areia de mar) uma óptima envolvência natural com o Castelo (**) como retrato de fundo e em que as aves de rapina planam tranquilamente mergulhando nas mansas águas do Tejo em demanda de alimento. Descanse, tome banho e não deixe de percorrer a magnífica passadeira que bordeja o rio até a ponte de ferro.
2º Dia-Anta Grande do Tapadão, o Mosteiro Flor de Rosa e a vila de Crato
Para aqueles que gostam de arqueologia, tem aqui uma das maiores e mais belas antas de Portugal- a Anta Grande do Tapadão (*), situada a 2 km da Aldeia da Mata, cuja câmara foi parcialmente trancada por um enorme bloco granítico. Está localizada na estrada entre a Aldeia da Mata e Flor de Rosa.
Parta agora para o Mosteiro Flor de Rosa (***), bem próximo do Crato, pertencente a Ordem do Hospital de Flor da Rosa, foi fundado em 1356, e é um dos mais emblemáticos exemplos de Mosteiro fortificado existentes em Portugal, nele está implementada uma das mais conceituadas Pousadas do País. Na Flor de Rosa aproveite para comprar a famosa olaria utilitária local com alguma recreação artística.

Acabe o dia passeando na pacata vila do Crato (*) onde permanecem traços do passado. Ao caminharmos pelas ruas da calçada, a cruz de oito pontas surge aqui e ali, mostrando a importância que esta ordem militar teve na sua História. A pacatez é total.
Tem moradias barrocas, portas medievais, grandes chaminés e ruazinhas cheias de carácter. Na vila não deixe de visitar a Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso com a cadeia em frente, a Igreja matriz, a Varanda do Grão-Prior, o museu municipal do Crato e o castelo (que necessita de restauração).
3ºDia-Amieira do Tejo
De manhã parta para a aldeia da Amieira do Tejo onde vai encontrar o terceiro monumento notável da Ordem dos Hospitálarios, o seu castelo (**) mandado construir pelo Prior D. Frei Álvaro Gonçalves Pereira, que também mandou construir o Mosteiro Flor de Rosa e pai de Dom Nuno Álvares Pereira (que aqui poderá ter nascido ou então no Mosteiro Flor de Rosa). O castelo da Amieira (**) é um magnífico espécime de fortaleza medieva residencial. Junto a um dos quatro torreões deste monumento nacional encontra-se a capela de S. João Baptista, com um tecto decorado em esgrafito. No lado oposto da aldeia não deixe de visitar a capela do Calvário (*) com um original retábulo barroco trabalho em granito a imitar talha em madeira.

Próximo desta localidade visite a Barca da Amieira (**), onde o rio Tejo parece um pedacinho caído do Paraíso. O local tem este nome por haver uma embarcação que faz a ligação entre o apeadeiro ferroviário da Barca da Amieira, situado na margem norte do Tejo, na Beira Baixa, e a estrada que conduz à localidade de Amieira, já no Alentejo, unindo assim os dois cais que entram rio adentro.
Parta agora para a vila de Nisa e aqui pode almoçar a comida típica alentejana. Aproveite para deambular pelo interior da cerca defensiva de Nisa, com as ruas cheias de carácter histórico, repare por exemplo nas Porta da Vila e de Montalvão.
Dê um saltinho as termas da Fadagoza de Nisa (*), que tem agora novas e modernas instalações. As termas são especialmente indicadas no tratamento de reumatismos e de afecções das vias respiratórias.
A Nossa Senhora da Graça (*), tem que perguntar em Nisa onde fica, tem um magnífico panorama envolvente, destacando-se a as Serras de São Mamede, Marvão (***) e a crista quartzítica de São Miguel.
Parta agora para a aldeia de Arneiro, e onde numa estrada de macadame deve deslocar-se ao Pêgo das Portas  até as águas mansas do Tejo. Aqui terá uma magnifica perspectiva das Portas de Rodão (**). É um sítio impar. No meio do caminho vai encontrar grandes escombreiras de trabalho de mineração romana -o Conhal do Arneiro.
Onde dormir:
Casa Covão da Abitureira (Belver-Gavião)
O que comprar:
queijo e enchidos de Nisa; bordados de Nisa (com os Alinhavados, Frioleiras, Aplicações em Feltro, Coberjões e Cobertores bordados, Xailes Bordados, Rendas de Bilros, Rendas de Pêlo de Cabra); olaria de Nisa, com as suas típicas  “cantarinhas” – bilhas de barro vermelho com incrustações de pedrinhas de quartzo; miniaturas e brinquedos em madeira(Crato);trabalhos em Talha e restauros(Crato); a famosa Olaria e cerâmica pintada de Flor da Rosa.
Pratos Típicos:
Maranhos, Pezinhos de Tomatada,- Feijões das Festas,  Arroz de Lampreia, Sopa de Peixe do Rio, Sarapatel , Migas de pão e/ou batata com carne frita,  Sopa de Cachola, peixe do rio, sopa de cação, ensopado de bacalhau, cozido à moda do Crato, caldeirada de Ganhão 
Doces:
Cavacas, Bolos de Azeite, Bolos de Canela, Bolos Dormidos, Esquecidos, Nisas, Barquinhos, tigeladas, Borrachões e Rebuçados de ovos, barrigas de freira, papos de anjo, tecolameca e bolo da sogra.
Se seguir o nosso concelho terá tempo para viajar calmamente e sentir-se revigorado e garanto-lhe que não mais esquecera a região. Mas aquilo que o tocará para sempre é a generosidade imensa deste bom povo alentejano que merece todo o nosso apoio.
A fotografia do castelo de Belver é do amigo José Branco.

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Um comentário 3 dias magníficos por terras dos Hospitalários no Alto Alentejo

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