Criptopórtico romano de Aeminium (**) no Museu Machado de Castro (****) (Coimbra)

No Museu Nacional Machado de Castro em Coimbra, podemos visitar o criptopórtico romano de Aeminium, que é uma das mais importantes obras da engenharia e arquitectura romanas no país.
Descoberta do criptopórtico romano de Aeminium
Anteriormente a 1929, sabia-se por múltiplos indícios, que sob o Museu, existiam galerias romanas entulhadas. A partir desta data a construção soterrada tem sido estudada, escavada, e posta a fruição dos visitantes. Contudo, a investigação foi descontínua e apenas em 2007-08 foi possível completar o estudo deste notável monumento.
Cronologia e função
A cidade de Aeminium nasceu há dois mil anos, onde hoje se situa Coimbra, por reestruturação da Lusitânia por Octávio César Augusto. No lugar onde hoje se encontra o museu encontrava-se o fórum da cidade. Para a construção deste foi necessário a construção do criptopórtico para vencer o declive da colina e estabelecer-se uma plataforma artificial. O fórum era o lugar cívico, religioso (da basílica ainda restam alguns alicerces), político e administrativo da cidade, porque era aqui o lugar do cruzamento do cardo e do decamunus.

Um pouco mais tarde, quando governava Cláudio, em meados do século I, terá sido reconstruído o criptopórtico, pelo arquitecto Caio Servio Lupo, que o ampliou, o que faz dele o maior edifício romano conservado em Portugal.
Para além desta função principal, crê-se que o criptóportico, tivesse uma utilização quotidiana, que serviriam, por exemplo, para eventos culturais ou simples passeios no Verão, graças à frescura do espaço.
Descrição do criptopórtico da Aeminium
O monumento é composto por dois pisos de largura diferenciada, determinada pelo declive da encosta.
O piso inferior, que é o verdadeiro alicerce do piso superior e de tudo quanto se construiu sobre ele e ainda hoje suporta o museu.
É constituído por sete celas iguais de grande dimensão, comunicando entre si e com uma galeria a elas perpendicular, que nos extremos conduzia aos níveis superiores através de escadas.

O piso superior atinge uma área construída quase quatro vezes superior ao piso inferior e é constituído por duas galerias, dotadas de arcos de comunicação entre elas, sendo ligadas a oeste por sete celas mais pequenas, que assentam sobre as do piso inferior; por aqui, nas vastas e complexas galerias, espraia-se diversa arte romana: com estatuária (onde se conhecem os bustos de Trajano- com o seu ar firme e determinado de andaluz, Agripina a antiga, sogra de Cláudio e Avó de Nero, Vespaniano, com o seu ar fatigado, e a bela Lívia, esposa de César Augusto- todos estes materiais são executados em mármores de Estremoz-Vila Viçosa; pedras funerárias, em que destacamos, a comovente árula a Vagélia Rufina, uma criança, a quem pai e avô fazem uma dedicatória, evocando os deuses manes; a lápide honorífica de cidade de Aeminium ao imperador Flávio Aurélio Constâncio (305-306 d.C.) e foi assim que se descobriu o nome da cidade; ou ainda a parte superior de uma mesa de pedra que serviria para libações aos Deuses.
O criptopórtico de Aeminium é um dos mais belos e originais do mundo romano.

Todo este magnífico conjunto labiríntico, está imerso em penumbra, com as frestas a garantiram luz e ventilação. As abóbadas são de cal- o opus caementitium- vazado em cofragens de madeira. A pedra de construção é o calcário local, dolomítico, de tom amarelo, do Jurássico Inferior – que também serviu para a construção da Sé Velha (***) ou da parte românica do Mosteiro de Santa Cruz (***). É a rocha, que define o tom amarelado da luminosidade interior.
Destruído o Império, o fórum desapareceu, mas o criptopórtico teve utilização na Idade Média. Razões de segurança ou outras conduziram ao seu entulhamento e a cidade perdeu-lhe a memória; mas agora renasceu dos escombros e é considerado pelos especialistas, como um dos mais belos e originais criptopórticos do mundo romano.
Esperemos que o fontanário público, adossado na base do criptopórtico no seguimento do decamunus, e que por certo seria importante em Aeminium, seja musealizado. A frente da fonte foi descoberta a cloaca principal e suas derivações, arruamentos secundários e um grande edifício público … e agora estamos todos à espera da reabertura, do Museu Nacional Machado de Castro.

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5 Locais notáveis próximo do Criptóportico de Aeminium – Alta de Coimbra
Igreja de Sé velha (***)
Universidade de Coimbra (***)
Igreja de Sé Nova (**)
Museus da Ciência no antigo Laboratório Chimico e no Colégio dos Jesuítas (*)
Jardim Botânico (***)
5 Locais Notáveis do Período Romano próximo do Criptóportico de Aeminium
Cidade de Conimbriga (Condeixa-a-Nova) (***)
Castellum e nascente de água de Alcabideque (Condeixa-a-Nova) (*)
Vila Romana do Rabaçal (Penela) (*)
Complexo monumental de Santiago da Guarda (Ansião) (**)
Ruínas romanas da Bobadela (Oliveira do Hospital) (**)
Boa Viagem!

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Um comentário Criptopórtico romano de Aeminium (**) no Museu Machado de Castro (****) (Coimbra)

  1. Sérgio Fagundes says:

    Fiquei incrivelmente impressionado pelo Museu…o criptopórtico, as obras de arte que nele contém causam uma satisfação e encantamento. O Museu é um dos lugares em Portugal que devemos conhecer.

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