Menir da Bulhôa (Monsaraz) (*)- Falos Sagrados na planície Alentejana

4 Razões para visitar o menir da Bulhôa

 

1- Por ser um dos menires mais ricamente decorados da Península Ibérica

2- Pela paisagem belíssima da planície alentejana em redor do outeiro onde assenta a aldeia histórica de Monsaraz

3- Porque os menires apelam ao mistério

4- Por fazer parte de um conjunto de menires notáveis em Monsaraz, em quantidade e qualidade.

Os monumentos megalíticos marcam muitos viajantes que ambicionam atingir uma espiritualidade mais profunda, mesmo que esta seja por vezes um pouco imprecisa, o mesmo acontece comigo; mas deixando o “Eu” (que por vezes tão mal nos faz) e passando ao “Nós” tentemos descrever o menir da Bulhôa onde emana uma imensa espiritualidade.
O menir da Bulhôa do Neolítico Final (entre os VI e V milénios a. C. ) situa-se apenas a 4 km da aldeia histórica de Monsaraz (***) e está inserido numa importante região megalítica com alguns dos mais notáveis menires de Portugal onde se destacam:
-O menir do Outeiro (*);
-O menir do Barrocal (*);
-O menir do Monte Ribeira(*);
-O menir da Rocha dos Namorados (apesar de este ser mais um caso de litolatria adotado como oráculo casamenteiro (*));
-Menir da Pedra Alçada (outro caso de litolatria) (*)
-O Cromeleque do Xarez (*).

O menir da Bulhôa, bem como os menires fálicos do Barrocal e do Outeiro, são simultaneamente visíveis da aldeia histórica templária de Monsaraz (***).
Abandonado ao longo de muito tempo, este monumento jazeu prostrado sobre o solo, o que contribuiu para a erosão das suas gravuras . Em 1970, por iniciativa da Junta Distrital de Évora e do Grupo dos Amigos de Monsaraz, o monumento foi reconstruído na sua base granítica e reerguido.
De forma fálica possuiria quando intacto cerca de 4 metros de altura. Ambas as faces se encontram insculturadas, tratando-se de um dos menires decorados mais ricos de toda a Europa. Pensa-se que a base poderia estar igualmente insculpida.
A face mais densamente radiada mostra-nos um sol radiado, um báculo curvo, ondulados e serpentiformes ou ziguezagues.
O motivo solar bem como os restantes são um padrão constante que se repete à escala europeia do neolítico ao calcolítico.

Menir da Bulhôa no aro da aldeia histórica de Monsarraz
Menir da Bulhôa

Os menires correspondem a um dos impulsos mais elementares do ser humano: criar um lugar, num espaço antes indiferenciado. De forma elementar este ato corresponde à criação de uma ordem geográfica e religiosa , por oposição ao caos. Se as antas são monumentos subterrâneos e femininos, pelo contrário os menires são monumentos celestes apontados para o firmamento, alguns imitando mesmo um pénis- que neste caso seriam “falos sagrados” muitas vezes representados com os devidos detalhes anatómicos (glande, prepúcio e meato uretral). Pode assim considerar-se o menir como um dos polos da cosmovidência megalítica. A sua decoração por motivos solares, báculos e ziguezagues, acentua a possibilidade de representarem um poder masculino, talvez sacerdotal, associando-se aos cultos de fertilidade.
De uma maneira geral e devaneando um pouco as suas funções  estas poderiam ser as de marco territorial,; sinalização de túmulos ou antas (algumas destas têm na proximidade menires, outros foram incorporados na sua construção, o que atesta a sua maior antiguidade); um eixo central do mundo que une o céu à Terra, funcionando como um umbigo terrestre; gnóm ou seja ser um elemento para fixar uma determinada posição astral ou mais simplesmente para acompanhar o movimento dos astros maiores; miras astronómicas, sozinhos ou em associações a outros menires; estelas-menires como este menir da Bulhôa, que se encontra amplamente decorado numa das suas faces; estátua-menires, com uma identificação mais humanizada com colares, armas, cinto…; desejo sagrado de sexualização e cultos de fertilidade, construindo uma analogia entre a fertilidade humana e a dos terrenos agrícolas do primeiro Homem sedentário Neolítico.


Registe-se que nenhuma hipótese exclui as restantes quer no mesmo período ou em períodos indiferentes. Por exemplo o espetacular menir das Corgas que se encontra no Museu Arqueológico do Fundão foi na Idade do Bronze adaptado a uma estátua-menir.
Venha amigo leitor, visitar estes monumentos megalíticos e adquira a sua própria opinião, ou então simplesmente sinta e admire a magnificência destes monumentos.
O menir da Bulhôa foi classificado como Monumento Nacional em 1971.
Data da última visita: Abril de 2012


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