Menir da Meada (Castelo de Vide) (**)

Sabia que…o Menir da Meada situado no concelho de Castelo de Vide (**) e é um dos mais notáveis menires de Portugal e um local obrigatório na peregrinação do turismo arqueológico?
Encontrava-se fragmentado em duas partes, com uma parte cravada no solo e a restante tombada. Actualmente, reposto na vertical, é o maior menir da Península Ibérica com 6,7 m de altura.
Este colossal monólito possui uma forma fálica e foi afeiçoado e polido. Tem duas insculturas na sua face- um antropomorfo e um serpentiforme, que apenas olhos treinados são capazes de identificar.
Com o seu espectacular protagonismo decerto seria um marco paisagístico e simbólico no norte do Alentejo. O seu nome “meadas” poderá estar relacionado com o seu posicionamento central que dominava toda uma ampla região.
O menir das Meadas encontra-se numa região com um significativo número de menires e antas. Como reparou Jorge de Oliveira este conjunto de menires parece ter um alinhamento NW-SE, constituído por 5 menires, que de ponte para nascente se inicia pelo menir do Carvalhal, a que se segue a 4 km o da Meada (*), a 5 km deste o da Corregedor, a 6 km o de Pombais e, por fim a 5 km deste, o de Porra del Burro (nome muito sugestivo…). Curiosamente estes 5 menires são em granito e encontram-se na zona de transição entre aquela litologia e os xistos.

O que são “Menires”?
A palavra menir deriva da palavra bretã, composta por men (pedra)+hir (grande). Ao contrário das antas, os menires têm escasso material associado enterrado. Estes provavelmente são anteriores as antas, uma vez que têm sido descobertos o reaproveitamento daqueles monólitos na construção de antas, a absorção deles pelas mamoas, bem como a total independência de alguns menires relativamente aos grupos de dólmenes. Mas nada de concludente se pode apurar. Seja como for, antas e menires, pertencem ambos à cultura megalítica e o período de elevação dos menires vai desde o Neolítico antigo a idade do Ferro.
Qual seria o significado do Menir? E aqui deixamos de parte as estelas-menires e estátuas-menires que representam alguém importante com as suas funções desempenhadas e já construídas no “tempo dos metais”. Voltando aos nossos monólitos “simples” estaremos sempre no terreno das mera hipótese científica. Assim podem ser:
a) Marcos territoriais. Constituiriam assim ”vestígios físicos das primeiras manifestações de divisão do território nas primeiras redes de povoamento sedentário.
b) O eixo central, criando uma relação cósmica entre o céu e a terra, funcionando como um eixo do mundo.
c) Gnómon ou seja os menires que definiriam determinada posição astral ou, mais simplesmente para acompanhar a movimentação dos astros.
d) Servirem de miras astronómicas conjugados com outros menires ou postes de madeira, mas também com estruturas morfológicas relevantes.
e) A definição de territórios religiosos interditos, porque talvez não seja inocente a inexistência de vestígios arqueológicos relevantes contemporâneos aos menires. Ou seja rodeariam um santuário.
f) Estruturas ligadas a religiões neolíticas, envolvendo fortemente a sexualidade. Devido a sua forma fálica, muitas vezes representando um falo com os devidos detalhes anatómicos (glande, prepúcio, meato uretral); o menir estaria assim associado a cultos de fecundidade. No entanto alguns menires, pela sua morfologia ovóide, romboidais ou de contornos losangulares poderão simbolizar uma polaridade feminina. E quando estão associados- um com formas rectas e fálicas e outro com formas largas e rudes – podem indiciar uma ligação do casal entre sexos opostos. A sua decoração com motivos solares e por báculos acentua a hipótese de representarem um poder sacerdotal.


Os menires para além de isolados podem também estar em alinhamentos e em cromeleques. Sabe-se hoje que os alinhamentos ou cromelques estavam relacionados com pequenos suportes de madeira que os circundavam ou com estruturas suplementares que suportariam fogueiras.
Apelo ao seu sentido crítico e estético, de maneira empírica e não especializada, para procurarem por este colossal menir da Meada e retirar daqui a sua conclusão. Da nossa, a impressão que temos destes megalitos, é a de que o Homem quer evadir-se da natureza e dos caos, e aqui tenta ordenar o “seu” Mundo. Fazei o mesmo, em relação, a vós, neste belo prado que rodeia o monólito.
Bibliografia: Oliveira, Jorge; e Oliveira, Clara Duarte, “Menires do distrito de Portalegre” in Ibn Marwan, nº 9-10, 1999-2000

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