Menir dos Almendres (Évora) (*) e o solstício de verão

O Menir dos Almendres

-É feito de granito porfiroide

 -Foi descoberto em 1964 e reerguido perto do seu local original.

- Tem forma afuselada com forma fálica.

-É de grandes dimensões com cerca de 3,5 metros de altura

-Pesa entre 10 e 12 toneladas.

-Tem gravuras rupestres (Báculo e linhas serpenteantes)

É um menir característico dos da região de Évora datável do Neolítico Inferior ou médio, tem na sua parte superior um báculo em baixo relevo, linhas serpenteantes e uma lúnula, que por vezes não são fáceis de descortinar. Também tem covinhas (ler aqui o seu significado), estas são um dos maiores mistérios da arqueologia mundial e que muitas pessoas ainda persistem em tatear.
O menir dos Almendres está Localizado relativamente perto do Cromeleque dos Almendres, a cota de 350 metros (menos 60 metros do que a cota máxima do cromeleque que se situa a 1,5 km), relaciona-se com este, uma vez que corresponde a uma direção astronómica elementar: o menir, visto a partir do recinto, isto se fosse retirada toda a vegetação envolvente, indica a posição do nascer do Sol, no dia maior do ano, o Solstício de Verão.
O Menir dos Almendres faz parte integrante de um conjunto de monumentos excecionais, em que se destaca o “cromeleque” dos Almendres que ocupa na região, um ponto central, no contexto da mancha de dispersão dos menires e recintos megalíticos. São exemplos os megálitos de Portela de Mogos e Vale Maria do Meio, com o par de menires de S. Sebastião da Giesteira, o nosso menir do Monte Dos Almendres e o de  Vale de Cardos.

Menir dos Almendres

Menir dos Almendres

Báculos e mulheres nuas no cromeleque dos Almendres
Antes de passarmos a descrever a visão de uma rapariga nua no menir dos Almendres e as divagações que tal acontecimento suscita, cavaqueemos um pouco sobre báculos, porque estes são uma constante nas gravuras do megalitismo alentejano.
Os báculos foram e ainda são, símbolo de poder e religioso motivo comum às comunidades, aqui as agro-pastoris dos povos neolíticos. Trata-se de um tema que evoca certamente a economia neolítica, em que a pastorícia desempenhou um papel central; reflete igualmente a ideologia neolítica, em que o Homem tenta dominar a natureza com a domesticação de animais e plantas.
O “báculo de xisto” é um dos motivos mais frequentes entre o mobiliário das antas portuguesas, principalmente nas alentejanas.
Possui uma forma invariável. Feito em xisto, termina sempre num enrolamento na ponta superior. Por vezes o dorso pode ser denteado.
É quase sempre profusamente decorado por séries de triângulos gravados á semelhança dos triângulos que decoram as placas de xisto megalíticos, que parecem ser indissociáveis.

Menir dos Almendres

Menir dos Almendres está relacionado com o cromeleque dos Almendres

Porém, contrariamente às placas de xisto, que são abundantes, os báculos aparecem com menos frequência, o que indica o seu estatuto de objeto de exceção.
O seu simbolismo está obviamente associado com a chefia, o poder espiritual, já que repercute o cajado tradicional do “bom pastor” que auxilia na guarda do seu rebanho. E ainda hoje é usado como tal nos membros da hierárquica da igreja católica como crossa ou báculo. O seu portador deveria ser então o condutor da comunidade, no tipo sacerdotal, com poderes investidos pelos deuses.
(Ver aqui imagem).
Na última vez que aqui estive vi aparecer uma rapariga nua, nem eu me escondi nem ela se recolheu, porque senti que aqui não se tratava de sensualidade e muito menos luxúria provocante, que desarma o espírito em benefício da matéria e dos sentidos (aqui na tradição cristã) mas sim de uma espécie de regressão ao estado primordial, de pureza, liberdade e de abolição da separação entre o ser humano e o mundo que o rodeia; seja como for e talvez por preconceito cultural e devido ao excesso de velação social, a nudez tem ainda imenso poder. Por exemplo é que o poder desta rapariga é imenso porque enquanto eu viver ela perdurará em mim.
O menir dos Almendres está declarado como Imóvel de Interesse Público.

Ver mapa maior

Um comentário Menir dos Almendres (Évora) (*) e o solstício de verão

  1. Pedro Carlos Marcatti Couto says:

    Curiosidade

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