Miradouro da Sarnadela (Fundão) (*)- O rio Zêzere a meandrar

2 Razões porque deve visitar o Miradouro da Sarnadela
1-Pela magnífica paisagem para a Cordilheira Central desde a serra de Estrela até à crista quartzítica do Muradal
2- Pelo bonito meandro do rio Zêzere que aqui é muito didático.

Na história recente de Portugal fomos iludidos com uma riqueza económica que não temos e passamos a considerar que poderíamos viver de recursos inexistentes.
Bem, mas na verdade temos algo que não temos sabido aproveitar economicamente e que é o nosso vasto património notável; por exemplo um miradouro num local aprazível é um bem para todos: para os turistas, para as gentes da terra, para a economia da região e do País.

Qual será o valor de mercado do miradouro da Sarnadela?

Quando íamos ver as gravuras rupestres do rio Zêzere, o Museu Arqueológico do Fundão (Museu Dr. José Monteiro), Alpedrinha e Castelo Novo, ao longo da Estrada Nacional 238 deparamos sem intenção com este bonito miradouro da Sarnadela que se situa entre Bogas de Baixo e Barroca do Zêzere.
Como tenho sempre a veleidade de ter os melhores textos da internet sobre os locais notáveis, procurei alguns dados na internet e pouco achei, pois apenas encontrei uma alusão ao miradouro da Sarnadela no blog um Portugal Desconhecido e logo com um título pomposo “Uma imagem que vai correr mundo”, tanto não digo, mas que é um miradouro com um magnífico panorama lá isso é!
Do Miradouro da Sarnadela encontramos um bom troço da Cordilheira Central portuguesa, assim da direita para a esquerda temos: a granítica Serra de Estrela, os altos cumes boleados xistentos de São Pedro do Açor, o pico da Cebola e a notável crista da serra do Muradal, que inclui os visíveis Penedos de Fajão aqui percetíveis, titânica muralha quartzítica que vai ondeando levemente ao sabor da tectónica. Defronte está o maior destaque do miradouro da Sarnadela e que é o belo meandro do rio Zêzere.

Miradouro da Sarnadela Fundão
Miradouro da Sarnadela Fundão

O que é um meandro?
Um “meandro” é uma curva acentuada de um rio. O termo deriva do rio Meandro, na Turquia, caracterizado por um curso muito ondulado, e o termo tem sido usado desde o século XVI.
Os meandros modificam a sua forma e posição de acordo com as variações de energia e de carga fluviais. Originam-se e evoluem devido à força dinâmica do fluxo fluvial, à força de Coriolis, e aos processos geomorfológicos. Assim um meandro forma-se quando um rio começa a curvar porque a água flui em torno de obstáculos (rochas mais duras). A o curvar, nem que seja muito ligeiramente, a velocidade do fluxo fluvial é maior na parte externa- o que causa maior erosão- do que na parte interna do meandro onde se depositam sedimentos, o que acarreta ao seu pronunciamento. Por esta razão, o curso fluvial tem tendência permanente para se deslocar na direção da margem côncava do meandro.


Este didática forma morfológica do rio Zêzere, que tão bem se vê do miradouro da Sarnadela, encaixado no xisto, devido à força do fluxo da água que continua a erodir a montante causando um estrangulamento no “pescoço” do meandro, num porvir próximo de anos ficará abandonado e fechado e formará uma pequena lagoa em forma de U que depressa se desvanecerá originando um solo fértil que poderá ser aproveitado para a agricultura.
Uma nota que no futuro aqui se desenvolverá
Aqueles montes de seixos desbravados quase parecem Conheiras Romanas da mineração romana de Vila de Rei, mas devem ser simples extração de areia para construção civil que assim vai deturpando as margens do rio.
Vêm-nos agora à memória que é nesta região que se encontram as grandiosas minas da Panasqueira (**) que exploram um conjunto de filões quartzosos sub-horizontais com mineralizações de Volframite, Cassiterite e Calcopirite. Apenas mais uma nota de rodapé literária existem dois romance esquecidos de enorme qualidade, Volfrâmio de Aquilino Ribeiro e Minas de São Francisco de Fernando Namora, este último decorre na Aldeia de Mata da Rainha no concelho do Fundão (ler aqui) que narram um Portugal rural, iletrado, paupérrimo e atrasado, que de um momento para o outro com a II guerra mundial, vai explorar o seu volfrâmio, a permitindo que o dinheiro começasse a jorrar a ritmos nunca previstos nas aldeias do interior do território, mas este bem trouxe calamidades que ambos os livros intensificam com muita verve.
Abalemos então deste mirante já com o estômago agasalhado e rumemos ao fim seleccionado com a certeza quem não anda não ganha, lá diz o desusado ditado.


Ver mapa maior

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(1) Comment

  1. Evandro Gomes

    Provavelmente este vai ser o melhor site de turismo cultural que eu vi até hoje. Parabéns e tentem completar o site mais um pouco. Obrigado

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