O Museu Nacional Machado de Castro em Coimbra vai reabrir totalmente

Nem tudo são más notícias, depois de tantos anos encerrado para remodelação e aumento da área expositiva que triplica, numa tarefa levada a cabo pelo arquiteto Gonçalo Byrne, eis que vai reabrir, bem no coração da Alta de Coimbra, um dos mais notáveis museu portugueses . O Museu Machado de Castro, foi o antigo Paço Episcopal com a sua notável varanda renascentista (*) e que assenta num dos mais belos monumentos romanos de Portugal, o criptopórtico romano (***) .
Museu Nacional Machado de Castro (MNMC), em Coimbra, reabre em pleno ao público na terça-feira, após um período de intervenções, iniciado em 2006 e envolvendo um investimento da ordem dos 15 milhões de euros.
A reabertura plena do MNMC «encerra um ciclo de recuperação» orientado pela «requalificação e ampliação que, agora, o apresenta como um grande museu, digno do património que possui» e tornando-o numa «referência da museologia portuguesa», afirma a diretora da instituição, Ana Baltazar Alcoforado.
As obras «constituem não só a maior transformação a que o MNMC foi submetido ao longo da sua história» foi fundado em 1911 e inaugurado em 1913 , mas também «uma das mais importantes intervenções operadas em museus portugueses» e, «seguramente, a mais espetacular, pelo modo como articula e dialoga a envolvente urbana com as coleções que guarda», sublinha à agência Lusa aquela responsável.
Esta intervenção «também fez com que procurássemos a identidade deste projeto» e a «conciliássemos com aquilo que o diferencia», sustenta Ana Alcoforado, salientando que «há duas valências, duas diferenças, que sobressaem no Museu e que, com as obras, saem reforçadas: o criptopórtico e a coleção de escultura».
O criptopórtico, única estrutura do museu reaberta ao público desde 2009  passou a constituir um circuito autónomo de visita e a estar acessível na sua totalidade (ao contrário do que acontecia até então) foi enriquecido pelas recentes descobertas, designadamente durante as obras, e pelas novas interpretações que elas possibilitaram.
Essas descobertas permitiram a reconstituição, em imagens tridimensionais (3D) do fórum da Coimbra romana (Aeminium), que assentava no criptopórtico, considerado como a mais significativa obra de engenharia romana em Portugal e «uma das mais importantes e que melhor se conhece na Europa».
A coleção de escultura do MNMC, enquadrada pelas sucessivas presenças arquitetónicas da Igreja de São João de Almedina e pela capela renascentista (transferida, em 1967, para este local), constitui a «exposição mais longa da diacronia do monumento desde o século de Augusto à atualidade».
Além de oferecer ao visitante informação escrita (em painéis e desdobrável), áudio (audioguias) e audiovisual (filmes, depoimentos e visita virtual), o «novo» museu disponibiliza quiosques com conteúdos multimédia relativos a cada um dos núcleos expositivos, mesas interativas e uma sala multimédia.
Instalado num espaço «carregado de história, ele próprio uma peça museológica, o museu passa, a partir de agora, a dispor das condições indispensáveis para ser entendido como espaço de encontro entre a memória e a contemporaneidade», sintetiza Ana Alcoforado.
Além dos espaços de exposição permanente, requalificados ou ampliados, segundo um projeto arquitetónico de Gonçalo Byrne, o visitante pode também «desfrutar livremente dos horizontes que se alcançam sobre a cidade e o rio, tendo à disposição uma cafetaria/restaurante, uma loja e uma pequena sala de exposições temporárias, em áreas de total gratuitidade».

Reaberto parcialmente em 2009, depois de ter estado completamente encerrado desde 2006, o Museu Nacional Machado de Castro foi visitado, no ano seguinte, por cerca de 30 mil pessoas e por perto de 48 mil em 2011, fazendo dele o museu português com maior aumento percentual de visitantes, entre 2010 e 2011.


De entre as muitas obras de arte notáveis destacámos estas:
Escultura do Museu Nacional Machado de Castro  em destaque:
Cavaleiro medieval de Oliveira de Hospital (*) (século XIV)
Cristo no Túmulo (*) (século XIV)
Virgem da Anunciação (*) (século XVI)
Deposição no Túmulo (*) (Século XVI)
Última Ceia de Odart (**)(Século XVI)
Retábulo da Capela do Tesoureiro (*) (Século XVI)
Escultura de São Miguel da Igreja de São Bento (*)
Cristo Negro (*)
Retábulo de Nossa Senhora da Conceição (*) (Século XVII)
Nossa Senhora da Piedade (*)(Século XVII)
Ourivesaria do Museu Machado de Castro em destaque.
Cálice românico de Gueda Mendes (século XII) (**)
Imagem da Nossa Senhora e o Menino (Tesouro da Rainha Santa Isabel) (século XIV) (**)
Cálice do Mosteiro de Santa Clara (*)
Caldeirinha com Hissope (século XVI) (*)
Custódia de Jorge de Almeida (século XVI) (**)
Jarro (século XVI) (*)
Turíbulo (século XVI) (*)
Cofre em tartaruga (século XVI) (*)
Jarra (século XVII) (*)
Pintura do Museu Machado de Castro em Destaque
Retábulo de Santa Clara (*)
Assunção da Virgem do Mosteiro de Santa Clara (*)
Site do Museu Machado de Castro

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