Necrópole megalítica de Alcalar (Portimão) (**)- Entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos

Necrópole de Alcalar- um dos mais monumentais túmulos megalíticos da Europa

 

Nunca me vou cansar de cantar as maravilhas do Algarve, para além das suas praias, das mais belas do mundo e desta necrópole de Alcalar, tem por exemplo o mais extraordinário fabuloso templo romano de Milreu (o mais belo da Península Ibérica).

 

A área arqueológica de Alcalar, no concelho de Portimão, devido a voracidade e a incúria dos homens, foi  barbaramente destruída. A necrópole de Alcalar situa-se a 12 km a noroeste de Portimão, próximo da estrada nacional que ruma a cidade de Lagos (*).
A necrópole megalítica de Alcalar estava associada a um povoado central situado num monte, com pequenos povoados em redor. Apesar de um pouco afastado do mar, este monte para sul mirava o mar e para a norte a serra de Monchique e tinha bons acessos ao ubérrimo estuário da ria de Alvor.
Entre o mundo dos mortos (Necrópole de Alcalar) e mundo dos vivos (Povoado)
Em redor do monte situavam-se vários monumentos funerários, descobertos em 1880 por Estácio Veiga e desde então sucessivamente estudados, mas também aniquilados. A necrópole tinha mais de 20 monumentos que eram de diferentes tipologias.
Interessante é também aqui a existência de algum polimorfismo megalítico funerário, Desde Tholos,  hipogeus (Monte Canelas, onde foram depostos mais de 170 indivíduos- desaparecido recentemente) ou uma anta clássica, que foi destruída.
Relembro novamente que antas, hipogeus e Tholoi, representam diferentes estádios de evolução de sepulturas em pedra desde o Neolítico até a idade do  Cobre. E que todas elas eram locais de sepultura e templos religiosos de crença na imortalidade, repercutindo o útero feminino.
Aqui os monumentos dominantes são os tholoi, que eram de algum modo idênticos, destacando-se o ainda existente monumento 7.
O monumento nº 7 (tholoi) de Alcalar é um dos tholoi mais espetaculares da Europa muito semelhante com o de Newgrange, na Irlanda
Este magnífico monumento encontra-se restaurado e é constituído por um cairn circular (mamoa de pedra), limitado por um suporte de lajes. Todo o monumento é feito em calcário jurássico.

Necrópole de Alcalar no Algarve

Necrópole de Alcalar

Na parte exterior do monumento foram encontradas estruturas rituais relacionados com os cultos que ali se faziam e assinalados por um pequeno menir. Todo este conjunto parece datar do Neolítico Final e talvez este mundo dos mortos funcionasse como uma barreira simbólica protetora do mundo dos vivos.
O tholoi de Alcalar é formado por um longo corredor virado para o nascer do Sol. O corredor possui um pavimento lajeado e encontra-se segmentado por lajes ao alto, dispostas espaçadamente, estreitando à medida que nos aproximámos da entrada da câmara.
Bem no centro geométrico da mamoa está a câmara circular com clarabóia na cúpula cónica.
A câmara possui dois nichos laterais, teriam existido três-eliminado após derrocada, que seriam utilizados para deposições tumular ou de oferendas.
Esta tholos é realmente notável, pelo rigor geométrico, pelos dados científicos, pela execução. Se no início envolveu terraplanagem e fogos rituais, no fim todo o edifício foi selado com o fecho do corredor pelo derruir intencionado da fachada. Extraordinário!
A semelhança do principal edifício de Alcalar com o de Newgrange, na Irlanda, é notórica como pode (aqui ver).
Os Tholoi em Portugal
Para além desse existem tholoi em Pai Mogo (Lourinhã), Monge, Barro, São Martinho e Praia das Maçãs (Sintra) ou Escoural (Montemor-o-Novo), sendo o caso mais monumental e acessível à legibilidade do viajante a Necrópole de Alcalar.
Devido ao importante mobiliário votivo encontrado-onde se inclui artefactos de ouro, as tholoi  pertenceram a comunidades agro-metalúrgicas, podendo ser quase todas datadas do III milénio a.C., ou seja, Neolítico Final ou mesmo do Calcolítico, e indiciando fortes contactos com o mundo mediterrânico.
Referências Adicionais-Este trabalho de Vitor Gonçalves, lê-se com um misto de assombro e devoção.
Gonçalves, Victor, “As práticas funerárias nas sociedades dos 4º e 3º milénios. O megalitismo” in História de Portugal (dir. João Medina), vol. I, Lisboa 1993
Créditos Fotográficos- A fotografia foi retirado (daqui) e com muita paciência um dia com tempo encontrarei as minhas fotografias da Necrópole de Alcalar.


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2 comentários Necrópole megalítica de Alcalar (Portimão) (**)- Entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos

  1. José Branco says:

    Gostava de imprimir Alcalar – mas tal não me é faultado. Gostaria que me colocassem no meu e-mail

  2. boudot marlyse says:

    site interessant : dommage que les commentaires sur site ne soit pas traduits en francais !!

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