Necrópole de São Gens e Pedra do Sino (Celorico da Beira) (*)-Pedra mágica na paisagem

Situa-se em Celorico da Beira na freguesia do Fontanheiro este notável Penedo do Sino, que atrai e seduz pela sua forma, dimensão e mistério. Desde há muito os homens viram nele aquilo que hoje ainda sentimos e por isso a sua volta, instalaram uma necrópole rupestre chamada de São Gens. E mesmo sabendo hoje que não passa de um mero bloco pedunculado granítico afeiçoado pelos agentes de meteorização. Há ainda quem tenha visto (e veja) nele um penedo alquímico-esotérico; mas aqui o geomorfólogo apenas vê um maravilhoso afloramento natural.
A Pedra do Sino é um caso emblemático de litolatria. É um penedo tão prodigioso que poderá ter sido alvo de veneração com apropriação mágico-religiosa. Talvez os homens pré-históricos encarassem este monólito como um monumento elaborado por outros humanos ancestrais ou mesmo por deuses.

O lugar de São Gens teve ocupação entre os séculos I-II d.C e os séculos XII XIII, como comprovam os raros vestígios encontrados no seu solo, e onde passava uma importante estrada romana, que pode ser vista em Celorico da Beira e na  Ponte da Lavadeira (agora plenamente medieval, mas que anteriormente poderá ter sido romana).
O Penedo de São Gens e a Necrópole da Alta Idade Média
Em seu redor existe uma extensa necrópole medieval desde o século VI-VII aos séculos XIII-XIV; enquanto procuro nos “barrocos” sinais indizíveis, o olhar não para de se deter amiúde na arredondada pedra do Sino; seduz a sua beleza inesperada, anómala, no seu estranho equilíbrio.


Aqui covinhas que alguns autores esotéricos declaram ser artificiais, mas que são naturais; ali sim, existem dois pios escavados na rocha- um circular e o outro subtriangular-  que poderão ter desempenhado uma função ritual, ainda anterior aos construtores das sepulturas rupestres. Acolá uma grande lagareta. E observo novamente a Pedra do Sino
Detectaram-se já 46 sepulturas rupestres, de múltiplas formas; não deixam de me comover as colocadas aos pares, tentando perpetuar para além da morte a ligação amorosa  num afecto que poderá ter sido grato e que tanto determina ainda o nosso devir; também as sepulturas de crianças são reclamadoras da nossa compaixão perante a força cega da injustiça natural (à quem lhe chame divina).
O hagiotopónimo é também digno de registo, porque São Gens, ou seja São Gião, põe como hipótese a existência de um templo cristão avoengo, com ressonância visigótica.
Seria bom que fossem efectuadas ainda mais estudos arqueológicos, pois poderiam revelar muito do lugar.
A precariedade “eterna” do Penedo do Sino, sempre exerceu e exercerá um grande fascínio sobre a consciência humana. É soberbo este monólito.
Bem hajam aos construtores humanos e seus coadjuvantes naturais do Penedo do Sino e necrópole de São Gens. Nas próximas semanas também aqui colocarei dois locais próximos pré-históricos que reclamas o esotérico. O menir e necrópole do Vale Maria Pais e a Anta da Capela da Nossa Senhora do Monte em Penedono.

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Um comentário Necrópole de São Gens e Pedra do Sino (Celorico da Beira) (*)-Pedra mágica na paisagem

  1. Guardião says:

    Parabéns pela sua página.

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