Painéis de Azulejo da Estação de Caminho de Ferro de Vilar Formoso (Almeida) (*)

Painéis de Azulejo da Estação de Caminho de Ferro de Vilar Formoso

O concelho de Almeida tem vários atractivos turísticos que que aqui anteriormente expusemos:
-Fortaleza de Almeida (Aldeia Histórica de Portugal)
-Aldeia Histórica de Castelo Mendo (**)
-Aldeia de Castelo bom (*)
-Termas da Fonte Santa (*)
– Painéis de azulejo da estação de caminho de ferro de Vilar Formoso.
Os painéis de azulejo da estação de caminho de Ferro de Vilar Formoso, a par dos da estação de São Bento do Porto (**) são talvez dos mais belos nas estações de caminho de Ferro portugueses. Os revestimentos a azulejo são uma das originalidades da arquitectura ferroviária portuguesa e que foram pintados e colocados na primeira metade do século XX e que se acham distribuídos um pouco por todo o País.
Os azulejos tinham a função de embelezar o espaço e de propagandear alguns dos monumentos, modos de vida e história da região – em suma são ainda hoje um bom cartaz turístico para os viajantes e de alento para os locais sentirem orgulho pelos seus locais icónicos.
A estação do caminho de Ferro de Vilar Formoso foi inaugurada em 3 de Agosto de 1882 pela família Real- o rei D. Luís, a rainha D. Maria Pia e o príncipe D. Carlos. Deve ter sido um dia muito festivo para os povos raianos, que olhariam o futuro com esperança – afinal de contas, passados 129 anos a Beira Interior não desenvolveu e continua agonizante – apesar da crueza dos factos, as sonoras locomotivas a vapor, possibilitaram algum progresso comercial a Vilar Formoso – surgiram as pensões, casas de pasto, boticas, depósitos de recolha e despacho de mercadorias. Instalou-se uma alfândega de primeira classe e uma secção fiscal. Instalaram-se funcionários públicos pois a fronteira significou burocracia no controlo de passageiros, revisão de bagagens e cobrança de taxas.

Painéis de Azulejo da Estação de Caminho de Ferro de Vilar Formoso

Painéis de Azulejo da Estação de Caminho de Ferro de Vilar Formoso

De repente o anónimo lugarejo acordou como categorizado entreposto comercial e administrativo, vendo perdida a sua aquietação habitual.
Agora os automóveis passam céleres pelo asfalto da A25, Vilar Formoso é actualmente um povoado ferido pelas mudanças ditadas pela União Europeia e pelo acordo de Schengem. Sem fronteira não há despachos, conferências, taxas e coimas a aplicar. Escoou-se a necessidade de pernoitar e alimentar na Vila.
Painéis de azulejo de estação do caminho de Ferro de Vilar Formoso
Na sua demanda a Espanha, ou na sua vinda, se tiver algum tempo disponível, visite a estação de caminho de ferro de Vilar Formoso, e deixe-se encantar com a imponência do edifício e os painéis de azulejo embutidos nas paredes (*). É um dos mais belos conjuntos azulejares portugueses do século XX e executados na década de 30. Representam paisagens típicas e alguns dos mais notáveis monumentos de portugueses (Mosteiro da Batalha, Alcobaça, Sé Velha de Coimbra, Sé da Guarda, igreja da misericórdia de Mangualde, …). Foram executados na fábrica viúva Lamego, Lisboa, em meados do século XX.
São contudo de valor desigual e de autores diferentes. Belíssimos e monumentais, são por exemplo, os painéis dos lavabos, que retratam os banhistas na praia da Figueira da Foz; infelizmente atenuados, por não estarem na zona nobre da estação e à sua frente terem feito a construção de um edifício sem nexo.
Quem foi João Alves de Sá?
Os melhores azulejos são da autoria de João Alves de Sá (1878-1982), um dos maiores aguarelistas do século XX em Portugal, pela sua sensibilidade, luminosidade inaudita, transparência, cromatismo impressivo e suave. Devido a sua influência germânica soube refrear o excesso do idealismo da arte do Estado novo.
Foi galardoado com altas distinções como a medalha de honra em aguarela da Sociedade Nacional de Belas-artes e o 1º prémio Roque Gameiro (1947), do Secretariado Nacional de Informação. Encontra-se representado no Museu do Chiado (***); no museu da Cidade de Lisboa (**); na casa-museu dos Patudos, em Almeirim (**); e em diversas colecções particulares. Ver aqui uma sua aguarela.

Estas representações azulejares, pintadas durante o século XX, nesta e noutras dezenas de estações de caminho de ferro do País, associavam-se à apologia propagandística do Estado Novo que pretendia afirmar-se nos arquétipos da identidade e valores nacionais- os painéis davam (dão) aos visitantes noções básicas do que poderá visitar em Portugal e também representavam o labor agrícola do povo. Enfim, são bons anúncios turísticos feitos, em muitos casos, com mestria.

Épocas marcantes em Vilar Formoso são as levas da 2ª Guerra Mundial, quando os comboios se dirigiam para a Espanha ou vinham com refugiados (terão passado por aqui centenas de Judeus salvos por Aristides Sousa Mendes). Já nos anos do último quartel do século XX a vaga migratória nacional tem como referência a estação e o nome de Vilar Formoso como símbolo de um último adeus à terra pátria. Agora que os nosso políticos pedem aos nossos jovens para emigrarem e para saírem da sua zona de conforto, apelo aos jovens que ignorem tão ridículo governante de seu nome Alexandre Mestre, mas aqueles que não fizerem e se passarem pela estação do caminho de Ferro de Vilar Formoso reparai naquele resumo do património notável que conseguimos construir ao longo da nossa histórica e reflicta na beleza que é Portugal – um verdadeiro Éden à espera que os Portugueses- um povo maravilhoso, elaborem o seu Paraíso terreal, já que os nossos políticos por inépcia ou com más intenções não o tem conseguido fazer, exceptuando, um ou outro caso, aqui venho eu de novo com Dom João II.

No posto alfandegário de Vilar Formoso trabalhou Júlio Resende, em 1958, no início da sua carreira, um dos maiores pintores portugueses, falecido recentemente – o mesmo que, por exemplo, elaborou a “Ribeira Negra” (1986) (*) no Centro Histórico do Porto (*****)- executando os Painéis de azulejo(O mar e a terra, o norte e o sul, a planície e a montanha).Também se encontram obras escultóricas de Lagoa Henrique.Em Vilar Formoso pode ainda ver na igreja matriz um belo teto hispano mourisco do século XVI.

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6 comentários Painéis de Azulejo da Estação de Caminho de Ferro de Vilar Formoso (Almeida) (*)

  1. Relativamente ao conjunto de painéis da Estação de CF de Vila Formoso,trata-se de fato de uma autêntica relíquia que faz parta do patrimónico artístico que nos foi doado pelo antigo “Estado Novo”. Felizmente há várias estação que fazem parte desse lote tão maravilhoso e dos quais nos devemos sentir orgulhosos. Pena é, que as Estações de CF começam a ser desativadas, como algumas já foram há algum tempo (é o caso da estação de CF de Cabeço de Vide, Concelho de Fronteira). Parabéns pelo vosso trabalho que eu admiro muito e obrigado por ter acedido ao meu pedido. Um abraço.

  2. Ana Lourosa says:

    Só uma pequena correcção: a Casa-Museu dos Patudos situa-se em Alpiarça, concelho limítrofe com o concelho de Almeirim.

  3. josé manuel fernandes gonçalves says:

    “Na estação do caminho de Ferro de Vilar Formoso trabalhou Júlio Resende, em 1958, no início da sua carreira, um dos maiores pintores portugueses, falecido recentemente – o mesmo que, por exemplo, elaborou a “Ribeira Negra” (1986) (*) no Centro Histórico do Porto (*****)- os seus painéis, entretanto desaparecidos, deveriam ser restaurados, de acordo com o parecer e gosto do mestre, o que tornaria Vilar Formoso mais apelativo.”
    Devo referir que é errónea a informação constante deste parágrafo. Na realidade, Júlio Resende produziu magníficas obras em azulejo para a Alfândega de Vilar Formoso, onde se podem apreciar!

  4. Octávio Pereira Ribeiro says:

    Excelente trabalho

    • Castela says:

      Obrigado Otávio, no entanto o trabalho encontra-se incompleto uma vez que a estação tem agora um importante memorial aos refugiados Judeus durante a Segunda Guerra Mundial e que muito deve orgulhar Portugal. Espero muito em breve fazer uma visita ao local de modo a valorizar este nosso texto.

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