Panorama da Serra da Marofa (Figueira de Castelo Rodrigo) (*)

É um deslumbre o panorama que se avista do alto da Serra da Marofa a 976m de altura.
Avista-se praticamente toda a “Beira Transmontana”, vasta peneplaníce que vai subindo desde Barca de Alva até ao sopé da Serra da Malcata, compelindo as linhas de água a drenarem para Norte, de encontro ao Rio Douro. Esta região também é conhecida deste tempos medievais por “Riba-Côa” ou “Raia”; e que nós conhecemos particularmente bem.
Daqui também se avista: o amplo e indefinido Planalto Castelhano até às Serras de Gredos (Ávila e Bejár) e ao longe, em dias límpidos, aponta-se para a notável cidade de Salamanca (*****); a região agreste de Trá-os-Montes- o tal Reino “Maravilhoso”; e pressentem-se ainda, os profundos sulcos erosivos dos vales dos rios Douro e Côa.
O concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, para além dos seus locais turísticos notáveis, tem solos de grande capacidade agrícola, ao invés dos concelhos vizinhos, e que por isso tem a obrigação de ser mais abonado.
Também avistamos a “nossa” pequena cidade histórica de Pinhel (*), a  cidade da Guarda ou mesmo a mais elevada cordilheira portuguesa- a Serra da Estrela (***).

Serra da Marofa

Muitos outros motivos de interesse jazem a nossos pés: a Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo (*), o Convento de Santa Maria de Aguiar (*), as ruínas do Templo Romano de Almofala (*), a Albufeira de Santa Maria de Aguiar (*)…
A platitude da região é generalizada, por vezes, pontuada por alguns relevos residuais, em que se destaca de sobremaneira, esta Serra da Marofa, que o leitor, infelizmente por agora turista virtual, um dia (re)visitará. Esta crista é um relevo residual anterior à fase de aplanamento da Meseta, cuja existência ficará a dever-se principalmente à resistência dos materiais constituintes (quartzitos do Período Ordívicico, formados a partir de antigas areias de praia, posteriormente silificadas).
O Espaço sagrado da Serra da Marofa-a Guia
No cimo da Serra foi encontrada uma ara votiva dedicado a Córua- uma divindade guerreira. Estaríamos em presença de um santuário pagão?
O Espaço foi cristianizado recentemente com a construção da Capela de Nossa Senhora de Fátima da Marofa, a Via-Sacra, acrescentada na encosta por um conjunto de capelinhas evocativas dos Mistérios do Rosário que, dada a sua rusticidade, bem se enquadram no meio ambiental em que se encontram implantadas. Nelas se albergam imagens correspondentes ao Mistério a assinalar e legendas elucidativas. Todo este conjunto foi construído no século XX.
Também lá está, em granito, dum Cristo-Rei, construído em 1956, de braços abertos acolhendo neles parte do concelho de Figueira de castelo Rodrigo e uma cripta em cujas paredes se encontram embutidas as imagens dos padroeiros das freguesias do Arciprestado.
O topónimo Marofa é de origem árabe, e devido a sua altitude é um verdadeiro “Guia” ou “Orientador” de toda a Beira Interior. Esqueça a parafernália de antenas de áudio visuais e deslumbre-se com a paisagem e entenda a alma desta região com o saudoso Orlando Ribeiro, quando este contrasta a Beira Alta com a Beira Transmontana, ambos nossos lares provisórios; “…unidas e separadas por montanhas, ambas planaltos graníticos, são diferentes pela altitude, média na primeira, elevada na segunda, pelo clima, pelo tapete vegetal, pelos modos de viver e conviver das populações. Uma é rica, fértil, muito povoada, verdejante e acolhedora. A outra é pobre, fria, nua, pardacenta, pouco povoada, carrancuda e de uma tristeza comunicativa”. (Guia de Portugal-Beira Alta II de 1985).

Please follow and like us:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>