Panorama da Varanda dos Carqueijais (**) (Covilhã)

Varanda dos Carqueijais

A Varanda dos Carqueijais é um local de paragem para quem atravessou o deslumbrante conjunto de miradouros e geomonumentos do Parque Natural da Serra da Estrela (****). Bebem os viajantes aqui água fresquíssima, leve e agradável e alvejam os olhos a horizontes sem fim para o nascente Beirão de Portugal e as lonjuras das serranias espanholas (Gata, Gredos), irmanas desta nossa serra de Estrela e continuadoras da Cordilheira Central da Península Ibérica.
Façamos assim como quase todos e paremos aqui um pouco na Varanda dos Carqueijais a admirar esta magnífica vista panorâmica. No fundo da escarpa da Serra da Estrela, a cidade da Covilhã espraia-se ocupando, já infelizmente, em algumas áreas, terrenos agrícolas de grande fertilidade. Além a Real fábrica de Lanifícios (*) que aproveitava ribeiras estreitas e caudalosas.


Tal como no lado norte, junto a Seia, também aqui a serra da Estrela se eleva abruptamente, por enormes falhas geológicas de tectónica alpina, fundamentais para o arribamento vertical desta nossa Serra de Estrela. Destaquemos ainda a Serra da Gardunha com uma génese semelhante à Serra da Estrela ou ainda os montes-ilhas (inselbergs) que albergam no seu topo as aldeias históricas de Belmonte (**) ou Monsanto (****), ou ainda a fértil superfície aplanada da Cova da Beira.
Se tiver tempo, antes de chegar a Varanda dos Carqueijais, para quem vem de Oeste, pela E.N. 339, aconselho-o a estacionar e ir ver o curioso geomonumento da Pedra do Urso, afloramento granítico zoomórfico (existe placa).
Fiquemos com um trecho da nossa bíblia dos viajantes que descreve a varanda dos Carqueijais.
“É a mais bela vista da Covilhã. Torres, brancura de casario, aglomerados de telhados, em um alaranjado vivo, cascatas que se despenham ainda sobre algumas rodas hidráulicas, sobreviventes da velha industria, quintas e jardins da periferia, fitas de estrada serpenteando pelas encosta, algum comboio na Beira baixa, de aparência minúscula, que desce para o vale do Zêzere e se dilui na distância, a caminho da Guarda -tudo isso constitui uma surpreendente visão. O horizonte é vastíssimo. A Oeste, limita-o o biombo da serra; a NE, desenha-se o monte da Esperança, coma vila acastela de Belmonte (**), prolongando-se pelas aldeias pelas alturas serranas de Sortelha (***) e Malcata até ao perfil dentado da Gardunha (*), que se detêm a nossa vista no extremo sul. Para lá desta linha, um, pouco a direita de Sortelha, e por detrás da linha fronteiriça da Malcata, surge nos dias claros de Inverno ou Outono, a massa imponente da serra da Gata, já em terras de Espanha. Dentro desta bacia enorme espreguiça-se o Zêzere, que acaba de sair do seio da montanha, e nela cabem os concelhos de Belmonte, Covilhã e Fu8ndão. O casario desta última parece uma fita branca no sopé da Gardunha. É a grandiosa e fecunda Cova da Beira”.1
1-Guia de Portugal – Beira, II Beira Baixa e Beira Alta, pag 891-9184

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