Parque Arqueológico do Vale do Côa (Vila Nova de Foz Côa) (2ª Parte) (*****)

A idade das gravuras mais antigas do Parque Arqueológico do Côa
Para determinar a idade das gravuras, com sendo pertencentes ao Paleolítico, recorreu-se à datação estilística, que se faz comparando técnicas, traços e motivos com pinturas coevas executadas com pigmentos múltiplos, em grutas e abrigos, que foram datadas. Também a paleofaunística deu uma ajuda: sabe-se que algumas espécies representadas, entre cavalos, auroques e veados gigantes das turfeiras, desapareceram da Península Ibérica com o termo da última glaciação, isto é, há 11 mil anos atrás. A idade das gravuras veio também a ser indirectamente confirmada pela descoberta de alguns acampamentos de caçadores recoletores na região ao longo do Côa e do Douro. Com estes dados foi possível determinar, que as gravuras paleolíticas foram executadas entre 26 ou 25 000 e 12 a 10 000 a. C. Estão também representados outras pinturas e gravuras de outras épocas, inclusivamente do século XX.

Alguns números ajudam aperceber a colossal dimensão deste achado, que surpreendeu o mundo inteiro: ao longo de 17km de extensão do Parque Arqueológico, até 1999, estavam inventariados 28 núcleos de rochas gravadas, 90% dos quais com representações paleolíticas, o que corresponde a mais de 190 painéis com cerca de 1200 zoomorfos, o que representa uma quantidade única e extraordinária. Com o decorrer das campanhas de levantamento diurno e nocturno, que prosseguem, este acervo pode vir a crescer bastante. As margens do Douro, do Côa, da Ribeira de Piscos e do Águeda, parcialmente submergidas pela barragem do Pocinho, certamente que escondem ainda um número indeterminado de painéis decorados.
A sua interpretação é um problema de grande complexidade. Como disse António Martinho Baptista, o arqueólogo que dirige o CNART (Centro Nacional de Arte Rupestre), “a revelação do significado destas gravuras é um momento tão importante para a História da Arte como a descoberta da gruta de Altamira”.

A sua boa conservação tem sido atribuída a diversos factores, entre os quais a fraca densidade habitacional e o microclima mediterrânico que se faz sentir nos vales do Douro e Côa.
O que exibem as gravuras do Vale do Côa
As gravuras propriamente ditas são impressionantes, e comprovam que a arte Paleolítica é essencialmente naturalista. Os animais representam só por si mais de 99% dos motivos figurados. Encontram-se ainda alguns guerreiros isolados, ou montados e armados, datando da idade dos metais ou do Neolítico. A única excepção de antropomorfo (figura humana) do Paleolítico é o Homem da Ribeira de Piscos.
Entre os zoomorfos, há auroques (bois selvagens), os mais numerosos, logo seguidos de cavalos, cabras-montesas ou pirináicas, veados, peixes e até um quadrúpede ainda não identificado.
Os animais estão representados de ventre protuberante, convenção usada para simbolizar a fertilidade, muitas vezes aproveitando a textura e os relevos naturais da própria rocha, realçando volumetrias. E há-os de todos os tamanhos, desde pequenos animais com 3cm até aos grandes, em escala natural, com 2 metros. O mesmo sucedendo a sua qualidade, desde a existência de obras menores, até a existência de verdadeiras obras-primas paleolíticas. Os motivos do Paleolítico Superior repetem-se em relação aos encontrados nas manifestações encontradas no Sudoeste da Europa, em grutas ou abrigos: o mesmo tipo de animais, na maioria seguindo as convenções de representação típicas, e a ausência de plantas, astros ou cenas com humanos (excepto a do Homem de Piscos). Entre as particularidades destas gravuras, nota-se a ausência de animais de climas frios (bisontes, rinocerontes lanígeros, renas e mamutes), que não deviam existir na região.
Obviamente que os factores erosivos, a par do tempo, este grande escultor, e da actividade antrópica, deverão ter sido responsáveis pelo desaparecimento da esmagadora maioria das gravuras, no entanto, o que existe, descoberto e por descobrir, é um acervo artístico e cultural Paleolítico, único no mundo.
Para além do museu podem ser visitados três núcleos de gravuras rupestres:
1-Penascosa (*****), a partir do Centro de Recepção de Castelo Melhor (*);
2-Canada do Inferno (**), a partir da sede do Parque em Vila Nova de Foz Côa;
3-Ribeira dos Piscos (****) a partir do Centro de Recepção de Muxagata

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(2) Comments

  1. Kevin

    Sf3 lembrei das mihans aulas de artes no ensino fundamental. A professora levava ve1rios tipos de gravuras para reproduzirmos. Era te3o legal! Eu adorava quando ela levava de frutas e de flores. Lembram essas daed.. bjsss

  2. da direkt kfz versicherung erfahrungen

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