Pedras Parideiras (Arouca) (*)-Raras no mundo e símbolo de fertilidade

Pedras Parideiras (Arouca) (*)-Raras no mundo e símbolo de fertilidade

Antes de ler este artigo sobre as “Pedras Parideiras”, deixe-me adverti-lo que é na sua essência um trabalho escrito e publicado no facebook, pelo grande geólogo que é António Galopim de Carvalho. Antes façamos algumas considerações.
1-Quando começamos a cavaquear sobre geologia e neste caso rochas magmáticas plutónicas (magma que arrefeceu muito lentamente em grandes profundidades até se transformar em granito), sentimo-nos esmagados pela grandeza monumental e pelo tempo da formação destas estruturas plutónicas no manto da Terra o que nos remete pessoalmente para uma lógica simplista, pois por mais importante que sejamos, temos que admitir que tão pouco representamos, somos apenas um pedaço de matéria e energia com vida, forçosamente limitada, isto fornece paz a nossa alma e remete-nos para aquilo que é realmente importante na vida e paradoxalmente percebemos o quanto valiosa é a vida de cada um de nós.

Pedras Parideiras na Serra da freita
2-Replicar a vida é um dos grandes desideratos dos seres humanos e quando a ciência e a tecnologia ainda não eram suficientes para dar explicações cabais aos fenómenos naturais e aos medos, então até as pedras com formas especiais eram cultuadas num fenómeno conhecido como litolatria porque os pequenos nódulos negros, de forma biconvexa “nascem” numa rocha granítica quando se soltam assemelham-se a pedras que saem da barriga de uma mãe.
3-O enquadramento do local onde se se encontram as “Pedras Parideiras” é ótimo, com o destaque para a visibilidade da maior cascata da Frecha da Misarela, a maior de Portugal.
4- As Pedras Parideiras são um fenómeno diminuto no nosso planeta, existindo apenas algo semelhante perto de São Petersburgo na Rússia, por isso se pede aos visitantes que não as recolham.

Segue-se agora o texto do professor Galopim de Carvalho.
 Geologia das Pedras Parideiras
“O mais conhecido fenómeno geológico da Serra da Freita, junto à aldeia da Castanheira, as “pedras parideiras” constituem um dos 41 geossítios do Geoparque de Arouca, integrado na Rede Global da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Trata-se de um afloramento de granito, com cerca de 1000×600 metros, caracterizado por exibir abundantes nódulos biotíticos discóides e biconvexos, que se soltam da rocha, deixando nela depressões lenticulares (correspondentes aos seu moldes) forradas de biotite. Estes nódulos, de diâmetro variável ente 2 e 12 cm, têm um núcleo quartzo-feldspático envolvido por moscovite (mica branca) e, cobrindo esta, uma espessa capa de biotite (mica preta) parcialmente alterada e, daí, a sua característica cor dourada. É esta alteração que permite a descolagem dos nódulos.  O que se passa neste caso é uma ação conjunta da meteorização pela ação do gelo (gelivação), e pela ação do calor (crioclastia/termoclastia) os nódulos desincrustarem-se dos do granito deixando uma camada externa em baixo relevo (encraves ou “jogas”) nos núcleos da rocha-mãe e espalham-se à volta desta.
O granito nodular da Castanheira é único em Portugal e raro no mundo. Estudos petrográficos e geoquímicos realizados parecem mostrar, sob reserva, que a sua formação (datada de há 310 a 320 milhões de anos) terá ocorrido devido à separação de um fluido cloretado rico em voláteis, na fase final da cristalização magmática. Nesta ótica, ter-se-ia gerado um gradiente químico na interface magma/bolha de voláteis, que favoreceu a formação da biotite a partir do ferro do magma residual. Menos densa que o magma, a referida bolha teria ascendido, ficando retida no teto da câmara magmática.

pedra parideira
 As “Pedras Parideiras” como símbolo de fertilidade
As Pedras Parideiras continuam a ter um certo significado místico entre os populares, para além de serem um valioso património natural são ao mesmo tempo, cultural. São conhecidos vestígios pré-históricos com milhares de anos que permitem admitir que as “pedras paridas”, ou seja, os nódulos biotíticos, já nessa altura seriam um símbolo de fertilidade, como ainda o são no presente. Contava-se que as mulheres com dificuldade em engravidar colocavam uma destas pedras debaixo do travesseiro.
Em Novembro de 2012 procedeu-se à inauguração da Casa das Pedras Parideiras, um importante centro de interpretação, obra da Câmara Municipal de Arouca, que visa valorizar esta singular ocorrência e defendê-la das depredações a que estava sujeita.
Referências Adicionais:
Perfil do facebook do professor Galopim de Carvalho: https://www.facebook.com/profile.php?id=100008895943114&fref=ts
– “A Pedra Parideira – um Importante fenómeno de granitização na Serra da Freita”, por tradução do artigo “Un remarquable phénomène de granitization. La roche granitique à nodules biotitiques de la serra da Freita, Arouca (Portugal)”. Assunção, C. Torre e Teixeira, C. -. Boletim do Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico da Faculdade de Ciências da UL. 7ªsérie (22); pp.7-17. Lisboa 1954”

pedras parideiras molde da pedra parideira

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