Pelourinho de Vila Nova de Foz Côa (*)- É um dos mais belos de Portugal

Este é um dos mais vistosos e monumentais pelourinhos de Portugal, e merece que o visitante, depois de visitar a Igreja matriz de Vila Nova de Foz Côa (*) contígua, lhe dedique um ror de tempo. É Monumento Nacional desde 1910.
O que é um pelourinho ou picota?
É principalmente o símbolo do poder concelhio, por isso se situavam em frente a câmara. São constituídos por colunas de pedra, com base, fuste e capitel colocadas em lugar público, onde por vezes eram torturados e expostos os criminosos, sujeitos a vergonha pública e servindo de exemplo; também forneciam um espectáculo mórbido para as mentes abrasadas dos homens, sempre seduzidas pelo horror e sofrimento de outrem.
O Pelourinho Manuelino
Sendo pelourinho quinhentista evoca naturalmente o rei Dom Manuel I que tentou restaurar a nova “Idade do Ouro” para a Humanidade, apoiado na cristandade e nos cavaleiros da Ordem de Cristo, cuja ideologia é visível em alguns dos símbolos deste monumento.

Estrutura do Pelourinho de Vila Nova de Foz Côa
Totalmente construído em granito, o soco é constituído por quatro degraus octogonais. Tem fuste quadrangular decorado por colunelos embebido nos ângulos, tendo a metade da sua altura um cordame volumoso; a coluna tem ainda esferas, losangos, vieiras e quadrifólios. Capitel é adornado por motivos encordoados, folhas de acanto e vieiras; tudo isto rematado por um por um grupo de coruchéus, um deles com o escudo das cinco quinas, sobre os quais se erguem a esfera armilar e a flor de lis.
Se a estrutura de cariz arquitectural impressiona, não menos importante é a decoração volumosa e de talhe avultado, idêntica da que se vê ao lado no belo portal da igreja matriz de Vila Nova de Foz Côa.
Provável homenagem as cordoarias
Os motivos encordoados do pelourinho, são uma loquaz homenagem à actividade das cordoarias, ligada à vida do mar, pese embora a distância da costa, e que por volta de 1525 empregava 44 famílias a viver intramuros e cento e oito fora deles, essencialmente Judeus, que aqui constituíram uma comunidade, que foi uma verdadeira alavanca do desenvolvimento desta região. Infelizmente, o fanático e nefasto, rei Dom João III,  pediu a instalação da inquisição em Portugal e depois sabemos o triste fim que ainda vamos tendo nesta região.
Também não é despiciente, estar aqui bem vincada a simbologia da corda como pode ler no artigo sobre a Casa da Torre em Gouveia (*).

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