Centro Histórico de Pinhel (*)- Porque é que os portugueses não sabem que existes?

Centro Histórico de Pinhel (*)- Porque é que os portugueses não sabem que existes?

Numa tarde primaveril 2002 visitamos pela primeira vez a histórica e isolada cidade de Pinhel e ficamos surpreendidos com a sua monumentalidade. Rapidamente entendemos a importância deste pequeno burgo, sereno e abandonado a sua sorte e mal sabíamos nós que passado uns poucos de anos iria ser nossa residência durante um ano.

Um pouco da história de Pinhel
A povoação teve 5 forais, o primeiro em 1179 de D. Afonso Henrique, e o último, manuelino em 1510. Pinhel situa-se na margem esquerda do rio Côa, apesar de ainda distar deste cerca de meia dúzia de quilómetros e fazia frente a território Leonês que se situava na outra margem, este território integrou Portugal em 1297 com a assinatura  do Tratado de Alcanices. Foi Dom Dinis quem mandou reedificar o Castelo de Pinhel e a construção da vetusta muralha, das melhores conservadas no País e que rodeia actualmente o seu centro Histórico.
Desempenhou um importante papel como praça de armas fronteiriça e até ao século XIX. Tornou-se sede de diocese e cidade em 1770, por mando do Marques de Pombal e deixou de o ser em 1881. A cidade foi diocese durante 111 anos, neste período teve o seu tempo de maior desenvolvimento, Mas a desanexação da diocese, a estação de caminho de ferro, construída muito longe, em Vila Franca das naves e os maus acessos rodoviários ao longo do século XX fizeram decair  Pinhel.

pinhel

Pinhel está ainda esquecida dos roteiros turísticos
Em relação ao turismo está quase totalmente esquecida, quando confrontada com os centros históricos dos concelhos limítrofes – Trancoso(**), Castelo Rodrigo(*), Almeida(***), Castelo Mendo(**), Castelo Bom(*), Sortelha(**) e Marialva(***) – e a sua monumentalidade não é de forma alguma inferior as localidades referidas!
Como é que um dos centros históricos mais interessantes de Portugal se encontra tão degradado ?
O viajante que residiu alguns meses em Pinhel, na década passada, não deixa de se interrogar qual a causa de tão desdita? Como é que um dos centros históricos mais interessantes de Portugal se encontra tão degradado?

A pequena  cidade é  rica em solares castiços e igrejas, mas o que de imediato nos prende a nossa atenção são as muralhas que a defendiam, e que ainda subsistem na sua quase totalidade, com adarve, cubelos,  cinco portas medievais e no ponto mais alto duas torres robustas, altaneiras, sendo a Torre de Menagem, Norte (*) de uma grande beleza.
Acrescentamos ainda que a Praça central de Pinhel (*) (junção de três Praças), poderia ser uma das mais belas de Portugal se fosse requalificada.

A guisa de conclusão, indicamos alguns belos monumentos da cidade, para além do castelo que o visitante deve conhecer: a igreja da Trindade, a capela da Senhora dos Montes, os antigos Paços do concelho/Museu Municipal, o Paço Episcopal, igreja de Santa Maria do Castelo, a igreja da Misericórdia, o Pelourinho, a Casa dos Metelos e Nápoles, o Solar dos Corte Reais, o convento de Santo António, galerias subterrâneas, a ponte românica sobre a ribeira das Cabras…
Sem dúvida que esta cidade merece que se ganhe uma tarde, a deambular calmamente, no seu casco histórico.
Texto publicado em Agosto de 2010.

Referências adicionais:História da diocese

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Um comentário Centro Histórico de Pinhel (*)- Porque é que os portugueses não sabem que existes?

  1. Carla Santos says:

    Boa noite,

    adorei tudo o que escreveu e concordo plenamente com tudo o que disse pois acredito que o concelho de Pinhel tem imenso potencial na área do Turismo.

    Cumprimentos,
    Carla Santos

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