Pinturas Rupestres da Serra da Esperança-Lapa dos Gaivões (Arronches) (**)

As pinturas rupestres ao ar livre da Serra da Esperança no concelho de Arronches são das mais significativas para o turismo em Portugal e muito particularmente no Alto Alentejo.
Para as encontrar basta chegar a aldeia da Esperança em Arronches porque ai existem painéis informativos.
Dos 6 abrigos decorados – Lapa dos Gaviões (**), Lapa dos Louções, Lapa dos Mouros, Abrigo Pinheiro Monteiro, Pego do Inferno e Ermida da Nossa Senhora da Lapa (Alegrete) existentes na Serra da Esperança, que se situa no limite Sul do Parque Natural da Serra de São Mamede (**) apenas o primeiro é visitável ao turista comum.
Sob abrigos em cristas quartzíticas encontram-se estes painéis de pinturas efectuados por comunidades do Neolítico, Calcolítico e Idade do Bronze. São abertos à incidência solar e foram alvo de diferentes expressões artísticas, onde a conjugação de cores como o vermelho, o laranja e o preto, associadas à rugosidade natural e às tonalidades da oxidação da pedra plasmaram através de técnicas diferentes, representações humanas, animais, astrais e geométricas.

Na Lapa dos Gaivões descoberta em 1916, enquadrada por um belíssimo cenário natural pode-se observar:
-Animais, uma figura humanas em caça com um arco ou laço, acompanhadas de um canídeo que perseguem vários cervídeos; um pequeno painel (talvez o mais fotografado) que representa um humano heroificado com capacete de cornos, ladeada por duas figuras antropomorfas acéfalas.
-Se as pinturas animais possibilitam várias interpretações ainda mais misteriosos são os paneis onde ocorrem representações geométricas; como por exemplo um painel que mostra uma figura humana acéfala associada a 4 fiadas de 7 linhas verticais.
Na Lapa dos Gaivões sente-se uma ambiência cerimonial conotável com cultos xamânicos. Todo este conjunto parece tratar-se de um antigo santuário Neolítico, cujo topónimo Louções, nome que a serra localmente adquire, remeter para luz, ou seja manifestações sagradas, talvez esteja a exagerar, mas o certo é que tudo isto é um grande mistério rodeado de uma magnífica e serena paisagem.
Imagino, num futuro próximo, a criação de um Centro de Interpretação destes 6 núcleos de arte rupestre e de outras “surpresas” que ainda poderão surgir nesta belíssima região, coordenados por Jorge Oliveira e com este fique-mos com um texto retirado directamente do folheto sobre a Lapa dos Gaivões.

“Cerca de 5 mil anos nos separam dos tempos em que estas enigmáticas pinturas contemporâneas do megalitismo aqui foram realizadas. Cabe a si, amigo turista, contribuir para que este santuário pré-histórico possa continuar a perpetuar as mensagens, por agora indecifráveis que as primeiras comunidades de agricultores e pastores quiseram projectar para o futuro”.

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