Ruínas Romanas da Bobadela (**) (Oliveira do Hospital)

Ruínas Romanas da Bobadela (**) (Oliveira do Hospital)

Para além de Conimbriga (***), o distrito de Coimbra tem mais três monumentos romanos: o criptopórtico em Coimbra, a villa Romana do Rabaçal (*) no concelho de Penela e esta “Splendissimae Civitati” que se localiza na actual aldeia da Bobadela nas cercanias de Oliveira do Hospital, que foi sede de município entre os séculos I e IV. d.C.

As Ruínas Romanas de Bobadela são um dos mais importantes e bem preservados conjuntos arquitetónicos de valor histórico-arqueológico do “período romano” em Portugal mereceu hem 1936 muitos anos a classificação de Monumento Nacional.  Entre o diversificado acervo que se encontra exposto ao ar livre, em pleno tecido urbano da bucólica aldeia, destacam-se: os restos estruturais da principal praça da outrora cidade romana, o forum; o majestoso arco; as epígrafes dedicadas à Splendidissima Civitas, a Júlia Modesta e a Neptuno; a enigmática cabeça de um imperador romano; e o magnífico anfiteatro.

A fundação da “civitas” da Bobadela, remonta provavelmente ao período de César Augusto, mas as dúvidas ainda são muitas. O nome desta importante cidade romana da Bobabela é desconhecido pela simples razão de não ter sido descoberta qualquer lápide que esclareça tal dúvida.

A requalificação com a renovação do fórum e anfiteatro tem feito a importante cidade renascer das cinzas. Por toda a aldeia se encontra espólio romano variado, como bases de colunas. Foi ainda descoberta uma cabeça monumental em mármore, pedra vinda da região de Estremoz de um Imperador, ainda desconhecido.
Fórum das Ruínas Romanas da Bobadela
O Fórum de um civitas era uma grande praça rodeada de pórticos e edifícios que frequentemente se encontrava próxima do lugar de confluência das duas vias principais, designadas de cardus e decumanus.
O fórum da Bobadela da época imperial, era aqui um conjunto monumental, isolado por um muro do resto da cidade-um fórum-bloco.

Anfiteatro romano da Bobadela

Anfiteatro romano da Bobadela

O arco romano da Bobadela é a parte mais conservada do muro do fórum e seria a sua entrada a nascente. É espetacular, com os seus blocos graníticos de silhares almofadados, no interior e no exterior, assentes sem argamassa e rematado nos seus cerca de 4 metros por uma cimalha bem aparelhada. As pedras apresentam um par de orifícios, previamente talhados em lados opostos, onde era fixado o “forfex (gancho de metal empregue para elevar os pesados blocos, no momento da construção do monumento). As extremidades deste robusto “alicate” coincidiam com os dois pequenos orifícios. A pressão exercida pelo forfex sobre os orifícios permitia que os blocos de granitos fossem, deste modo, colocados no devido lugar”1 .

Arco romano da Bobadela

Arco romano da Bobadela


No fórum, mesmo em frente a igreja paroquial encontra-se ainda caixas murarias, colunas, troços de calçada e este elegante pelourinho com fuste e terminação salomónica datado de 1513 quando foi dado foral manuelino. Todas estas colunas erguidas ao alto têm uma cenografia quase religiosa. Mas é o arco monumental que atrai logo o nosso olhar.
Mas a Bobadela não é só vestígios romanos, vale a pena vagabundear na povoação para ver isso e reparar também nas moradias de prestígio do chamado centro histórico, como esse solar do Largo da Matriz.
Anfiteatro romano da Bobadela
Durante quase dois mil anos, o anfiteatro romano da Bobadela esteve soterrado. Apenas em 1980 foi descoberto e remodelado.
Todo o conjunto deve ter sido construído no último quartel do século I d.C., terá sido destruído por um incêndio no século IV, tendo em conta as cinzas descobertas no solo da arena.
A arena elíptica de 40X50m, de orientação norte-sul, com um pavimento em areão grosso é delimitada por um muro de 3 metros de altura. As bancadas seriam em madeira.

O muro do podium que circundava a arena era marcado por duas entradas no seu eixo maior e constituído com fiadas de blocos de granito e rematados por uma cornija de duas peças.

O anfiteatro da Bobadela, não foi palco de lutas de feras, porque não dispunha de galerias subterrâneas para alojamento de animais; talvez nele se realizassem lutas de gladiadores. Este conjunto único em Portugal provavelmente apenas serviu para jogos diversos, canto, danças, recitais, e, possivelmente, concertos com os instrumentos musicais da época e cerimónias de natureza religiosa consagrada aos imperadores.

EPÍGRAFE DEDICADA À SPLENDIDISSIMA CIVITAS E A JULIA MODESTA

“Na igreja velha de Bobadela, demolida na década de 1740 e substituída por um novo templo ao gosto barroco, achava-se uma inscrição cujo texto se encontra atualmente gravado na porta principal da igreja matriz de Bobadela. A epígrafe, aliás truncada e incompleta, foi talvez destruída ou utilizada como material de construção da nova igreja. Da tradução do texto patente nesta mensagem talhada na pedra, poderá depreender-se que Júlia Modesta (uma possível sacerdotisa de elevada condição religiosa), na qualidade de esposa do flamen (sacerdote) da Lusitânia, C. Cantius Modestinus, refez as portas do forum às suas expensas. Esta epígrafe, que recorda também a splendidissima civitas, prova que houve na planura da várzea bobadelense uma capital de civitas que compartilhava com Viseum o vasto planalto da Beira central ou Beira d´aquém da Serra, que as serras da estrela, do Montemuro e do Caramulo delimitavam. Porém, não é possível ainda saber o nome romano da cidade, pelo simples motivo, de não ter sido descoberta qualquer lápide que esclareça tal dúvida.”

EPÍGRAFE CONSAGRADA A NEPTUNO

Esta inscrição talhada em letras monumentais encontra-se embutida na base da torre sineira da igreja matriz de Bobadela. Quanto à sua tradução, esta poderá estar relacionada com qualquer templo dedicado ao culto a Neptuno, Deus romano do Mar ou pertencer a um monumento ligado às águas (nymphaeum Neptunale).

CABEÇA DO IMPERADOR

Entre os inúmeros artefactos achados, um dos mais notáveis é a cabeça monumental de um imperador romano, localizada em 1884 num pátio, nas imediações do forum. Apesar de ser incerta a sua localização original bem como o contexto do achado, pelas dimensões da cabeça esculpida em mármore branco, esta poderá pertencer a uma estátua com aproximadamente 3 metros de altura. A degradação do retrato torna extremamente difícil a sua identificação. Tibério (14 d.C. – 37 d.C.) ou Domiciano (81 d.C. – 96 d.C.) são duas das hipóteses.

As ruínas romanas da Bobadela, são uma importante preciosidade romana, única no país – e é inquestionavelmente um dos principais trunfos turísticos de Oliveira do Hospital. No centro de interpretação das ruínas da antiga cidade romana da Bobadela pode ver alguns arqueológicos, como por exemplo, um vaso litúrgico visigótico que comprova a continuidade da urbe na Alta Idade Média. Boa viagem!

Notas adicionais: (1) Informações recolhidas do site da câmara municipal de Oliveira do Hospital

2 comentários Ruínas Romanas da Bobadela (**) (Oliveira do Hospital)

  1. Sou apaixonada pela História Romana, tanto que digo às vezes que sinto que certamente numa outra “encarnação” devia ter sido uma “matrona romana”…
    Quando vivi em Roma sentia-me mais em “casa” do que em Lisboa de onde sou natural…
    Terá sido por isso que o meu marido é romano- abbruzzeze? ( Mas não mafioso!)
    A presença romana em Portugal,devia ser preservada e ao recuperá-le devia ter-se em conta a realidade que se deixa antever. Procurar sempre o modo de não alterar a história que as pedras nos contam…

  2. Miguel Almeida says:

    Discordo de alguns dos seus pontos de vista.
    1- Apesar de concordar plenamente com a recuperação de monumentos como este , não gosto muito da maneira como foi feita porque as pedras novas que lá colocaram são demasiado “modernas” .

    2- Quanto a por lá os politicos ded que fala, não concordo porque seguramente que em vez de se gladiadarem certamente conseguiriam vender aquilo aos bocados para conseguirem mais algum.

    3- Tenho pena de que o fabuloso conjunto de ruinas não seja devidamente divulgado pois só um curioso como eu “perde” tempo em lá ir.

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