Ruínas Romanas da Quinta da Abicada (Portimão) (*)- um exemplo da funesta governação que temos tido

Depois de aqui termos descrito as magníficas ruínas romanas do Milreu (***) (Faro) chega a vez, de também no Algarve colocar um artigo sobre a villa romana da Quinta da Abicada que se encontra sobranceira a Ria de Alvor, de onde se desfruta uma bela paisagem algarvia tendo como pano de fundo a Ria de Alvor, aqui apenas no seu princípio.
No século III d. C., um rico proprietário rural romano construiu a villa romana da Abicada de prosperidade fácil, assente na exploração dos amplos recursos que a natureza lhe oferecia – produtos do mar em conjugação com produtos da terra tecendo uma complementaridade com futuro decisivo. Vinho, azeite, sal e peixe, elementos futuros da economia e da gastronomia local.

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Da “villa” romana da Abicada conhece-se aparte correspondente aos aposentos femininos e masculinos e à cozinha e arrecadações. A sua planta é singular, desenvolvendo-se em torno de um átrio hexagonal. Apresenta-se sob a forma de rectângulo dividido em três corpos bem diferenciados.
A nascente distingue-se o corpo do edifício destinado a celeiros, cozinha e dependências de escravos.
É nos mosaicos que reside a maior riqueza da Abicada, embora os motivos sejam exclusivamente geométricos apenas com algumas figurações florais estilizadas. Peltas com volutas ou em intercepção, linhas de fuso, círculos concêntricos, escudos de triângulos axadrezados, estrelas de losangos, nós de Salomão, tesselas brancas correndo paralelas aos muros, tesselas cinzentas em simetria diagonal, florzinhas azuis petróleo sobre fundo branco. Panóplia de cores calcárias realçando os contornos e avolumando as formas. Os muros são feitos de pedras ligadas por argamassa de cal e areia. Junto correm as valas, revestidas de “opus signinum”, condutoras da água fresca.

Desconhece-se os limites reais da “villa”, muitas pedras aguardam busca sistemática, outras dispersam-se ou amontoam-se sem nexo aparente em torno da casa. Pedras que juntas formaram muros com tantas histórias para contar. Destas histórias não podemos fazer história, simplesmente sonhar e viajar no tempo acompanhados de referências demasiado materiais para a percepção do sentir e do pensar daqueles que, de certo modo, constituem fragmentos de nós pela herança cultural que nos legaram.
A Estação romana da Quinta da Abicada, com os seus mosaicos polícromos, de motivos geométricos que constituem um dos pontos de atracção da visita ao Algarve no entanto é necessário que se realizem intervenções urgentes naquela preciosa villa romana, antes que se perca e passe apenas a constar nos manuais de história de Portugal e da romanização da Península. É certo que com a área envolvente e o complexo de criação de gado existente logo nas proximidades do sítio é difícil criar um espaço atraente para a visita do “grande público”, mas o abandono e o desleixo não são solução.
Trata-se de uma notável villa romana no nosso país, e que necessita urgentemente de ser preservado.
Texto apenas ligeiramente adaptado de http://terrasdeportugal.wikidot.com/abicada
Outro notável artigo sobre a Abicada

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