Miradouro da Serra calcária de Alvaiázere (*)

Serra de Alvaiázere

A serra de Alvaiázere, é a maior elevação do conjunto de serras calcárias situadas entre Condeixa e Alvaiázere atingindo 618 metros de altura. Tem um comprimento de 7 por 3 Km de largura e é um elemento paisagístico notável. Do seu cume alcança-se um fabuloso panorama.
A Geologia da serra de Alvaiázere
A Serra é constituída por calcários duros do Jurássico Médio – são essas mesmas rochas que vão constituir os pontos mais altos do Parque Natural das Serras de Aires e Candeeiros (***) e que formam ambientes cársicos com campos de lapiás, grutas, poljes, dolinas, algares etc.  Desta  mesma litologia, na região de Cantanhede, extraiu-se a famosa Pedra de Ançã, virtuosa  para a manufactura de estatuária; principalmente utilizada na Renascença Coimbrã.
A serra deve a sua presença a erosão diferencial – rocha calcária mais resistente do que as rochas encaixantes, mais argilosas (margosas) e também a condicionalismos tectónicos – toda a Serra de Alvaiázere é limitada por uma grandiosa escarpa de falha, a nascente, com direcção N-S.
A Serra tem aspectos geomorfológicos que merecem a sua atenção como o campo de lapiás pouco desenvolvido, algares e lapas e um pequena gruta denominada “Algor” que forma um salão abobado com oito metros de altura, recebendo luz por um pequeno sumidouro que contem estalactites e estalagmites.
Toda a serra de Alvaiázere é um geomonumento que mereceria ser classificado e mais divulgado.
Biodiversidade da Serra de Alvaiázere
Esta está integrada na Rede Natura 2000 e é essencialmente constituída por vegetação arbustiva a base de carrascos; existem ainda odorosos alecrins, orégãos e belas orquídeas…Em algumas cavidades naturais (pequenas lapas e algares) deverão existir diferentes espécies de morcegos, alguns de conservação prioritária.
Arqueologia da Serra de Alvaiázere
Na Serra existe ainda a Norte um vestígio pré-histórico de grandes dimensões designado por Carreira de Cavalos. Trata-se de duas cinturas de muralhas parcialmente derrubadas com forma circular, com 100 metros de diâmetro. Provavelmente, pelo espólio encontrado, fragmentos de bronze, restos de cerâmica decorada e os materiais líticos de diferentes tipologias, seria um povoado da Idade do Bronze. Mas são precisas mais campanhas arqueológicas para estudar melhor o local.

Serra de Alvaiázere (nossa Senhora dos Covões)

Panorama da serra de Alvaiázere
No seu cume observa-se um grandioso panorama. A Oriente onde a escarpa de falha é mais imponente, com desnível superior a 300 metros observa-se a várzea e a vila de Alvaiázere, com o seu grande olival, bem como um bom troço da Cordilheira Central xistosa até a serra da Lousã. No sopé ocidental, está a vasta depressão do Bofinho cuja origem relaciona-se com processos cársicos; mais distantemente a planície fértil do rio Nabão, as Serras de Sicó e do Rabaçal, o maciço montanhoso calcário de Aires e Candeeiros, e atrás daquele rebrilha a fímbria prateada do Oceano Atlântico. Enfim uma vista de 360º ao seu dispor que abarca desde a Serra da Boa Viagem à Serra da Lousã. Assombroso!
Devido a sua estrutura a serra tem uma afamada pista de parapente.
Lendas da Capela da Nossa Senhora dos Covões (Alvaiázere)
Desde Alvaiázere a ascensão a Serra é feita em estrada asfaltada, a meio caminho deparamo-nos com o singelo templo religioso com origem no século XVIII, onde existem duas curiosas lendas associadas.
Lenda da Pastorinha
Segundo a tradição popular, uma pequena pastora da Serra guardava o seu rebanho quando encontrou na gruta, junto à Capela de Nossa Senhora dos Covões, a imagem da Senhora da Memória. A menina achou-a tão bonita que a levou para casa com a intenção de brincar com ela como se fosse uma boneca. Contudo, por várias vezes, a imagem desaparecia e a pastorinha ia encontrá-la no mesmo sítio de onde a tinha levado. A notícia espalhou-se pela freguesia e o desaparecimento da santa tornou-se um milagre.
Lenda de Nossa Senhora da Memória
Segundo a lembrança popular, apareceu na gruta junto à Capela de Nossa Senhora dos Covões, uma imagem de Nossa Senhora, a que o povo deu o nome de Senhora da Memória.
No local, foi colocada uma imagem da santa e aos seus pés encontra-se uma corrente de ferro que terá sido ali colocada por um cristão prisioneiro dos mouros. Reza a lenda que o cristão acordou certo dia e reparou que já não estava no mesmo local onde tinha adormecido, mas numa gruta e livre do inimigo. Com a imagem de Senhora da Memória à sua frente, ali depositou as correntes como sinal de gratidão pelo milagre da sua liberdade 1.
Qual é a sua interpretação destas duas lendas? Eu tenho a minha explicação, obviamente subjectiva, que reservo para mais tarde.
Consultas:
1) www.floresdocampo.weblog.com.pt
Nota: Como não levei máquina fotográfica no dia do Festival do Chícharo, tive que pedir uma emprestada ao Dias dos Reis.
Boa Viagem!

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