Templo de Diana (Évora) (***)-Um dos mais grandiosos templos romanos da Península Ibérica

Templo de Diana (Évora) (***)-Um dos mais grandiosos templos romanos da Península Ibérica

O Templo de Diana e o santuário da villa Romana de Milreu são os exemplares mais notáveis da arquitetura religiosa romana em Portugal

Outros vestígios de templos notáveis são:
-Templo de Almofala (Figueira de Castelo Rodrigo) (*)
-Templo de Miróbriga (Santiago Cacém) (*)
-Templo da Villa Romana de Estói (Faro) (***)
-Templo Romano em Santana do Campo (Arraiolos) (*)
-Templo Romano em Nossa Senhora das Cabeças (Orjais-Covilhã) (*)

Outros vestígios de “templos” romanos em Portugal: Marialva (Meda), Conimbriga (Condeixa-a-Nova), Templo da Egitánia (Idanha-a-Velha), São Cucufate (Vidigueira), Santarém e Beja.
Embora o templo romano de Évora seja frequentemente chamado de Templo de Diana, sabe-se que a associação com a deusa romana da caça originou-se de uma fantasia criada no século XVIII pelo padre Manuel Fialho. Na realidade, o templo provavelmente foi construído em homenagem ao imperador Augusto, que era venerado como um Deus durante e após seu reinado, o templo seria então utilizado para o culto imperial. Foi construído no século I d.C. na praça principal (fórum) de Évora – então chamada de Liberatias Iulia – e modificado nos séculos II e III. O Templo de Diana foi degradado no século IV, durante as perseguições religiosas levadas a cabo no tempo do imperador Honório.
Posteriormente à sua vandalização deve ter sido integrado nas fortificações de Évora, nos períodos visigodo, muçulmano e primeiras centúrias do Portugal Independente, sendo depois transformado num conjunto de açougues públicos, por alvará da rainha D. Beatriz de Castela, esposa de D. Afonso IV.
Do eirado deste templo, lançaram os patriotas do mestre de Avis contra Álvaro de Oliveira e outros juízes da cidade aliados de D. Leonor Teles inúmeros virotes incendiados e outros apetrechos de guerra, que forçaram a rendição do castelo e o seu arrasamento parcial.
Foi transformado em sólida torre de planta retangular, apresentando um campanil manuelino, de sino de correr, na face norte, no ano de 1836, nele deixando de funcionar os açougues.
É interessante informar que o destino de dois dos monumentos ícones das maiores cidades alentejanas serviram para tal mester, refiro-me também a loggia da igreja da Misericórdia de Beja (*).
É Indiscutivelmente que a utilização sucessiva do Templo de Diana como torre e açougue foi essencial na sua preservação.
No ano de 1870, o monumento foi desobstruído, reintegrando, tanto quanto possível, as suas linhas originais.

Templo de Diana em Évora

Templo de Diana em Évora

O templo original provavelmente era similar à Maison Carrée de Nîmes (França). O pódio encontra-se estruturado numa área 25 m de comprimento, 15 m de largura e 3,5 m de altura, em cantaria granítica de aspeto irregular, o denominado opus incertum. Quanto às colunas, este Templo – um dos mais bem conservados da Península Ibérica, apresenta a colunata intacta, composta de 6 colunas, arquitrave e fragmentos do friso no seu topo Norte, enquanto do seu lado O. surgem apenas 3 colunas inteiras – uma das quais sem capitel e base -, fragmentos da arquitrave e um dos frisos. No respeitante à tipologia, são colunas coríntias com fustes canelados. As colunas assentam em bases circulares de mármore branco de Estremoz. Em relação aos capitéis, eles apresentam-se lavrados no mesmo mármore, com decoração estruturada em 3 ordens de acantos e ábacos, ornamentados de florões e flores, como malmequeres, girassóis e rosas.
O embasamento encontra-se desmoronado na parte sul, na zona da escadaria.


Escavações mais recentes, nomeadamente as orientadas por Theodor Hauschild, revelaram que o Templo seria rodeado por pórtico monumental e um espelho de água em forma de U, e inserido num recinto delimitado por muralha ou paredes.
Como a zona do espelho de água ainda está relativamente bem preservada, apesar de estar coberta, porque não coloca-la a descoberto, pois iria valorizar ainda mais o monumento.
Localizado na parte mais elevada da cidade no Largo Conde de Vila Flor, no centro histórico de Évora que está classificado como Património Mundial pela UNESCO desde 1986, encontra-se rodeado por vários edifícios notáveis: Sé de Évora, pelo Tribunal da Inquisição, pela Igreja e Convento dos Lóios, pela Biblioteca Pública e pelo Museu Municipal.
O Templo de Diana é um dos mais famosos monumentos de Évora e um símbolo da presença romana em território português.
Notas Informativas:
Acesso livre, não é possível subir ao pódio.
Referências adicionais:
1-A fotografia noturna é do excelente blog de astrofotografia de Miguel Claro
2-Do blogue do campeão retirei a fotografia do espelho de água em redor do templo de Diana
3- Do blogue monumentos desaparecidos retirei algumas fotografias anteriores a remodelação ao monumento.

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