Termas do Cró (Sabugal) (*)

Termas do Cró (Sabugal) (*)

Sabia que…as Termas do Cró poderão ser uma mais-valia para toda a região do Ribacôa. Mas o que significa Cró? – Será que tem origem celta, como “Cro-Magnon” (Fr.), e que significa “mina”, “gruta”? .
As águas medicinais e o Sagrado
Desde sempre o Homem estabeleceu uma relação particular com as “águas”; principalmente, as que tinham características físicas e químicas fora do padrão comum, sendo-lhes atribuída uma proveniência divina, que lhes propiciavam propriedades terapêuticas, e que as remetiam para o mundo do sagrado. O qualificativo de “santa”, ou o padroado de uma divindade pagã, de um anjo, de um santo ou de uma santa, são muito frequentes no mundo termal, quase sempre, as “Santas” substituíram as “Ninfas”.
As Termas do Cró têm também a sua capela, muito singela a Nossa Senhora dos Milagres (com festa marcada para o mês de Agosto).
Nas Termas do Cró estiveram os Romanos
É mais que secular o uso destas águas, situadas nas margens da Ribeira do Boi (também conhecido como ribeiro do Cró- afluente na margem esquerda do rio Côa), porque foram descobertos vestígios romanos, o que indicia o seu aproveitamento. Por exemplo em 1935 aqui foi descoberto um tesouro de moedas romanas. Estas termas já poderiam ser referenciadas na época da romanização pela estâncias de Curo (C’ro), a lembrar a célebre frase latina –curat ut valeas- olha pela tua saúde; e aqui eis outra hipótese para o seu nome. Lembremo-nos de outras mais afamadas termas que também começam pelo mesmo prefixo: Termas da Curia (**).
Breve Historial das Termas do Cró
Conta-se na região que um descendente do Conde da Guarda, nos fins do século XVIII, se terá banhado nestas águas, tendo ficado curado do seu mal de reumatismo; por isso, decidiu construir perto da nascente, duas casas de moradia e uma casa com banheira para poder continuar a tratar-se com maior comodidade. Para completar, este primitivo e elementar conjunto termal e cumprir promessas de graças obtidas, mandou também construir uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Milagres, fazendo depois uma casa para o ermitão.

No entanto, a referência mais antiga ao Cró é de 1726 e falava dos notáveis efeitos curativos dos banhos destas águas e da necessidade de se criarem aí instalações apropriadas.
Desde sempre a nascente despertou grande interesse na região; as gentes dos concelhos do Sabugal, Guarda, Penamacor, Almeida, Pinhel, Castelo Rodrigo e até de Espanha, crendo nos milagres da Senhora ou nas virtudes terapêuticas das águas, ali passaram a ir todos os anos. Levantavam então barracas, cobertas de colmo.

Um dos primeiros grandes entusiastas do melhoramento das condições de captação de água do Cró, e que para tal não se poupou a esforços, foi José Dinis da Fonseca, chegando mesmo a mandar efectuar os primeiros exames das águas na Academia Politécnica do Porto, em 1891.
Somente em 1935 se construiu um balneário. Para além deste, formavam parte do complexo termal, a igreja da Senhora dos Milagres, a Pensão dos Milagres (onde os banhistas se alojavam durante a época balnear e tomavam as suas refeições), o antigo posto telefónico e de correios, os poços de armazenamento de água termal e algumas casas que pertenciam a pessoas de maiores posses, que aí iam tomar banhos.
Em 1974 a exploração foi abandonada e todos os edifícios foram votados ao abandono e sujeitos a pilhagens e actos de vandalismo.
Recomendação medicinais das Termas do Cró
Só em 1891 se procedeu ao primeiro exame químico das águas do Cró, dizendo-se serem “hipossalinas, sulfúreas, bicarbonatadas sódicas”, a que hoje se acrescenta, serem fluoretadas e ricas em tiossulfatos, por isso têm excelentes propriedades medicinais, sendo recomendadas para o tratamento de doenças da pele, reumatismo e do aparelho respiratório.
As Termas do Cró foram desactivadas em 1974, mas estão presentemente a ser alvo de reabilitação.
Um bocadinho de Geologia- quem não estiver interessado que salte para o próximo subtítulo
Apesar de existir uma exsurgência à superfície, a água para tratamentos está a ser captada a 30 metros de profundidade por quatro furos a 23 ºC, brotando de granitos porfiróides.
A percolação das águas das emergências do Cró está associada a fenómenos tectónicos de grande envergadura. A área de infiltração de águas, provenientes de escorrência superficial que servem de alimentação ao aquífero, corresponde à uma grande faixa fracturada de direcção NW-SE que passa junto à Guarda e a cerca de 8 km para oeste do Cró.
As Termas do Cró e a sua relação com a Vila do Touro
Também na Ribeira do Boi, na Vila do Touro, existe uma nascente com características semelhantes, e em que da última vez que lá estive, ainda se observava vestígios das habitações dos aquistas, provavelmente do inicio do século XX. Este sítio também poderia ser recuperado e ser interligado com as termas do Cró.
Acreditamos plenamente que este espaço optimizado pode ser um ponto importante de desenvolvimento desta região. Aliás são quatro os conjuntos termais que estão ou foram reabilitados no distrito da Guarda: Fonte Santa (Almeida) (*), Longroiva (Meda) (*), Cavaca (Aguiar da Beira) (*) e que são uma luzinha ao fundo do túnel, para o desenvolvimento de Beira Interior.
As Termas do Cró são um local bastante aprazível, com o pontão da ribeira do Boi, a altivez ruinosa do balneário da estância, o rumorejar da ribeira, o belo corredor ripícola de amieiros, freixos e carvalhos; mas é a água, na sua forma naturalmente incólume, que nos faz sentir bem.
Utilidades:
Características da Água: Água Sulfúrica Sódica; 23º Graus; 30 metros de profundidade;
Indicações Terapêuticas: Reumatismos, dermatoses, afecções respiratórias;
Técnicas Terapêuticas: Hidromassagem, jacto, cama de vapores, irrigador nasal, aerossol; pulverizador;
Instalações: Neste momento as Termas do Cró dispõem de um balneário provisório, estando a construir-se um parque termal uma unidade hoteleira e um novo balneário termal.
Contactos: Telefone- 271581818 Fax 271753408. email- geral@cm-sabugal.pt

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